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Os crimes praticados durante a ditadura são crimes contra a humanidade e nesta medida não podem ser anistiados.
Em breve o Procurador Geral da República apresentará parecer sobre a matéria na ação (ADPF nº 153) que tramita no Supremo Tribunal Federal, que em sua decisão estabelecerá um novo marco de democracia para o país.
Pela importância desta decisão, o Comitê Contra a Anistia aos Torturadores, estabeleceu, num primeiro momento, que faremos uma “petição on line”.

Precisamos a maior adesão possível de pessoas ou entidades.
Precisamos que todos enviem mensagem para todos os contatos possíveis e imagináveis, do Brasil e de fora, para :
a) informar da campanha ( o texto esta em português, inglês e espanhol)
b) pedir subscrição de pessoas e entidades
c) pedir para colocar o banner da campanha ( abaixo) em sites para a maior divulgação possível.
Basta acessar no link abaixo para aderir.
Saudações
Comite contra a anistia dos torturados
uma iniciativa da associaçao de juizes pela democracia.
http://www.ajd.org.br/anistia_port.php
O Instituto Zequinha Barreto através da sua secretaria de formação realizou no dia 06 de março de 2010 no auditório do Sindicato dos Químicos Unificados – Regional Osasco o curso sobre “A Atualidade de Antonio Gramsci” com o Profº EDSON MIAGUSKO e Doutor em Sociologia formado pela Universidade de São Paulo (USP).
Miagusko fez a apresentação sobre os temas:
O contexto das idéias de Gramsci
A noção de hegemonia
Idéias de Gramsci e o Brasil
Teve uma participação muito boa entre os participantes havia estudantes de história, trabalhadores e sindicalistas que estavam no curso para poder entender mais sobre “Antonio Gramsci e assim que acabou ficou definido entre os participantes e o professor que iremos dar continuidade no curso e aprofundar sobre os temas que ficaram pendentes devido à hora como, por exemplo,”.
Sociedade Civil e Sociedade Política
Bloco Histórico entre outros
Veja algumas fotos do curso:
Em breve estaremos atualizando essa matéria com mais fotos e vídeo e uma entrevista com o Profº EDSON MIAGUSKO.
Para saber mais sobre os cursos de formação do Instituto Zequinha Barreto
e-mail; socialismoedemocracia@gmail.com
e-mail: pedrinagsilva@yahoo.com.br
Telefone 3695-0661 – Falar com Pedrina
Fonte: Gentilmente cedido pela Juventude do PSTU.
HTML por José Braz para o Marxists Internet Archive
Site: http://www.marxists.org/portugues
Eis aqui as respostas às perguntas que você me fez sobre o futurismo italiano: O movimento futurista, na Itália, perdeu, completamente, seus traços característicos, depois da guerra. Marinetti dedica-se muito pouco com o movimento. Casou-se e prefere consagrar sua energia à esposa. Monarquistas, comunistas, republicanos e fascistas participam, atualmente, do movimento futurista. Em Milão, onde, recentemente, se fundou um semanário político, Il Principe, que formula, ou procura formular, as teorias desenvolvidas por Maquiavel para a Itália do século XV, a saber: Só um monarca absoluto, um novo César Bórgia, colocando-se à frente dos grupos rivais, pode encerrar a luta, que divide os partidos locais e leva a nação ao caos. Dois futuristas, Bruno Corra e Enrico Settimelli, dirigem o órgão. Marinetti colabora hoje nesse periódico, embora tivesse sido preso por causa de violento discurso contra o rei, que pronunciou em 1920, durante manifestação patriótica, em Roma. Os principais porta-vozes do futurismo de antes da guerra tornaram-se fascistas, à exceção de Giovanni Papini, que se converteu ao catolicismo e escreveu uma história do Cristo. Os futuristas, durante a guerra, foram os mais tenazes partidários da "luta até a vitória final" e do imperialismo. Só um fascista, Aldo Palazzeschi, declarou-se contra a guerra. Rompeu com o movimento e terminou emudecendo como escritor, embora fosse dos mais inteligentes. Marinetti publicou um manifesto para demonstrar que a guerra – sempre, aliás, exaltada por ele – constituía o único remédio higiênico para o universo. Tomou parte no conflito como capitão de um batalhão de carros blindados, aos quais teceu um hino entusiasta no seu último livro, A Alcova de Aço. Escreveu também uma brochura intitulada Fora do Comunismo, na qual desenvolve suas doutrinas políticas – se se pode qualificar de doutrina as fantasias desse homem – que são por vezes espirituosas e sempre estranhas. A seção de Turim do Proletkult, antes da minha partida da Itália, pediu a Marinetti que explicasse, na abertura de uma exposição de quadros futuristas, o sentido do movimento aos operários. Ele aceitou, voluntariamente, o convite. Visitou a exposição com os operários e declarou-se satisfeito com o fato de demonstrarem mais sensibilidade que os burgueses no que concerne à arte futurista. O futurismo, antes da guerra, era muito popular entre os operários. A revista L’Acerbo tinha uma tiragem que atingia a 20.000 exemplares, dos quais quatro quintos circulavam entre operários. Quando de numerosas manifestações de arte futurista, nos teatros das maiores cidades italianas, os operários defendiam os futuristas contra os jovens – semiaristocratas e burgueses – que os atacavam. O grupo futurista de Marinetti não existe mais. Um certo Mario Dessi, um homem sem o menor valor, tanto como intelectual quanto como organizador, agora dirige o seu antigo órgão, Poesia. No Sul, notadamente na Sicília, apareceram muitas folhas futuristas nas quais Marinetti escreve artigos; publicam-nas estudantes que encobrem com o futurismo a sua ignorância da gramática italiana. Os pintores compõem o grupo mais importante entre os futuristas. Há, em Roma, uma exposição permanente de pintura futurista, organizada por um certo Antonio Giulio Bragaglia, fotógrafo falido, produtor de cinema e empresário. O mais conhecido dos pintores futuristas é Giorgio Balla. D’Annunzio, publicamente, nunca tomou posição em relação ao futurismo. Deve-se dizer que o futurismo, na sua origem, manifestava-se, expressamente, contra d’Annunzio. Um dos primeiros livros de Marinetti intitulava-se Les Dieux s’en vont, d’Annunzio reste(1). Ainda que durante a guerra os programas políticos de Marinetti e de d’Annunzio coincidissem em todos os pontos, os futuristas permaneceram anti-d’Annunzio. Eles, praticamente, não mostraram nenhum interesse pelo movimento de Fiúme, embora mais tarde participassem das manifestações.
Pode-se dizer que, depois da conclusão da paz, o movimento futurista perdeu completamente o seu caráter e dissolveu-se em diversas correntes, formadas no transcurso da guerra e em conseqüência dela. Os jovens intelectuais são quase todos reacionários. Os operários, que viram no futurismo elementos de luta contra a velha cultura acadêmica italiana, ossificada e estranha ao povo, hoje devem combater de armas na mão por sua liberdade e demonstram pouco interesse pelas velhas querelas. Nas grandes cidades industriais, o programa do Proletkult, que visa a despertar o espírito criador do operário para a literatura e a arte, absorve a energia daqueles que ainda têm tempo e desejo de ocupar-se com tais questões.
Primeira Edição: ……………. Origem da presente Transcrição: ………………. Tradução: …………….. Transcrição de: Alexandre Linares para o Marxists Internet Archive. HTML de: Fernando A. S. Araújo para o Marxists Internet Archive, Junho 2005. Direitos de Reprodução: Marxists Internet Archive (marxists.org), 2005. A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License
É a época da publicidade para as assinaturas. Os diretores e os administradores dos jornais burgueses arrumam as suas vitrines, passam uma mão de tinta pela tabuleta e chamam a atenção do passante (isto é, do leitor) para a sua mercadoria. A mercadoria é aquela folha de quatro ou seis páginas que todas as manhãs ou todas as tardes vai injetar no espírito do leitor os modos de sentir e de julgar os fatos da atualidade política que mais convém aos produtores e vendedores de papel impresso. Estamos dispostos a discorrer, com os operários especialmente, sobre a importância e a gravidade daquele ato aparentemente tão inocente que consiste em escolher o jornal que se pretende assinar?
É uma escolha cheia de insídias e de perigos que deveria ser feita com consciência, com critério e depois de amadurecida reflexão. Antes de mais, o operário deve negar decididamente qualquer solidariedade com o jornal burguês. Deveria recorda-se sempre, sempre, sempre, que o jornal burguês (qualquer que seja sua cor) é um instrumento de luta movido por idéias e interesses que estão em contraste com os seus. Tudo o que se publica é constantemente influenciado por uma idéia: servir a classe dominante, o que se traduz sem dúvida num fato: combater a classe trabalhadora. E, de fato, da primeira à última linha, o jornal burguês sente e revela esta preocupação. Mas o pior reside nisto: em vez de pedir dinheiro à classe burguesa para o subvencionar a obra de defesa exposta em seu favor, o jornal burguês consegue fazer-se pagar pela própria classe trabalhadora que ele combate sempre. E a classe trabalhadora paga, pontualmente, generosamente. Centenas de milhares de operários contribuem regularmente todos os dias com seu dinheiro para o jornal burguês, aumentando a sua potência. Porquê? Se perguntarem ao primeiro operário que encontrarem no elétrico ou na rua, com a folha burguesa desdobrada à sua frente, ouvirão esta resposta: É porque tenho necessidade de saber o que há de novo. E não lhe passa sequer pela cabeça que as notícias e os ingredientes com as quais são cozinhadas podem ser expostos com uma arte que dirija o seu pensamento e influa no seu espírito em determinado sentido. E, no entanto, ele sabe que tal jornal é conservador, que outro é interesseiro, que o terceiro, o quarto e quinto estão ligados a grupos políticos que têm interesses diametralmente opostos aos seus. Todos os dias, pois, sucede a este mesmo operário a possibilidade de poder constatar pessoalmente que os jornais burgueses apresentam os fatos, mesmo os mais simples, de modo a favorecer a classe burguesa e a política burguesa com prejuízo da política e da classe operária. Rebenta uma greve? Para o jornal burguês os operários nunca têm razão. Há manifestação? Os manifestantes, apenas porque são operários, são sempre tumultuosos, facciosos, malfeitores.
O governo aprova uma lei? É sempre boa, útil e justa, mesmo se não é verdade. Desenvolve-se uma campanha eleitoral, política ou administrativa? Os candidatos e os programas melhores são sempre os dos partidos burgueses. E não falemos daqueles casos em que o jornal burguês ou cala, ou deturpa, ou falsifica para enganar, iludir e manter na ignorância o público trabalhador. Apesar disto, a aquiescência culposa do operário em relação ao jornal burguês é sem limites. É preciso reagir contra ela e despertar o operário para a exata avaliação da realidade. É preciso dizer e repetir que a moeda atirada distraidamente para a mão do ardina é um projétil oferecido ao jornal burguês que o lançará depois, no momento oportuno, contra a massa operária.
