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By Erik Rasmussen

A volta da Engesa: O Brasil que produz armas de guerra

Acordo sigiloso com o grupo europeu EADS retoma marca histórica da indústria bélica
No dia 7 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu convidado, Nicolas Sarkozy, da França, terão um motivo a mais para comemorar. Além de assinarem o contrato de fornecimento dos 51 helicópteros de transporte militar EC-725, lançarão a pedra fundamental da "Engesaer", holding que tomará a frente das iniciativas de transferência de tecnologia no âmbito da Estratégia de Defesa Nacional. A marca Engesa fez história no País entre as décadas de 70 e 80, quando figurou como importante indústria de material bélico, exportando caminhões militares e blindados leves para 18 países. Espera-se reeditar o sucesso da época e levar o Brasil de volta ao seleto grupo de fabricantes de armamentos. No comando da iniciativa está o coronel reformado Oswaldo Oliva Neto, irmão do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) e ex-assessor do ex-ministro Luiz Gushiken, quando esteve à frente do Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE) da Presidência, depois transformado em Ministério.

Íntimo do poder e dos militares que comandam a indústria de defesa nacional, Oliva Neto vem trabalhando há quase um ano nos bastidores para a concretização do projeto. Nos últimos meses, ele manteve encontros privados com os comandantes das Forças Armadas e representantes do Ministério de Desenvolvimento, da Defesa e do BNDES. Mas o tema é coberto de sigilo, e cláusulas de confidencialidade do acordo impedem que Oliva Neto e a EADS, o detalhem.
Professor do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp, o coronel reformado Geraldo Cavagnari avalia que a reedição da marca Engesa faz parte das ações para "revitalizar a indústria de defesa brasileira e ingressar em níveis tecnológicos mais elevados". Cavagnari lembra que a Engesa construiu um mercado amplo e chegou a exportar para a África e o Oriente Médio, como os casos de Angola, Líbia e Iraque. Embora seus produtos mais conhecidos sejam os blindados Urutu e Cascavel, a Engesa se transformou num poderoso grupo que produziu desde tratores agrícolas até radares. Foi à falência em 1993, vitimada por problemas financeiros que tiveram origem na má gestão da companhia, segundo Reinaldo Bacchi, ex-gerente de marketing e produtos militares da Engesa. "Tem gente que inventa história de calote iraquiano, mas isso nunca existiu. Quem ficou devendo foi a Engesa." Segundo o advogado Maicel Anésio Titto, que cuidou do espólio, há poucos anos o registro da marca caducou, permitindo sua apropriação por terceiros.
Segundo Oliva Neto, a ideia de criar a Engesaer surgiu tanto da demanda nacional pela reativação da indústria bélica como da necessidade do próprio grupo EADS de negociar a transferência de tecnologia do contrato dos helicópteros, estimado em US$ 6 bilhões. Havia desconforto dos europeus em lidar pontualmente com várias pequenas empresas, sem a garantia de que os parceiros teriam condições econômicas e tecnológicas que justificassem a desmobilização de fornecedores na Europa. Numa cadeia produtiva, com tamanho grau de integração, qualquer falha na produção pode ter consequências desastrosas. "Com a holding, as desconfianças são dissipadas, uma vez que os investidores europeus terão a oportunidade de acompanhar o dia a dia das companhias que receberão a nova tecnologia", afirma Oliva Neto. "Além de profissionalizar o setor, o desenvolvimento de massa crítica e a instalação de capacidade produtiva, ampliam as possibilidades da Engesaer muito além do projeto dos helicópteros". A EADS já está enviando especialistas da unidade de negócios e engenheiros para visitar as empresas brasileiras e avaliar a capacidade de produção de bens e serviços. O objetivo é estimar como o Brasil participará na escala mundial do grupo.
A Engesaer representa a criação no Brasil de uma plataforma segura para a nova estratégia de negócios do grupo europeu, que prevê levar para fora da zona do euro até 40% de toda sua produção, a fim de reduzir custos com a obtenção de isenções fiscais e mão de obra mais barata. Essa lógica já vem sendo adotada no contrato dos helicópteros, que prevê a nacionalização de 50% da produção. É possível que o EC-725 seja produzido integralmente na fábrica da Helibrás, com vistas à exportação. Pensando nisso, a EADS adquiriu recentemente, por meio do consórcio Eurocopter, 70% da companhia brasileira. No caso da Engesaer, a participação acionária do grupo europeu estará limitada a 20%, para evitar que o negócio seja visto como "invasão estrangeira". O restante será aberto a investidores nacionais, como fundos de pensão. O governo federal, por sua vez, terá uma golden share, como ocorre com a Embraer, a fim de exercer o controle estratégico das operações.
Inicialmente, a Engesaer aproveitará a capacidade instalada de, ao menos, cinco empresas do setor de defesa: Imbra Aerospace e Mectron Engenharia, Akaer, Atmos e Gigacom, cujos presidentes coordenarão diferentes núcleos de negócios, como engenharia, aeroestrutura, sistema de armas e comunicação. Com esse modelo de produção, uma empresa torna-se fornecedora da outra, eliminando a verticalização do imposto.
Além de helicópteros, a holding também construirá satélites de controle de tráfego aéreo e sistemas para a área de segurança pública. Para o consultor em segurança nacional Salvador GhelfiRaza, do Centro de Estudos Hemisféricos de Defesa, braço acadêmico do Pentágono, a estratégia da EADS segue a tendência internacional. "O modelo de negócio é correto, mas o Brasil não está preparado", afirma Raza. Segundo ele, há barreiras tecnológicas, financeiras e de legislação que podem dificultar o sucesso do negócio. (Claudio Dantas Sequeira – IstoÉ)