Se os operários se persuadirem desta elementaríssima verdade, aprenderiam a boicotar a imprensa burguesa, em bloco e com a mesma disciplina com que a burguesia boicota os jornais dos operários, isto é, a imprensa socialista.
Não contribuam com o dinheiro para a imprensa burguesa que vos é adversária: eis qual deve ser o nosso grito de guerra neste momento, caracterizado pela campanha de assinaturas, feitas por todos os jornais burgueses. Boicotem, boicotem, boicotem!
Origem da presente transcrição: (Desconhecida) Transcrição de: Alexandre Linares para o Marxists Internet Archive HTML de: Fernando A. S. Araújo Direitos de Reprodução:…..
Postado: http://www.marxists.org/portugues
Nosso Marx
Somos marxistas? Existem marxistas? Somente tu, estupidez, és eterna. Essa questão provavelmente ressuscitará estes dias, por ocasião do centenário, e consumirá rios de tinta de estultice. A vã quinquilharia e o bizantinismo são heranças imarcescíveis dos homens. Marx não escreveu um catecismo, não é um messias que tenha deixado uma fieira de parábolas carregadas de imperativos categóricos, de normas indiscutíveis, absolutas, fora das categorias do tempo e do espaço. Seu único imperativo categórico, sua única norma é: "Proletários do mundo inteiro, uni-vos." Portanto, a discriminação entre marxistas e não marxistas teria de consistir no dever da organização e da propaganda, no dever de organizar-se e associar-se. Isto é muito e, ao mesmo tempo, muito pouco: quem não seria marxista? E, sem dúvida, assim são as coisas: todos são um pouco marxistas sem o saber. Marx foi grande e sua ação foi fecunda não porque tenha inventado a partir do nada, não por haver engendrado com sua fantasia uma original visão da história, mas porque com ele o fragmentário, o irrealizado, o imaturo, se fez maturidade, sistema, consciência. Sua consciência pessoal pode converter-se na de todos, e já é de muitos; por isso Marx não é apenas um cientista, mas também um homem de ação; é grande e fecundo na ação da mesma forma que no pensamento, e seus livros transformaram o mundo, assim como transformaram o pensamento.
Marx significa a entrada da inteligência na história da humanidade, significa o reino da consciência.
Sua obra surge precisamente no mesmo período em que se desenvolve a grande batalha entre Thomas Carlyle e Herbert Spencer relativa à função do homem na história.
Carlyle: o herói, a grande individualidade, mística síntese de uma comunhão espiritual, que conduz os destinos da humanidade para margens desconhecidas, evanescentes no quimérico país da perfeição e da santidade.
Spencer: a natureza, a evolução, abstração mecânica inanimada. O homem: átomo de um organismo natural que obedece a uma lei abstrata como tal, mas que se faz concreta historicamente nos indivíduos: a utilidade imediata.
Marx situa-se na história com a sólida postura de um gigante: não é um místico nem um metafísico positivista é um historiador, um intérprete dos documentos do passado, e de todos os documentos, não apenas de uma parte deles.
Este era o defeito intrínseco das investigações relativas aos acontecimentos humanos: o não examinar e não levar em consideração mais do que uma parte dos documentos. E essa parte era escolhida não pela vontade histórica, mas pelo preconceito partidário, que continua a ser isso ainda que inconscientemente e de boa fé. As investigações não tinham como objetivo a verdade, a exatidão a reconstrução integral da vida do passado, mas a acentuação de uma determinada atividade, a valoração de uma tese apriorística. A história era domínio exclusivo das idéias. O homem considerava-se como espírito, como consciência pura. Dessa concepção derivavam duas conseqüências errôneas: as idéias acentuadas eram freqüentemente arbitrárias, fictícias. E os fatos aos quais era dada importância eram anedotas, não história. Se apesar de tudo, foi escrita história, no real sentido da palavra, isso deveu-se à intuição genial de alguns indivíduos, não a uma atividade científica sistemática e consciente.
Com Marx a história continua sendo domínio das idéias, do espírito, da atividade consciente dos indivíduos isolados ou associados. Mas as idéias, o espírito, se realizam, perdem sua arbitrariedade, não são mais fictícias abstrações religiosas ou sociológicas. A substância que adquirem está na economia, na atividade prática, nos sistemas e nas relações de produção e de troca. A história como acontecimento é pura atividade prática (econômica e moral). uma idéia se realiza não quando é logicamente coerente com a verdade pura, com a humanidade pura (a qual não existe a não ser como programa, como finalidade ética geral para os homens), mas quando encontra na realidade econômica justificação, instrumento para afirmar-se. Para conhecer com exatidão quais são os objetivos históricos de um país, de uma sociedade, de um grupo, o que importa antes de tudo é conhecer quais são os sistemas e as relações de produção e de troca daquele país, daquela sociedade. Sem este conhecimento é perfeitamente possível redigir monografias parciais, dissertações úteis para a história da cultura, e serão captados reflexos secundários, conseqüências distantes; mas não será feita história, a atividade prática não ficará explícita com toda sua sólida compacticidade.
Caem os ídolos de seus altares e as divindades vêem como se dissipam as nuvens de incenso doloroso. O homem adquire consciência da realidade objetiva, se apodera do segredo que impulsiona a sucessão real dos acontecimentos. O homem conhece-se a si mesmo, sabe quanto pode valer sua vontade individual e como pode chegar a ser potente se, obedecendo, disciplinando-se de acordo com a necessidade, acaba dominando a realidade mesma, identificando-a com seus fins. Quem conhece a si mesmo? Não é o homem em geral, mas aquele que sofre o jugo da necessidade. A busca da substância histórica, o ato de fixá-la no sistema e nas relações de produção e de troca, permite descobrir que a sociedade dos homens está dividida em duas classes. A classe que possui o instrumento de produção necessariamente já conhece a si mesma, tem consciência, ainda que seja confusa e fragmentária, de sua potência e de sua missão. Tem fins individuais e os realiza através de sua organização, friamente, objetivamente, sem se preocupar se o seu caminho está calçado com corpos extenuados pela fome ou com os cadáveres dos campos de batalha.
A compreensão da real causalidade histórica tem valor de revelação para a outra classe, converte-se em princípio de ordem para o ilimitado rebanho sem pastor. A grei obtém consciência de si mesma, da tarefa que tem de realizar atualmente para que a outra classe se afirme, toma consciência de que seus fins individuais ficarão em mera arbitrariedade, em pura palavra, em veleidade vazia e enfática enquanto não disponha dos instrumentos, enquanto a veleidade não se converta em vontade.
Voluntarismo? Essa palavra não significa nada, se se utiliza no sentido de arbitrariedade. Do ponto de vista marxista, vontade significa consciência da finalidade, o que quer dizer, por sua vez, noção exata da potência que se tem e dos meios para expressá-la na ação. Significa, portanto, em primeiro lugar, distinção, identificação da classe, vida política independente da de outra classe, organização compacta e disciplinada para os fins específicos próprios, sem desvios nem vacilações. Significa impulso retilíneo até chegar ao objetivo máximo, sem excursões pelos verdes prados da cordial fraternidade, enternecidos pelas verdes ervazinhas e pelas suaves declarações de estima e amor.
Mas a expressão "do ponto de vista marxista" é supérflua, e até pode produzir equívocos inundações meramente verbais. Marxistas, de um ponto de vista marxista… todas expressões desgastadas como moedas que tenham passado por excessivas mãos.
Karl Marx é para nós mestre de vida espiritual e moral, não pastor com báculo. É estimulador das preguiças mentais, é o que desperta as boas energias dormidas e que se deve despertar para a boa batalha. É um exemplo de trabalho intenso e tenaz para conseguir a clara honradez das idéias, a sólida cultura necessária para não falar vagamente de abstrações. É bloco monolítico de humanidade que sabe e pensa, que não tem papas na língua para falar, nem põe a mão no coração para sentir, mas que constrói silogismos de ferro que aferram a realidade em sua essência e a dominam, que penetram nos cérebros, dissolvem as sedimentações do preconceito e a idéia fixa e robustecem o caráter moral
Karl Marx não é para nós nem a criança que geme no berço, nem o barbudo terror dos sacristãos. Não é nenhum dos episódios anedóticos de sua biografa, nenhum gesto brilhante ou grosseiro de sua exterior animalidade humana. É um vasto e sereno cérebro que pensa um momento singular da laboriosa, secular, busca que realiza a humanidade por conseguir consciência de seu ser sua mudança, para captar o ritmo misterioso da história e dissipar seu mistério para ser mais forte no fazer e no pensar. É uma parcela necessária e integrante do nosso espírito, que não seria o que é se Marx não tivesse vivido, pensado, arrancado chispas de luz com o choque de suas paixões e de suas idéias, de suas misérias e de seus ideais.
Glorificando a Karl Marx no centenário de seu nascimento, o proletariado glorifica a si mesmo, glorifica sua força consciente, o dinamismo de sua agressividade conquistadora que vai desquiciando o domínio do privilégio e se prepara para a luta final que coroará todos os esforços e todos os sacrifícios.

O «Avante!» foi o jornal comunista clandestino que em todo o mundo, durante mais tempo, foi sempre produzido no interior de um país dominado por uma ditadura fascista. Durante décadas – de 15 de Fevereiro de 1931 ao 25 de Abril de 1974 – o órgão central do PCP orientou e mobilizou as lutas da classe operária e de todos os trabalhadores em pequenas e grandes batalhas contra o capital e contra o regime fundado por Salazar e prosseguido por Caetano, orientou e mobilizou sectores democráticos que perfilharam, com os comunistas, uma política de unidade antifascista visando o derrubamento da ditadura terrorista dos monopólios e dos latifúndios aliados ao imperialismo e a conquista da liberdade e da democracia. Depois dos primeiros dez anos de existência atribulada, impeditiva de uma edição regular, que reflectia também a situação do Partido, a nível político, ideológico, de organização e de defesa perante a ofensiva repressiva do fascismo, o «Avante!», que sucedia a outras publicações comunistas anteriores à reorganização de 1929, conduzida por Bento Gonçalves, passou a ser publicado com regularidade mensal, sem uma falha, a partir da reorganização de 40/41, em que Álvaro Cunhal teve papel destacado. E, por várias vezes, fez tiragens quinzenais e semanais, tendo atingido, durante o período de grandes lutas dos anos 40, o número impressionante de 10 mil exemplares.
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Postado: Arquivo Marxista na Internet
No século 19 as disputas entre Blancos e Colorados degeneravam normalmente em guerras civis, dividindo e enfraquecendo o Uruguai e tornando-o presa fácil de interesses estrangeiros. Os confrontos de caudilhos locais refletiam a luta de poder entre o governo central e os departamentos. Após assumir a presidência e sufocar uma revolta dos líderes Blancos do Departamento de Rivera, Batlle deu início a um programa de reformas que viria conferir ao Uruguai o título de Suíça da América. O artigo é de Renato Martins.
Renato Martins (*)
José "Pepe" Mujica inicia hoje o segundo governo socialista da história do Uruguai. Recebe de Tabaré Vasquez um país em transformação, resultado das políticas de combate à pobreza implementadas pelo governo da Frente Ampla. O símbolo principal dessas mudanças é o Plano Ceibal, iniciativa do governo que nos últimos dois anos entregou a cada criança e a cada professor das escolas públicas um laptop com acesso à internet banda larga. Elogiado até pelos partidos de oposição, o plano explica o apoio de mais de 60% que o presidente Tabaré desfruta ao deixar o governo. Nada mal, a despeito do que diziam seus adversários no início do governo. Mujica se elegeu com o compromisso de prosseguir as mudanças e ampliar as políticas sociais iniciadas no governo Tabaré Vasquez. Em dezembro passado, quando derrotou o candidato do Partido Nacional, a mídia brasileira destacou a sua trajetória de ex-guerrilheiro pertencente ao Movimento de Libertação Nacional, os Tupamaros. Pouco se disse, porém, sobre a evolução do pensamento político do Uruguai, o que nos ajudaria a compreender o significado das mudanças em curso desde que a esquerda assumiu o poder em 2004. O batllismo, vertente política nascida nas fileiras do Partido Colorado, é um exemplo desse desconhecimento. Foi a partir dessa doutrina que o Uruguai superou a difusa institucionalidade herdada do século 19 e consolidou-se como Estado moderno. Devem-se a José Batlle y Ordóñez, presidente do Uruguai por duas vezes (1903-1907 e 1911-1915), as principais ideias dessa doutrina que influenciou fortemente o país. Muitos anos antes do aparecimento do welfare state nos países industrializados, Batlle lançou as bases do Estado de bem-estar social no Uruguai. Até hoje ele é chamado de Don Pepe pelos uruguaios. No século 19 as disputas entre Blancos e Colorados degeneravam normalmente em guerras civis, dividindo e enfraquecendo o país, e tornando-o presa fácil de interesses estrangeiros. Os confrontos de caudilhos locais refletiam a luta de poder entre o governo central e os departamentos. Após assumir a presidência e sufocar uma revolta dos líderes Blancos do Departamento de Rivera, Batlle deu início a um programa de reformas que viria conferir ao Uruguai o título de Suíça da América. Ao nível econômico, promoveu-se a nacionalização de setores estratégicos e atribuiu-se ao Estado o papel de indutor do crescimento. No plano social, aprovou-se um conjunto de leis sobre a proibição do trabalho de menores de 13 anos, a garantia de 40 dias de licença maternidade, o repouso semanal obrigatório e a jornada de oito horas. Promoveu-se a separação entre a Igreja e o Estado, o divórcio por iniciativa da mulher, o voto feminino (aprovado em 1932) e o ensino público. Com o passar do tempo, o Uruguai tornou-se o país mais laico da América Latina, com os menores índices de analfabetismo, as mais baixas taxas de natalidade e mortalidade e um dos mais altos níveis de esperança de vida. Após a morte de Batlle, em 1929, e a depressão dos anos 30, que atingiu drasticamente o país, os seus seguidores foram incapazes de recompor o arco de alianças políticas de sustentação do batllismo. Ainda assim, o legado de suas ideias representa até hoje a vitória do elemento intelectual e urbano, com forte identidade nas classes médias, sobre o Uruguai rural e conservador do final do século 19. Não poucos militantes da esquerda uruguaia reivindicam a sua herança. Mujica, porém, tem os olhos voltados para o futuro. Em livro de entrevista a Samuel Blixen, intitulado El sueño del Pepe, ele diz: "O conhecimento será a propriedade mais importante no mundo que se aproxima. A verdadeira libertação é a acumulação da inteligência nas entranhas da sociedade. Não há outro caminho que a capacitação. Não existe nada mais valioso que o cérebro de nossos filhos. Mas o acesso ao conhecimento deve ser democratizado, para todos, para que os pobres tenham também acesso ao conhecimento". É um sonho que se parece com um programa de governo, alicerçado em valores morais de um velho militante de esquerda que, ao final do livro, declara: "Eu não renuncio ao socialismo. Mas no sonho do socialismo, é preciso reinventar o capitalismo". Será que esse novo Pepe, a quem compete governar o Uruguai em um contexto histórico distinto, aportará o elemento popular de um renovado batllismo do século 21 ? (*) Renato Martins é doutor em ciência política pela Universidade de São Paulo (USP), assessor especial da Secretaria-Geral da Presidência da República
Postado: Carta Maior
José "Pepe" Mujica anunciou “uma reforma do Estado profunda, mas feita com diálogo, sem pisotear os trabalhadores e os sindicatos”. Além disso, comprometeu-se em manter o Plano Ceibal, de educação e inclusão digital, e o Plano de Emergência, para superar por completo a miséria, o que significa retirar do estado de desamparo profundo cerca de 80 mil pessoas e aumentar a renda de outras 350 mil. O novo presidente destacou ainda a necessidade de firmar o Uruguai como um país agrointeligente, e não apenas agroexportador. O artigo é de Clarissa Pont e as fotos são de Eduardo Seidl.
Clarissa Pont
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MONTEVIDÉU – A capital uruguaia amanheceu neste 1º de março com as calçadas tomadas por bandeiras da Frente Ampla. Famílias inteiras, munidas de mate e galletitas, esperavam desde cedo sob o monumento ao General José Artigas, na Praça Independência, para o momento da chegada de Pepe Mujica ao local. Após realizar o juramento à Constituição no Palácio Legislativo, bastante emocionado ao lado da companheira e presidente do Senado Lucía Topolanski, Pepe seguiu pela Avenida Libertador ao lado do vice-presidente eleito Danilo Astori em uma caminhonete chinesa convertida para rodar com eletricidade por trabalhadores uruguaios. As últimas quadras até o palco montado para recebê-los foram percorridas a pé. Ali, o novo presidente realizou um segundo discurso. "Queremos mudanças que possamos tocar com as mãos", resumiu Pepe, cercado de estadistas de países vizinhos. O novo presidente do Uruguai acordou cedo, leu os jornais, escutou rádio e afirmou que passou os últimos dias “tranqüilo e bebendo mate” em sua chácara no Rincón del Cerro. O ex-guerilheiro tupamaro de 74 anos deixou o local, cercado por jornalistas, para cumprir agenda de reuniões com o mandatário da Colômbia, Álvaro Uribe, e com a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton. Hillary elogiou o encontro. "Os uruguaios estão orgulhosos de seu novo presidente e da democracia", disse. "O Uruguai é um modelo para muitos outros países, não só no nosso hemisfério, mas em todo o mundo", acrescentou. De fato, os uruguaios dedicaram o dia para celebrar a vitória do segundo presidente de esquerda da história. As bandeiras da Frente Ampla fazem parte da paisagem do país, mas nada como o visto nesta semana que precedeu a cerimônia de posse. Bicicletas, outra marca registrada do país, circulavam pelo Centro em vermelho, azul e branco, assim como vendedores, pais e crianças. Raquel e Cláudia Moreno, respectivamente mãe e filha, formavam o grupo reunido desde cedo ao redor do palco montado na Praça Independência. Vieram da província de San Carlos para participar da posse porque “quem militou desde muito jovem na Frente Ampla merece o cargo presidencial. O Pepe pensará mais no povo, apesar de seguir as linhas centrais do governo de Tabaré Vazquéz”, afirmou a filha, educadora pré-escolar. Para a mãe, aposentada, o motivo mistura momento histórico e vida pessoal. “Somos Frente Ampla desde seu nascimento e, mesmo antes, já buscávamos a criação deste partido. Para mim, o mais importante é deixar de alentar tanto o fato do Pepe ter sido um tupamaro e enxergar as políticas sociais deste novo governo. Posso dizer que já chorei muito e vou chorar mais um tanto na posse porque estou revivendo a minha história com muita alegria”, compartilhou. A cerimônia de posse, realizada em duas etapas, demarcou facetas de Mujica. Primeiro, vestindo terno sem gravata, o novo presidente realizou um discurso protocolar no qual elencou os principais pontos do plano de governo da Frente Ampla para os próximos quatro anos. No Palácio Legislativo, o novo presidente pediu tolerância e colaboração à oposição e prometeu uma política econômica "ortodoxa" na mesma linha que a do governo anterior da Frente Ampla. O momento mais emocionante da cerimônia foi, sem dúvida, quando abraçou e beijou a companheira Lucía Topolanski e pediu licença aos presentes para chamá-la de “minha querida Lucía”, ao invés de “senhora presidente da Assembléia Nacional”. “Gracias a todos vocês que nos acompanham desde o campo, as cidades, do interior de duas casas. Falta-me conhecimento jurídico para saber quando deixo de ser presidente eleito para me tornar presidente de fato. Não sei se é agora ou se é daqui a pouco, quando recebo o cargo de meu antecessor. Da minha parte, desejo que a palavra ‘eleito’ não desapareça da minha vida, para que eu tenha a virtude de me recordar a cada minuto de que sou presidente a partir da vontade do povo. Fui eleito para que não me distraia”, disse Mujica ao príncipe Felipe de Espanha, aos presidentes Hugo Chávez (Venezuela), Cristina Kirchner (Argentina), Evo Morales (Bolívia), Fernando Lugo (Paraguai), Alvaro Colom (Guatemala) e Rafael Correa (Equador), obrigado a movimentar-se em cadeira de rodas depois de uma cirurgia no joelho provocada por uma “partida de futebol”, como afirmou aos jornalistas no local. O presidente Lula, que também participou da cerimônia, concordou com a cabeça e fechou os olhos ao escutar Mujica afirmar que “governar é mais difícil que pensávamos”. O novo presidente traçou no discurso o início de um túnel de três décadas na história do Uruguai. “Hoje é o dia um do governo, com céu aberto, amanhã começam os raios. Para mim, governar é começar a criar as condições políticas para governar. Parece até um trava-língua, mas repetirei sempre essa frase. Vamos governar para gerar transformações a longo prazo, criar condições de governar políticas de Estado para os próximos 30 anos. Não em um governo meu, nem necessariamente da Frente Ampla, mas de um sistema de partidos tão sério e potente que poderá gerar distintas presidências que passarão por este túnel com as linhas estratégicas do país intocadas”, conclamou. Em linhas gerais, Mujica anunciou “uma reforma do Estado profunda, mas feita com diálogo, sem pisotear os trabalhadores e os sindicatos”. O Uruguai soma mais de 230 mil servidores públicos. Além disso, comprometeu-se em manter o Plano Ceibal, de educação e inclusão digital, e o Plano de Emergência, para superar por completo a miséria, o que significa retirar do estado de desamparo profundo cerca de 80 mil pessoas e aumentar a renda de outras 350 mil. Mujica grifou a necessidade de firmar o Uruguai como um país agrointeligente, e não apenas agroexportador. A meta principal é agregar valor às práticas agropecuárias locais. Outros temas caros ao plano de governo da Frente Ampla são as energias renováveis e uma nova lei de telecomunicações, esta dentro do Plano Cardales, que engloba a mudança de tecnologia para a TV digital e a concessão de novas freqüências de rádio e TV. Após o ato no Palácio Legislativo, Mujica e o vice rumaram à Praça Independência num pequeno carro chinês adaptado a motor elétrico com mão de obra uruguaia. Percorreram as últimas quadras a pé, pela Avenida 18 de Julho, onde milhares de pessoas acompanhavam o trajeto aos gritos de “Uruguai, Uruguai”. No palco, o presidente realizou um segundo discurso, desta vez bastante popular. “Querido povo, é com vocês que está todo o compromisso. O bom da vida é saber que ninguém é mais que ninguém e que governar é constituir um time”, disse. Também reservou alguns minutos para saldar “alguém muito especial, um velho amigo de Artigas, criado na fronteira, órfão de guri, com mais de 40 anos de militância, sempre abaixo. Ele está aqui comigo hoje para recordar que estar acima é um compromisso com os que estão abaixo. Temos que lutar todos, por todos”, concluiu o novo presidente uruguaio. Ainda durante a noite, desde a Praça Independência até a Praça Cagancha, e por todas as ruas perpendiculares do centro de Montevidéu, a festa seguiu com shows musicais e milhares de pessoas que acompanharam a cerimônia em telões espalhados pela cidade.