NOTA DO CONTRAPONTO!: Tem gente que bate no peito, com orgulho: "O Brasil é um dos maiores fabricantes de armas de guerra!!!" Outros lamentam. Um mero "detalhe" desta reportagem de IstoÉ: O ‘articulador’ do acordo da ENGESA é o coronel reformado Oswaldo Oliva Neto, que vem a ser IRMÃO do senador Mercadante (PT-SP). Agora dá pra entender porque Mercadante engoliu o sapo bigodudo Sarney, a pedido de Lula…

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10 comments to A volta da Engesa: O Brasil que produz armas de guerra

  • MARCELO

    Eu bato no peito. Com orgulhosim. É uma pena nao exportar armas nucleares.

  • sidnei

    ta na hora deste pais se mexer e mostrar que não é apenas grande mas tambem poderoso.

  • marcio

    O BRASIL é uma potência mundial, se não exportassemos alimento para o resto do planeta por um mês, os que se intitulam primeiro mundo ficaria com muito medo, Se houver mais insentivo serio à pesquisa como a do biocombustivel(alcool e biodiesel)Os maiores produtores de petroleo seria uma pulha, pois seriamos autosustentaveis sem muto esforço. E para que haja defesa de tanto potêncial, acho otimo que o Brasil volte a produzir armas de guerra de ultima gerasão.

  • Mauricio

    Lembro-me bem da epoca da ENGESA e como nosso pais era respeitado la fora, esta na hora de acordar e mostrar nossa capacidade. Demorou.

  • luiz monteiro

    Não bato no peito, pois ainda somos aproveitadores de sucatas caras dos EUA, UE e outros. Um país enorme e cheio de aparencia e fantasias misturado a mentiras e engano, onde não constrói seus próprios ativos por não valorizar e investir nos seus engenheiros e cientistas. Porque a plataforma de lançamentos de foguetes na barreira do inferno explodiu? psiu bico calado.

  • Pablo da silva lisboa

    O Brasil tem odever de cidefender de posivels a taques das outras pôtencias, como os americanos;eles podem voltar a sua cobiça para o Brasil, por que nós seramos daqui 20 anos uma grande nação.Pois eles são os grandes inimigos do brasilno no passado e futuro.

  • rafael

    meus filhos não sonhem!

    jamais seremos uma grande nação!

    Não há educação

    Só tem ladrão em Brasília!

    O povo BRASILEIRO é corruptível e nossos

    representantes também!

    Jamais seremos uma grande nação!

    Seremos apenas sempre o ¨país do futuro!¨

    mas sempre com os pés no passado….

  • joao de lima

    INFELISMENTE TEMOS QUE ACHAR BOM O BRASIL PRODUZIR ARMAS,MELHOR SERIA SE ISSO NÃO FOSSE NESCESSARIO,POREM UM PAIS QUE TEM A MELHOR E MAIS BARATA PRODUÇÃO AGRICOLA DO MUNDO E MAIS DE 70% DAS TERRAS AGRICULTAVEIS AINDA INEXPLORADAS,A MAIOR QUANTIDADE DE AGUA DOÇE DO PLANETA E UMA RIQUEZA INFINITA EMBAIXO DO SOLO NÃO PODE CONFIAR QUE A TURMA DO TIO SAM VAI NOS VER SEMPRE COMO BONS AMIGOS,E JA FICOU PROVADO QUE ELES NÃO RESPEITAM NINGUEM NEM A ONU,O IRAQUE CHEIO DE ARMAS DE ‘EXTERMINAÇAO EM MASSA’,QUE O DIGA ACABARAM COM O PAIS E AGORA VÃO EMBORA COM OTIMOS CONTRATOS NA AREA DE PETROLEO.É UM PAIS DE LOUCOS QUE ACHA QUE TEM QUE SE METER EM TUDO,TUDO O QUE LHE INTERESSA POR QUE AS GUERRAS E REVOLUÇÕES DA AFRICA NÃO INCOMODAM ELES.ESTAÕ ESPERANDO A AFRICA ACBAR PRA TOMAR CONTA LA TEM MUITO DIAMANTE

  • Robert Maia

    Eu não quero acreditar que alguns comentários aqui sejam escritos por pessoas alfabetizadas. É importante sim o Brasil ser independente na área militar e aeroespacial. Temos que deixar de depender da boa vontade externa. Precisamos de caças competitivos, de submarinos, navios de guerra, foguetes, satélites e tudo mais que possamos usar para intimidar quem se atrever conosco. Quanto a quem está comandando isso tudo, se tem algo errado é culpa do PT que é conivente.

  • Jander

    Concordo com Rafael, enquanto haver só ladrão em Brasilia, este pais Jamais será grande, ja perceberam que quando ladrão tem que se dá bem no Cinema, vem para o RIO DE JANEIRO, la fora temos a imagem de pais da corrupção e não estão errados.

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