Fotos: Eduardo Seidl
De tempos em tempos se discute a tortura no Brasil até que não se discute mais, o que nos leva a crer que ela é discutida não segundo o molde de uma sociedade que escuta, mas no molde de uma sociedade que precisa de pequenas catarses, para, daí, não escutar nada. Documentário "Que bom te ver viva", de Lúcia Murat, traz relatos de mulheres vítimas de tortura, servindo de grande documento de análise. Porque a tortura, historicamente defendida, atualiza uma estratégia de dominação sobre as mulheres e a expande para todos os cantos. O artigo é de Cesar Kiraly.
Cesar Kiraly
Por acidente comecei a assistir a um documentário no Canal Brasil sobre tortura, a coisa toda prendeu a minha atenção, porque acabara de escrever sobre tortura, aqui na Carta Maior, e porque estamos em tempo de discutir a tortura, novamente, até que algo se escute. De tempos em tempos se discute a tortura até que não se discute mais, o que nos leva a crer que ela é discutida não segundo o molde de uma sociedade que escuta, mas no molde de uma sociedade que precisa de pequenas catarses, para, daí, não escutar nada. As dores, como os prazeres, duram no tempo apenas quando instituídas, mas, se não, somem ou se desintegram. Pois bem, existe uma crueldade em deixar a tortura se instituir, para que não a cometamos mais, algo como um espinho que sabemos da existência, esse é o preço da moralidade, sabermos da existência do mal. Este documentário a que assisti foi dirigido por Lúcia Murat e consiste numa série de relatos de mulheres que foram torturadas, atravessados por um monólogo de Irene Ravache. Data-se com 1989. Trata-se da perspectiva feminina da tortura, ou seja, daquela das muitas violências sexuais, dos muitos partos em detenção, dos muitos partos depois de torturas e violências sexuais, de muitos abortos por tortura e violências sexuais. Por certo, o título torna a proposta muito explícita: “Que Bom te Ver Viva”. No que comecei a pensar sobre a tortura para o ensaio passado, escrevi sobre a relação de dependência entre formas de vida e modos de consecução da dor, para isso utilizei a expressão estética da tortura, e me vali, como roteiro, do bom filme “A História Oficial”. Algo como uma comparação entre estéticas da tortura parece ser relevante de ser aprofundada. No argumento da estética da tortura, e pensava nas especificidades da estética argentina, defendi que a tortura era possível enquanto acontecimento com choques, estupros e afogamentos, em virtude de um conjunto maior de imagens que sustenta e provoca a tortura. Essa hermenêutica da dependência entre imagens, contudo, pode ser explicada pelos interesses econômicos e políticos de regime. A classe média argentina, do período militar, quer a tortura, porque ela é necessária para o mundo da classe média argentina. A crítica a tortura costuma se dar na negação de apenas uma partícula de mundo, como se fosse possível suprimir o fenômeno sem suprimir o mundo. Deve-se suprimir mundo e fenômeno. Mas quis apontar a falácia do argumento da supressão de partículas de mundo, no que concerne à tortura, e para isso utilizei a elementaridade da estética. Tentei mostrar que a tortura é possível numa opção estética pelo mundo da tortura e toda a sua relação entre cores. No caso da classe média argentina a tortura é sustentada por paleta de cores sóbrias e ambientes de frivolidade para os sentidos. Este mundo argentino sóbrio, d’A História Oficial, confere às distinções uma forte clareza sobre o que é e o que não é a tortura: no mundo argentino os termos da imagem dialética possuem contornos bem definidos. A entrada no assunto é sempre complicada, mas o universo da tortura no Brasil não se dá pela sobriedade e pela sustentação de uma vida sóbria, porque a tortura no Brasil é sustentada por uma imagem de vida festiva. Pode ser apenas uma intuição tola, mas penso que a feminilidade possa ser a chave para se compreender a tortura latino-americana, e aí, combatê-la. Nesse sentido, este documentário de Murat pode servir de grande documento de análise. Porque é na feminilidade, dilacerando-a, que a tortura realiza os efeitos mais nefastos, porque a tortura, historicamente defendida, atualiza uma estratégia de dominação sobre as mulheres e a expande para todos os cantos. A tortura se firma como um constrangimento público para se falar dela, tornando, como instrumento de sua instituição, a vítima em seu próprio algoz. Publicamente o torturado é interpelado como aquele que esconde os motivos que o levaram a ser colocado naquela posição. Resta um contínuo: “o que será que ela fez para merecer?” Mais ou menos como a antiga indagação acerca da responsabilização da alma por alguém ter nascido mulher. Mas parece que a estrutura da tortura brasileira, e não podemos nos furtar de dizê-lo, está presente em quase todas as relações oficiais de dominação. A família, que é cada vez menos oficial, parece-me o menor dos problemas. Por isso, se existe alguma especificidade na formação do Brasil contemporâneo, algo que seja presente desde nossas raízes, trata-se dessa estrutura criada, e muitas outras, em dor e não exumada. A estrutura da tortura permanece viva em muitos âmbitos de nossas vidas – o culpado é quem se pronuncia –, enquanto compramos carros, reformamos a casa, nos vestimos com cores e vamos dormir de ar-condicionado no verão, usando cobertores. Esperar que os torturados morram para conceder voz parece ser muito pequeno. E parece ser levar muito a sério a representação política (deixar que alguém fale por outro). Na mesma medida, esperar que os dominados morram para apenas aí conferir voz pública, voz aos ausentes, parece ser muito pouco. Não parece ser pedir muito: vida política na qual se fale em nome próprio sem o forte controle da vergonha pela coragem alheia. Cesar Kiraly é doutor em Ciência Política pelo IUPERJ e coordenador do Laboratório de Estudos Hum(e)anos da mesma instituição. Autor dos livros O Guarda-Chuva de Regras e Os Limites da Representação. Escreve no blog: http://cesarkiraly.opsblog.org/
Fotos: Divulgação
Local:Câmara Municipal de Barueri
Alameda Wagih Salles Nemer, 200 – Centro Comercial – Barueri (ao lado do SENAI)
Dia: 12/03/2010 – Das 19:00 às 22:00hs
CONVIDADOS
Marta Suplicy (Ex. Ministra de Turismo) Maura Soares (Vereadora PT Jandira) Célia (Vereadora PT Pirapora), Maria Itamar (PT de Barueri) Dra. Maria Clara (OAB Barueri), Nilza Pereira de Almeida (Sindicato dos Químicos Unificados – Regional Osasco), Eliana (Sindicato dos Metalúrgicos) Adriana Biazoli e demais autoridades.
Guila Flint
Uma ONG israelense divulgou pela primeira vez os depoimentos de mulheres que serviram como soldados de Israel sobre a realidade nos territórios ocupados, denunciando uma “rotina de humilhação” a que são submetidos os palestinos nessas regiões.
A organização Breaking the Silence (“Quebrando o Silêncio”, em tradução livre), formada por reservistas israelenses, publicou os depoimentos escritos e gravados de 96 mulheres que serviram em batalhões de combate na Cisjordânia.
De acordo com elas, a prática de abusos e a humilhação de civis palestinos pelas tropas israelenses é “rotineira” e as soldados, querendo demonstrar que são tão capazes quanto os soldados homens, também participam de atos que são definidos pelo Exército como “inusitados”.
As ex-soldados descrevem cenas de espancamentos gratuitos de civis palestinos em pontos de checagem, de humilhação arbitrária e até de mortes de civis e falsificação dos fatos para encobrir atos ilegais das tropas.
Dana Golan, diretora da ONG, afirmou que “a sociedade israelense não quer pensar em nossas namoradas, filhas e irmãs participando ativamente na ocupação, exatamente como os soldados (homens)”. “Queremos acreditar que as soldados não são tão agressivas e não sujam as mãos, porém os depoimentos das mulheres provam que as soldados são tão corruptas quanto os homens e não poderia ser diferente”, acrescentou.
Depoimentos
A organização colheu mais de 700 depoimentos de militares israelenses, homens e mulheres, que serviram nos territórios ocupados desde o inicio da Intifada, em 2000. “Os depoimentos demonstram que as violações dos direitos humanos nos territórios não são resultado de um comportamento excepcional de poucos, mas decorrem do próprio domínio de uma população civil”, afirma a Breaking the Silence.
Segundo o relatório da ONG, os casos de violação dos direitos humanos de civis palestinos são muitas vezes resultado do “simples tédio” dos soldados que servem em centenas de pontos de checagem na Cisjordânia. Em um dos depoimentos, uma ex-soldado descreve uma cena, em um dos pontos de checagem, em que uma oficial ensinou civis palestinos a cantarem o hino do batalhão e em seguida, os civis, inclusive idosos e crianças, foram obrigados a cantar e dançar o hino militar.
“Uma sociedade que envia seu Exército para cumprir missões deve saber o que se passa em seu quintal e deve ouvir as vozes de suas filhas e filhos, mesmo se as historias não são agradáveis”, afirma a Breaking the Silence.
Treinamento especial
O Exército israelense descartou o relatório da ONG, afirmando que trata-se de “depoimentos anônimos”. Os autores, entretanto, afirmam que não revelaram a identidade das testemunhas para não prejudicá-las.
De acordo com um porta-voz militar, “os depoimentos não têm especificação de tempo ou local e é impossível examinar sua credibilidade”. “No Exército de Israel existem vários órgãos cuja função é investigar suspeitas de atos contrários às ordens e é obrigação de todo soldado ou oficial se dirigir a esses órgãos, caso sinta que alguma atividade foi cometida de maneira contrária às ordens”, disse o porta-voz.
“As tropas recebem um treinamento especial sobre o contato com a população palestina e as soldados recebem o mesmo treinamento que os soldados (homens)”, afirmou.
BBC Brasil
Henrique Cortez
Já discuti este tema antes, mas, diante do continuado crime de nosso envenenamento alimentar, acho necessário retomar a discussão e atualizar as informações e referências.
A agricultura "tradicional" se orgulha de produzir alimentos mais do que suficientes para alimentar o planeta e a indústria química se orgulha de ter desenvolvido os insumos utilizados para isto.
Devemos nos perguntar qual é o real custo social, ambiental e de saúde desta grande produção ‘aditivada’ com agroquímicos. Quem arca com as conseqüências e quem realmente paga por isto?
Não pretendo discutir o manejo do solo, a sua utilização intensiva e extensiva, a ponto de o solo precisar de permanente aplicação de fertilizantes ou de que a produção animal seja um exemplo do horror da exploração desumana.
Prefiro falar do nosso longo e lento envenenamento diário. Prefiro discutir a comida que nos mata.
Há algum tempo assisti a um telejornal no qual um produtor de morangos, do interior de São Paulo, declarou (devidamente protegido pelo anonimato) que não consumia o morango que produzia por causa dos agrotóxicos. Deste dia em diante passei a estar mais atento ao veneno na minha mesa.
A maior parte dos vegetais e frutas não recebe inseticidas sistêmicos (que são absorvidos e fixam-se na seiva). Eles são mais usados em grãos e sementes, além de algumas culturas perenes. De fato, a nossa feira cotidiana pode e deve ser ‘desintoxicada’ com uma cuidadosa lavagem, mesmo os fungicidas do tomate, morango, figo, uva etc.
Assim, em tese, ficamos com a responsabilidade de ‘descontaminar’ os alimentos vegetais, lavando-os de forma cuidadosa e disciplinada, algo que poucos têm tempo de fazer.
Qual o risco que corremos com aquele ‘pouquinho’ que ficou, que ‘escapou’ da lavagem? Ninguém sabe, e a agricultura comercial, a indústria agroquímica, pouco se importa com isto.
Para colocar o tema em discussão, nem será preciso nada mais do que fazer um rápido e pequeno balanço do que já publicamos.
A intensa utilização de agrotóxicos na nossa agricultura foi claramente demonstrada no Censo Agropecuário 2006, confirmando que quase 80% de proprietários rurais usam agrotóxico
Uma pesquisa da Fiocruz, em Pernambuco, identificou a presença de parasitos em 96,6% das amostras de alface coletadas em supermercados e feiras livres da cidade. E isto nas alfaces cultivadas pelo método tradicional, o orgânico e hidropônico
No Japão, em setembro/2009, o arroz importado da China contaminado com pesticida e fungo levou ministro da Agricultura a renunciar. Neste lamentável caso de ganância irresponsável (mais uma dentre tantas), o arroz foi importando para uso industrial, na produção de colas, mas funcionários da Mikasa Foods desviaram o lote para produção de comida, que contaminada por pesticida e fungo foi servida em escolas, restaurantes, hospitais, lojas e lanchonetes
O imenso volume de herbicidas aplicados no Brasil contamina os solos, os mananciais e até mesmo o aqüífero Guarani. A contaminação dos mananciais e aqüíferos também chegará até nós pela água que bebemos e pelos produtos agrícolas irrigados com a água contaminada
Um estudo do U.S. Geological Survey demonstrou que seis agrotóxicos persistentes foram encontrados nos poços em todo os EUA. Se esta tragédia tóxica acontece mesmo sob rígido controle, imaginem do lado de baixo do Equador
Um outro estudo nos EUA demonstrou a contaminação da água de poços domésticos, o que não deve ser muito diferente por aqui, principalmente nas zonas rurais, intensamente expostas pela aplicação dos agrotóxicos
Até mesmo os produtos orgânicos podem ser contaminados indiretamente, como é o caso dos antibióticos usados em animais e que são absorvidos pelas hortaliças cultivadas em solo adubado com resíduos animais. A agricultura orgânica é intensa utilizadora da adubação orgânica
O abusivo uso de antibióticos levou a Coréia do Sul a rejeitar frango contaminado com antibióticos procedente do Brasil. Se isto acontece com o frango de exportação, o que acontecerá com o frango consumido por aqui mesmo?
O tema da contaminação por antibióticos foi muito bem discutido no artigo "Antibióticos, o mal que entra pela boca do homem", de Ana Echevenguá
Nem mesmo o mel está protegido de contaminação, como demonstrou a revista alemã Öko-TEST, de 02/01/2009, que, a partir de testes em laboratório, identificou uma generalizada contaminação do mel por transgênicos e agrotóxicos
A contaminação das abelhas é um desastre global que ameaça a produção de alimentos. A segurança alimentar está ameaçada e a crise alimentar pode adquirir contornos ainda mais trágicos se a maciça morte de colônias inteiras de abelhas continuar no ritmo atual. Sem este pequeno inseto polinizador os efeitos na produção agrícola podem ser devastadores
Poucas pessoas sabem que as abelhas prestam serviços ambientais muito mais relevantes do que a mera produção de mel. As mais de 20 mil espécies de abelhas polinizam a floração de, pelo menos, 90 culturas, tais como maçãs, nozes, abacates, soja, aspargos, brócolos, aipo, abóbora e pepino, laranjas, limões, pêssegos, kiwi, cerejas, morangos, melões, milho etc.
Como já havia ocorrido com o tomate, a batata, o figo e o morango, também a uva recebe grandes doses de agrotóxicos. Uma pesquisa da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul sobre o efeito de agrotóxicos em vinicultores do Rio Grande do Sul revelou altos índices de intoxicação
Falando em uva, uma pesquisa comprovou que a exposição de ratas grávidas ao fungicida vinclozolin provocou inflamação na próstata dos filhos quando adultos. Este é um fungicida muito utilizado em uvas
Poucas pessoas percebem que estamos expostos a um coquetel de diversos agrotóxicos, que não são testados, em termos de segurança, para exposição associada
O tema do envenenamento cotidiano foi debatido com clareza e precisão nos artigos "Agrotóxicos: O holocausto está aqui, mas não o vêem", de Graciela Cristina Gómez, e "Agrotóxicos: poluição invisível", de Márcia Pimenta
Uma pesquisa norte-americana demonstrou que pesticidas comuns na agricultura comercial, que podem ‘atacar’ o sistema nervoso central dos salmões, tornam-se ainda mais mortais quando combinados com outros pesticidas
Cientistas do NOAA Fisheries Service e da Washington State University esperavam entrar efeitos perigosos nos pesticidas acumulados na água, mas ficaram surpresos com a sinergia mortal de algumas combinações de pesticidas, mesmo quando combinados em níveis considerados baixos.
Resultado comparável foi obtido com a exposição de anfíbios e pesquisadores; mesmo baixas concentrações de pesticidas podem ser tóxicas quando vários produtos são misturados
Se isto acontece com peixes e anfíbios, por que não com outros animais? Incluídos os humanos que são envenenados e com os desumanos que nos envenenam.
Também nos EUA, duas novas pesquisas, publicadas na edição online da revista Journal of Chromatography B, indicam que o leite nos EUA e Europa pode estar contaminado com estrogênios e com fármacos de uso veterinário
A lista de acusações contra os agrotóxicos é imensa. Sabemos, graças a pesquisas científicas, que o pesticida Dieldrin é associado ao câncer de mama e que pesticidas podem afetar a fertilidade feminina. Os pesticidas, também, são relacionados a tumores cerebrais em mulheres.
Pesquisa da Fiocruz identificou que a exposição a agrotóxicos causa declínio no nascimento de homens em cidades do Paraná
A intensa utilização de agrotóxicos no Brasil é ainda mais irresponsável do que nos EUA e na Europa. Em primeiro lugar porque o agricultor brasileiro usa mais agrotóxicos do que o necessário. Em segundo, porque, no Brasil, importamos agrotóxicos proibidos nos próprios países onde são produzidos
E, em terceiro, porque um levantamento do Ministério da Agricultura detectou que agricultores estão utilizando agrotóxicos irregulares em pelo menos 61 hortaliças e frutas produzidas no Brasil. Os agrotóxicos registrados para o tomate, por exemplo, estão sendo utilizados para combater ervas daninhas e pragas da berinjela. A maior parte destes alimentos faz parte da dieta alimentar diária dos brasileiros
Como se não bastasse a importação e utilização legal de agrotóxicos proibidos nos próprios países onde são produzidos, ainda são utilizados agrotóxicos ilegais, contrabandeados e sem qualquer controle de toxidade, como noticiamos na matéria "O veneno à nossa mesa: Polícia Federal realiza operação de repressão ao contrabando de agrotóxicos ilegais"
Para aumentar o caos venenoso, ainda há quem adultere a formulação de agrotóxicos autorizados, como ocorreu quando a fiscalização da Anvisa apreendeu 1 milhão de litros de agrotóxicos adulterados na Bayer
Mas este foi apenas mais um caso, porque, em agosto/2009, a Anvisa já havia apreendido 950 mil litros de agrotóxicos adulterados e interditado a linha de produção de cinco agrotóxicos da empresa Iharabras S.A Indústria Química, integrante de um conglomerado japonês.
Antes disso, operação simultânea da Anvisa e Polícia Federal apreendeu 2,5 milhões de litros de agrotóxico adulterado e interditou a linha de produção de cinco agrotóxicos da empresa Milenia Agrociencias S/A, filial do grupo israelense Makhteshim Agan.
Observem, nestes três casos mais recentes, que não estamos falando de laboratórios clandestinos ou ‘empresas de garagem’, mas de grandes multinacionais. Por aí imaginem o que se produz e se adultera em estabelecimentos clandestinos.
A Anvisa, em abril/2008, divulgou o resultado do monitoramento de agrotóxicos em alimentos. O tomate, o morango e a alface foram os alimentos que apresentaram os maiores números de amostras irregulares referentes aos resíduos de agrotóxicos, durante o ano de 2007. Os dois problemas detectados na análise das amostras foram teores de resíduos acima do permitido e o uso de agrotóxicos não autorizados para estas culturas. Já a batata e a maçã tiveram redução no número de amostras com resíduos de agrotóxicos
Fazendo um balanço deste criminoso e continuado envenenamento cotidiano, uma excelente reportagem de Nilza Bellini, na Revista Problemas Brasileiros, nº. 394, denunciou que o Brasil é campeão mundial de envenenamento e que os pesticidas intoxicam trabalhadores rurais e contaminam alimentos
Bem, a lista de ‘desastres’ seria infinita e esta, creio, já é suficiente para uma rápida reflexão.
Aqui volto à minha questão inicial: qual é o real custo social, ambiental e de saúde desta grande produção ‘aditivada’ com agroquímicos? Quem arca com as conseqüências e quem realmente paga por isto?
Pagamos nós, com nossa saúde e nossas vidas, mais este ‘subsídio’ aos que dizem alimentar o mundo.
Sinceramente, não me sinto grato pelo ‘imenso favor’ de nos alimentarem. Alimentam, é fato, mas colocam o veneno à nossa mesa.
Henrique Cortez é ambientalista e coordenador do Portal EcoDebate
Correio da Cidadania
Sem raça definida o cão vira-lata brasileiro é autônomo, simpático, inteligente e versátil – e teve papel fundamental na história da colonização do país.
Evaristo Eduardo de Miranda Foto de Rodrigo Baleia
O cachorro trouxe nova realidade para a vida nativa brasileira. Na Amazônia, os vira-latas vivem em cumplicidade com crianças caboclas. São úteis na caça e seus latidos denunciam a presença de estranhos.
Durante centenas de milhares de anos, o sono dos seres humanos foi leve e conturbado. Animais selvagens, predadores, grupos inimigos e ameaças de todo tipo impediam qualquer pessoa de dormir profundamente. Era preciso estar vigilante. Nossas noites começaram a ser tranquilas graças ao cachorro. A domesticação progressiva dos cães, com sua excepcional capacidade de detectar intrusos pelo ruído e pelo olfato, latindo e dando sinal nas proximidades do acampamento humano, foi uma enorme mudança na vida cotidiana. Comparável à descoberta do fogo. A habilidade de fazer fogo foi uma das maiores conquistas tecnológicas da humanidade. Permitiu o aquecimento, a iluminação; trouxe conforto e novas técnicas, como o cozimento dos alimentos, a cerâmica, a metalurgia e tantos outros avanços. A domesticação do cachorro foi, talvez, o segundo de nossos maiores êxitos. Hoje o cão é encontrado em todo o mundo como animal doméstico. Impossível, em nossos dias, uma sociedade humana sem fogo e sem cachorro. O cão é um mamífero carnívoro da família dos canídeos. Seu nome científico é Canis familiaris, e a espécie descende de populações selvagens do lobo eurasiático (Canis lupus). Todo o cão, independentemente de raça, é descendente longínquo dos lobos selvagens e primo da raposa. O menor dos cachorros, como esses que algumas senhoras levam dentro da bolsa, é descendente do lobo. Durante muito tempo acreditou-se que o homem domesticara o lobo, recuperando e criando seus filhotes. Hoje as pesquisas indicam quase o contrário. Foi o cachorro quem, de certa forma, domesticou os seres humanos, acompanhando-os de longe, persistindo, convencendo-os de sua utilidade e colocando-os a seu serviço. Um pouco como as hienas fazem com os leões e outros predadores, determinados tipos de lobo seguiam os deslocamentos humanos a distância. Sempre prontos a recuperar resíduos alimentares, como ossos, ligamentos e restos com um pouco de gordura e carne. Nômades, os caçadores-coletores primitivos eram comedores de carniça, assim como os lobos. Com o tempo, os seres humanos também seguiam e observavam os mesmos lobos para detectar uma presa ou carniça. Para esses animais, era um ótimo negócio compartilhar uma carniça ou caça com os seres humanos, que apresentavam armas, cada vez mais sofisticadas, para obtê-la e defendê-la de outros predadores. A competência em dar sinal em caso da chegada de intrusos permitiu e garantiu a permanência desses animais dos acampamentos humanos. Uma interdependência estava criada. Trouxemos os filhotes para dentro de nossas cavernas e cabanas. E imaginamos o simétrico: mitos e histórias em que lobos amamentam, por exemplo, os fundadores de Roma ou Mogli, o menino-lobo (sem falar no lobisomem). Com essa proximidade, começamos a compartilhar comida e doenças, ócio e trabalho, inimigos e ameaças. Os seres humanos puderam, enfim, dormir. Relaxar. Entrar num estágio de sono profundo, confiando sua noite e seus sonhos ao aguçado olfato e à audição superior dos companheiros cachorros. Faz pouco tempo: menos de 20 mil anos de bons sonhos contra centenas de milhares de anos de pesadelo. Cachorro de índio Ao contrário do que muitos imaginam, no século 16, não foram facões, machados ou anzóis as tecnologias europeias mais desejadas e adotadas pelos indígenas brasileiros – mas o cachorro. A razão inicial da ampla difusão e do sucesso dessa tecnologia europeia com os índios do Brasil foi seu uso como defesa. Os cães foram mais úteis aos indígenas que o irreprodutível metal dos europeus. Na chegada dos portugueses ao litoral brasileiro, a expansão territorial dos tupis ainda não estava consolidada, apesar do desaparecimento dos sambaquieiros e outros povos. As guerras entre tribos e aldeias eram permanentes e marcadas pela exoantropofagia. Mulheres e crianças eram as maiores vítimas: fáceis de capturar, imobilizar e transportar, mais indefesas que os guerreiros. Buscar água ou brincar longe das aldeias era um risco enorme. A vida concreta das mulheres e crianças nativas, naquela época, era muito distante da mítica visão paradisíaca apresentada em alguns livros de história. A introdução do cachorro pelos portugueses, sobretudo pelas mãos dos jesuítas, inaugurou nova era de sono tranquilo para os índios brasileiros. Em caso de aproximação de guerreiros inimigos, de dia ou de noite, os cachorros davam sinal e até atacavam os potenciais agressores. O cachorro foi integrado nas tribos como o primeiro mamífero doméstico – e continua sendo o mais extraordinário deles, capaz de seguir os passos do indígena, obedecer a suas ordens e cumprir tarefas diversas. Essa intimidade é tamanha que ainda hoje é comum observar índias amamentarem cães em seus seios ou prepará-los assados como alimento. Como no caso dos primeiros grupos humanos, só tempos depois os índios descobriram a capacidade de caça dos cachorros. Foi uma revolução em suas vidas. A eficiência cinegética dos bichos, sozinhos ou em alcateia, como no caso dos lobos, introduziu mudanças nas técnicas de caça indígenas e até nos ritos relativos à captura da temida onça, por exemplo, antes normalmente atraída para armadilhas cavadas no solo, como indicam relatos dos jesuítas. A capacidade do cachorro de farejar, perseguir e acuar as onças no alto das árvores trouxe nova realidade às aldeias. Conforme o dito popular, nenhum índio se sentia mais num mato sem cachorro. E o sucesso reprodutivo dos cães garantiu rápida expansão de sua presença entre as tribos. Logo os caninos chegaram às aldeias mais remotas no interior, cujo contato com os brancos e suas tecnologias só ocorreria séculos mais tarde.
Símbolo e função Os cães são naturalmente prolíficos. Cada ninhada tem, em média, de seis a oito filhotes. São fáceis de reproduzir. Os cios são frequentes. As fêmeas aceitam muitos machos. Às vezes, uma ninhada tem filhos de vários pais. E o intervalo entre partos é pequeno, o que permite à fêmea parir duas vezes por ano. Qualquer criador sabe: o tempo de geração curto e os filhotes numerosos são os ingredientes básicos de uma seleção genética animal rápida e eficiente. Há séculos, os seres humanos selecionam e aperfeiçoam raças de cachorro capazes de cumprir os mais diversos papéis e funções sociais. As raças são também símbolos de status, beleza, segurança, riqueza, força. É curioso, mas um trabalho de seleção bastante parecido também foi feito pelos cachorros, sem que os seres humanos percebessem. Foi assim na Babilônia, nas cidades gregas e no Império Romano. Foi assim no Brasil, é claro. Nas ruas e nos subúrbios das metrópoles, nas fazendas e nos pequenos sítios, nas margens dos rios amazônicos ou no meio da caatinga, nas favelas e nos lixões. No caso dos vira-latas, as condições ambientais e as leis de Darwin selecionaram o melhor sucesso reprodutivo e adaptativo. O vira-lata brasileiro é um cão autônomo, de grande inteligência e com enorme capacidade de conformação. Seus formato e tamanho são médios. Sua pelagem é curta e de cores ajustadas às condições ambientais, variando do negro ao bege-claro. Correm, nadam, sabem dissimular e têm todos os sentidos aguçados e bastante equilibrados. Muitas pessoas certamente ficariam na dúvida em identificar o nome de certa raça de cachorro com pedigree, mas poucos hesitariam em reconhecer um vira-lata, um rasga-saco, um pé-duro ou um, na linguagem formal dos veterinários, SRD (ou sem raça definida). O SRD tolera e resiste a doenças e enfrenta sozinho condições ambientais adversas nas quais outros cães não teriam nenhuma chance de sobrevivência, seja no meio do mato, seja na área rural ou mesmo nos grandes centros urbanos. Oposto aos cachorros de raça, especialistas por natureza, o vira-lata é antes de tudo um generalista. Seu talento, seu conhecimento e seu interesse se estendem a vários "campos", não se confinando em nenhum setor, como seus parentes com pedigree. Ele está geneticamente equipado para lidar com diversas situações, impostas pela natureza ou pelos seres humanos. Uma coleção de acasos e oportunidades deu origem e moldou o vira-lata brasileiro. Ele segue evoluindo enquanto, no caso dos cães de raça, o esforço dos seres humanos é garantir a não evolução, a manutenção das características da raça e sua imutabilidade. Nesse processo, o animal vira-lata foi bem mais proativo que o ser humano. Na história de introdução e multiplicação de cachorros Brasil afora, o cão foi mais sujeito que objeto. Ele sentia o cio das fêmeas. Ele fugia para encontrá-las, viver suas aventuras. Pouco exigente em termos de alimento e abrigo, ele fez sua vida nas fazendas, nas cidades, nos vilarejos, acompanhando boiadas ou bandeiras, sítios e residências, saltando de canoa em canoa, de vagão em vagão, de circo em circo, seguindo andarilhos e romeiros ou caminhando solitário pelas trilhas e estradas, empreendendo viagens aventureiras e amorosas pelas terras brasileiras. Olhos nos olhos É necessário enorme treinamento para um chimpanzé aprender o significado de uma ordem ou de dois gestos humanos. Mas um cachorro é capaz de entender mais de 100 palavras e identificar pelo nome até 200 objetos. No Pantanal, nos sertões e nas montanhas de Minas Gerais, os cães pastores atendem a apitos, assobios, gritos, palavras e gestos, mesmo a grandes distâncias, realizando com precisão suas tarefas entre os rebanhos de bovinos, ovinos e caprinos. Da mesma forma, na zona rural, os vira-latas aprendem e colaboram nas diversas técnicas de caça empregadas no caso de onças, tatus, pacas, perdizes, jacus ou no que seja. A razão é simples: há milhares de anos o cachorro tem sido selecionado para nos entender, nos ajudar, cumprir nossas ordens e atender a nossos desejos. Desde sua domesticação, o cachorro tornou-se uma criatura poliglota, uma das poucas capazes de comunicação interespecífica. Esse animal bilíngue é capaz de comunicar-se com sua espécie e com os seres humanos como nenhum outro. Os cães estão sempre atentos, captam e interpretam a voz das pessoas, seus gestos, a expressão de seu rosto e, sobretudo, seus olhos. É obrigação deles insinuar-se no meio dos seres humanos, acompanhando sua evolução, conquistando os mais diversos grupos e lugares sociais. O primeiro terráqueo a viajar até o espaço sideral foi um cão: a cadela russa Laika. Algumas raças de cachorro praticamente não latem, outras não uivam e outras são muito barulhentas. Os vira-latas, dada a multiplicidade de situações que enfrentam para sobreviver em meio a outros animais e seres humanos, em áreas rurais e urbanas, não perderam nem uma só nota musical de suas competências sonoras. Cachorros são capazes de rosnar, acuar, barroar, cainhar, esganiçar, ganir, ladrar, latir, uivar e ulular. Não temos tantos verbos para descrever os sons de outra espécie animal. E, no universo sonoro, os cães ainda são aptos a muito mais. Nós é que, simplesmente, não os escutamos. Suas orelhas, estimuladas por 25 músculos, giram, sobem, descem, movem-se de forma dissociada ou coordenada e detectam com precisão a origem dos sons. Para defender um estábulo ou caçar uma presa, por exemplo, esse recurso é fundamental. Cães são bem mais eficientes que gatos ao caçar ratos, apesar do inabalável marketing dos felinos. Eles percebem os ruídos sutis das mandíbulas dos roedores e sabem onde estão. Seu aparelho auditivo pode captar frequências duas a três vezes maiores do que somos capazes. Em termos de comparação, para alcançar a gama auditiva dos cães, teríamos de agregar 48 teclas à direita de um piano. Por isso, eles sabem, de longe, pelo som, se um animal escapou do curral, se um estranho parou do lado de fora do muro ou se o veículo de sua dona se aproxima a cinco quadras dali. E, diante disso, tomam todas as providências pertinentes.
Faro fino Cães de raça são procurados em canis especializados, comprados por altos valores e vêm com atestados de pedigree. No caso dos vira-latas, ocorre exatamente o contrário: são eles que buscam os seres humanos. Eles são capazes de insinuar-se e ser úteis nos mais diferentes ambientes ecológicos, sistemas de produção ou condições sociais do Brasil. Se os atestados de pedigree documentam toda a linhagem genealógica de um animal de raça, quase nunca se tem ideia de quem foram os pais de um vira-lata. Mesmo assim, um cão de pedigree com chip de identificação e toda a sua genealogia mapeada tem pouca chance de sobreviver se for abandonado, por exemplo, no meio da avenida Paulista, em São Paulo. Já os vira-latas urbanos aprenderam a atravessar a rua. Aguardam os veículos passarem. Respeitam os sinais. E, em muitos casos, usam "homens-guias": nos cruzamentos mais difíceis, eles observam e seguem as pessoas. Da mesma forma que os deficientes visuais se utilizam dos cães-guias, os vira-latas, nessas e em várias outras situações, se servem dos seres humanos. Tudo isso sem que seja preciso treiná-los. Os vira-latas demonstram tão rapidamente sua capacidade de apreender e expandir a mente por razões genéticas. Mas também porque, desde os primeiros dias de seu nascimento, estão expostos a grande variedade de experiências sensoriais, sobretudo nas patas. Seguem a mãe no capim, na areia, no cimento, na terra. O agitar da cauda expressa a vida emocional dos cachorros, do mesmo modo que nossas expressões faciais. A cauda é, de certa forma, o rosto do cão. Estudos comprovam que o rabo balança, de forma assimétrica, de um lado para o outro. O cachorro agita sua cauda mais para a direita na presença ou proximidade de seu dono e em situações de conforto. Ele a balança mais para a esquerda quando está com medo, cauteloso ou apreensivo. Como diz a lenda, existem vira-latas tão inteligentes que são capazes de jogar pôquer. Mas nunca ganham porque quando têm um bom jogo… sempre balançam o rabo. A maior genialidade sensorial do vira-lata é seu olfato. Além de uma sensibilidade bem superior à nossa, o que assombra é sua capacidade seletiva. Onde sentimos cheiro de feijoada, o cachorro identifica o odor da linguiça, do feijão, do louro, da cebola e de todos os ingredientes, um por um. O olfato seletivo dos vira-latas permite que sigam uma pista, uma presa ou uma fêmea por longas distâncias. Eles identificam no meio de um saco de lixo a presença de algum item comestível – ou seja, qualquer produto orgânico em qualquer estado de decomposição. Vira-latas não ruminam. Engolem quase sem mastigar. Seu suco gástrico poderoso transforma todas as matérias e bactérias em nutrientes saudáveis. Com esse conjunto de excelências, é normal que, como superlativo de beleza, utilizemos, em português, a expressão: "Bonito pra cachorro!" Da mesma forma, um prato delicioso é "Bom pra cachorro!" Para elogiar a excepcional competência ou o bom desempenho de alguém, dizemos "O cara é o cão!" E a fidelidade a toda prova é descrita como "lealdade canina". Atores históricos Os vira-latas desembarcaram com os portugueses, participaram das entradas e bandeiras, testemunharam o grito do Ipiranga às margens plácidas, a proclamação da República e estiveram presentes nas diversas expedições do marechal Rondon e dos irmãos Villas Bôas. Há uns 15 anos, ouvi, emocionado, em uma roda de jornalistas, uma lição de patriotismo relatada pelo grande indigenista Orlando Villas Bôas como quem conta um causo. E vou narrá-la, do jeito que eu me alembro. Orlando estava numa de suas heroicas expedições pelo Brasil desconhecido, sem contato com a civilização há muito tempo. Um dia, consultando seu diário, realizou que era 7 de setembro. Não teve dúvida. Mandou improvisar um mastro com um tronco de paxiúba. Reuniu todos os seus homens e, em ordem-unida, hastearam a bandeira brasileira e cantaram o Hino Nacional lá no coração da selva. Uma manifestação cívica, sem nenhuma outra testemunha senão a natureza naquele fim de mundo. A emoção foi geral. Terminada a comemoração patriótica, o chefe de seus mateiros, um rude e experimentado sertanejo, aproximou-se. Com jeitinho, quase confidente, puxou o sertanista de lado e comentou: "Bonita cerimônia, hein, doutor Orlando?" "Pois é", respondeu o sertanista. "Que mal lhe pergunte…", prosseguiu o sertanejo, curioso. "Qual foi mesmo a razão dessa homenage toda?" "Ora! A independência!", respondeu Orlando. "Ah! Ela merece, merece mesmo." "Como assim?" "A Pendência!" "Pendência?!", questionou o sertanista, intrigado. Foi quando ouviu do mateiro: "É, ela memo. Cachorra boa pra paca como a Pendência nunca mais nóis tivemo, depois que aquela onça matô a coitada. E eu que já quase nem me alembrava do dia dessa tragédia…"
National Geographic
Jornal da UNICAMP
Tese defendida no IEL mostra como setores da mídia tratam o Nordeste de forma pejorativa
ISABEL GARDENAL
Não foi somente o fato de ser um nordestino de Fortaleza e ter orgulho de sua terra que motivou o linguista Daniel do Nascimento e Silva a refutar em sua tese de doutorado a imagem do Nordeste retratada pejorativamente por segmentos da mídia impressa no Brasil. Sua pesquisa, apresentada no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp, teve como uma das principais conclusões a de que o Nordeste é apresentado na mídia como um território do passado, violento e da fome, no limiar entre a vida e a morte. E foi justamente este limiar que mais chamou a atenção de Silva, justamente porque, segundo o linguista, os nordestinos, estando nesta zona limítrofe, apresentam-se como possibilidade de crítica aos princípios desiguais da modernidade, pautada numa ideia de vida que triunfa sobre a morte.
A tese, orientada pelo professor do IEL Kanavillil Rajagopalan, alinhava o tema tomando como amostras dois jornais de São Paulo e um do Rio de Janeiro, além de uma revista de circulação nacional. Por vezes, o autor se amparou em outras mídias, como o Portal Centro de Mídia Independente, para obter dados subsidiários. Silva fez uma pesquisa documental. Trabalhou ainda com um corpus paralelo: o corpus literário, que se justifica, conforme o autor, para tentar compreender as condições históricas da inteligibilidade do Nordeste, uma memória que deve ser recuperada. Empregou ainda algumas renomadas obras literárias de autores que mostram o surgimento da figura do nordestino. São elas, dentre outras, Vidas Secas, de Graciliano Ramos, e A Fome, de Rodolfo Teófilo, as quais ajudaram a dar sustentação a um capítulo especial sobre a história do Nordeste.
O linguista também recorreu a autores internacionais como Judith Butler, filósofa pós-estruturalista e crítica feminista da Universidade da Califórnia, em Berkeley, para quem a linguagem fere e pode machucar tanto quanto a agressão física, seja por meio de ofensa, de chistes ou da desvalorização. Para a filósofa, nenhum termo pode ferir sem uma dissimulada historicidade da força. “Se o termo fere, é porque no fundo carrega consigo uma história que foi sutilmente apagada para poder machucar. É o caso das palavras que evocam o racismo, baseadas na história da escravidão”. Violência Um dos termos que mais se sobressaiu na tese de Silva foi a “violência”, dele resultando as intenções de setores da mídia de tratar os nordestinos como cidadãos de segunda classe, como pessoas inferiores, preguiçosas e mortas de fome, que vêm para o Sudeste a fim de sobreviver ou para se dar bem na vida.
O linguista explica que a violência linguística funciona de modo semelhante ao da linguagem. Como seres constituídos por uma língua articulada, ao não fazer uso da linguagem, deixaríamos de ser humanos, questão fundamental encontrada na Linguística. Mas o que não se sabe é que esta constituição não se dá de uma maneira tranquila. Para Judith Butler, engastada em Jacques Lacan, o nome é uma forma de interpelação: ele é dado às pessoas quando nascem e é uma marca que se carrega para o resto da vida, seja positiva ou negativamente. “Por mais que se escolha um apelido, o nome continuará existindo”, conta. Judith Butler vai mais fundo e radicaliza Lacan sustentando que o nome não é apenas a primeira forma de interpelação, senão também a primeira forma de violência linguística que se aprende.
Outro objetivo da tese foi elucidar como a descrição sobre o Nordeste e o nordestino relacionava-se com a construção da modernidade e dos modernos no Brasil, já que a região, desde a sua invenção discursiva, no fim da década de 1910, comparece nos meios de comunicação como o território do passado. “A descrição está relacionada com a própria constituição de uma hegemonia, que é linguisticamente visível”, avalia o pesquisador. Um outro objetivo consistiu ainda em tentar perceber a subjetividade nordestina e como esta, em última instância, pode ser vista como uma forma de crítica a este modelo moderno e liberal do sujeito que a mídia apregoou.
Ao tentar entender por que o Nordeste comparece na mídia como território do passado, da violência, da fome e da morte, o linguista percebeu algo curioso. Os mesmos termos que compareciam na arte como forma de crítica, são usados na mídia para ferir. Na pintura de João Cândido Portinari, por exemplo, boa parte da sua obra era dedicada às causas sociais e muitos dos seus quadros tinham como inspiração o Nordeste. Num dos mais expressivos, Retirantes, os nordestinos são mostrados como verdadeiros mortos-vivos ou fantasmas fugindo da seca. No entanto, na mídia, essa imagem assume outro valor. Numa das publicações estudadas, do ano de 1969, a reportagem tematiza “milhões de nordestinos praticamente mortos”. Já na década de 80, famílias nordestinas são retratadas nos termos de uma morte que está sempre à espreita.
A forma como a pintura e a literatura tratam desta indistinção entre vida e morte – a sobrevida – é muito diferente da mídia. Na literatura, observa o pesquisador, existe um tratamento especial da palavra. Graciliano Ramos, que fala da morte em Vidas Secas, no fundo faz uma crítica social. “Ali o nordestino que sofre e está à beira da morte é tomado como exemplo para questionar a própria subjetividade humana. Na realidade, todas as pessoas se deparam com situações assim, como a própria incerteza da continuidade da vida. Temos algumas garantias, mas não todas”, expõe o linguista.
Ainda em Vidas Secas, o narrador fica se perguntando se o personagem Fabiano algum dia se tornará homem ou se será sempre o mesmo, “um cabra governado pelos outros”. Na adaptação para o cinema, a personagem sinhá Vitória, sua mulher, questiona o marido se um dia eles terão uma cama de gente. Em todo o percurso, o marido pouco fala. “A intenção no texto é que o humano seja menos expressivo que um animal. Até a cachorra Baleia consegue ser mais comunicativa que ele”, alude. Por outro lado, “na mídia há uma recontextualização dessas imagens com a finalidade de ferir.”
Esse modo conflitante de ver o nordestino surpreendeu mesmo o linguista, visto que a mídia, a literatura e a pintura estavam tratando do mesmo assunto. Aparentemente, Gilmara Cerqueira, uma personagem nordestina entrevistada em 2006 por um dos veículos avaliados, em texto que apontava o perfil do eleitor do próximo presidente, que veio a ser Lula, era descrita de uma forma muito semelhante ao relato de Macabéa, de Clarice Lispector, em A Hora da Estrela, uma nordestina que migra para o Rio de Janeiro. “Macabéa não sabia se o céu era para cima ou para baixo”, contextualiza. Comparativamente a ela, no texto, Gilmara não sabia o que era o mensalão. “Pegando-se as situações literalmente, elas podiam ser até muito parecidas, porém os propósitos eram muito diferentes na mídia, pela forma dissimulada de uso de uma historicidade para ferir.” Contextualização Silva estudou o filósofo Jacques Derrida. O teórico afirma que, quando uma palavra é tirada de um lugar e levada para outro, a sua estrutura rompe com o contexto original. A isso ele chama “iterabilidade”, que é uma condição de possibilidade da própria linguagem, submetendo a palavra à lógica da repetição e da alteridade. “Você recontextualiza, mas rompe com o original. Assim, a mídia usa os termos da inteligibilidade do Nordeste e rompe com seus propósitos originais, com a finalidade de excluir”, explica.
Vítima desse comportamento, o pesquisador ouviu muito as pessoas dizerem na cidade de São Paulo que os nordestinos deveriam agradecer por virem trabalhar nas portarias de prédios e por não estarem no Nordeste morrendo de fome. Quando queriam se identificar com o linguista diziam então que ele não parecia nordestino. “Dizer que todo nordestino é igual é um dos princípios da discriminação e é simplista demais”, realça.
Indagado se ele foge ao estereótipo difundido pela mídia, Silva diz que em parte não. Veio de uma classe social baixa de Fortaleza, o pai ficou desempregado por muito tempo e foi criado pela família paterna. A avó trabalhava como autônoma e o avô como carpinteiro. “Se eu tivesse dez anos neste contexto das políticas sociais, eu me enquadraria naquela classe social que teria hoje direito a uma bolsa-família”, conta. “Sou um exemplo vivo de que as pessoas podem alcançar seus objetivos, não apenas sonhar. Além de ter estudado em escola pública na infância, também ingressei em Universidade pública.” Teve algumas oportunidades, e com o apoio que recebeu as empregou positivamente. Preconceito Em uma das suas análises, Silva notou mudança de enfoque entre a revista e os jornais escolhidos. Um dos jornais de São Paulo era muito explícito em questões de preconceito. Outro, mais sutil, não deixou de dar mostras disso. Ao abordar a distribuição dos eleitores para os candidatos Alckmin e Lula, nas últimas eleições, o jornal designou o grupo de eleitores de Alckmin de “espectro”. Já os eleitores de Lula foram chamados de “mancha”. Estas metáforas foram amplamente empregadas no texto. O “espectro” era utilizado como sinônimo de luz e, “mancha”, como algo indesejado.
Todos os veículos de comunicação avaliados, diz o linguista, reforçaram o perfil do nordestino como pobre, morto de fome, atrasado, inculto e ingênuo. “Temos que pensar que modernidade não prescinde da ideia de futuro. Ela carrega em si o princípio do progresso.” Uma das manchetes da revista referiu-se ao Nordeste como a terra do passado que luta contra o futuro. “Isso é algo forte demais”, contesta o autor da tese.
Ele defende que a questão nordestina deveria ganhar um novo enfoque, isso porque o sujeito nordestino, por sua sobrevida (nem vida nem morte), pode ser visto como forma de crítica às identidades e subjetividades da mídia hegemônica, “que são vivas, abraçadas pelo futuro, pelo progresso e pelo prazer”. Outra forma de dizer o sujeito, em seu modo de ver, seria pensá-lo sobre uma base não-vitalista. “Eu tentaria mostrar que as pessoas hoje em dia, por exemplo, sobrevivem diante do medo da violência, e essa sobrevivência indica que vida e futuro não são uma garantia, mas uma conquista.”
Em último caso, salienta ele, poderia ser feita uma descrição mais realista de como os nordestinos vivem atualmente. “Lá não se morre de fome desde a década de 80. E ainda hoje a ideia da fome está impressa nos jornais, muito viva e arraigada”, relata. Também opina que o preconceito contra a imagem do presidente Lula se constroi pela imagem negativa que se tem do Nordeste. É muito marcante para a mídia que, ao menosprezar a região, também se menospreze o seu representante.
Para Silva, o nordestino é um povo guerreiro, muito hospitaleiro, bem-humorado e trabalhador. “O Nordeste não parou no tempo, como muitos julgam”, destaca. E desafia: “cada um vê do modo que aprendeu a ver, mas procurem olhar o Nordeste de outra forma”.
Silva trabalhou em Berkeley por um ano, no Departamento de Antropologia, com auxílio de bolsa Capes. Lá fez um estágio-sanduíche e estudou mais especificamente com pesquisadores que trabalham com a temática da violência, o que ampliou sua perspectiva, tanto que as ferramentas de análise como elaborações teóricas e o refinamento da pragmática foram desenvolvidos no período em que esteve lá. A partir de alguns trabalhos no campo da Pragmática, como as obras do filósofo inglês John Austin, Silva demonstrou que nos seus escritos filosóficos a linguagem não é, contrariamente à tradição pregada, uma forma de descrever o mundo e sim uma forma de agir no mundo.

A maioria dos meios de comunicação bate o pé na gravidade das dificuldades que a Grécia atravessa (e também Espanha, Irlanda e Portugal) no contexto europeu. Eles apenas fazem eco da crise muito mais severa, devastadora e potencialmente letal que assola as economias pós-soviéticas vinculadas ao plano de integração na Zona do Euro. Não há dúvida de que esse silêncio se deve a que, aquilo por que esses países vem passando constitui uma prova sumária do horror destrutivo do neoliberalismo. A análise é de Michael Hudson e Jeffrey Sommers.
Michael Hudson e Jeffrey Sommers
A maioria dos meios de comunicação bate o pé na gravidade das dificuldades que a Grécia atravessa (e também Espanha, Irlanda e Portugal) no contexto europeu. Eles apenas fazem eco da crise muito mais severa, devastadora e potencialmente letal que assola as economias pós-soviéticas vinculadas ao plano de integração na Zona do Euro. Não há dúvida de que esse silêncio se deve a que, aquilo por que esses países vem passando constitui uma prova sumária do horror destrutivo do neoliberalismo. O mesmo horror da política européia, que consiste em tratar esses países de forma bem diferente da prometida, não os ajudando a se desenvolverem em termos europeus ocidentais, masa os tratando como áreas meramente prontas a serem colonizadas como mercados financeiros e de exportação, destituindo-lhes de suas mais-valias econômicas, de sua mão de obra qualificada – e praticamente de toda sua força laboral em idade de trabalhar -, de seus bens imóveis e de prédios, e de qualquer outra coisa herdada da era soviética. A Letônia vem passando por uma das piores crises econômicas ocorridas em todo o mundo. E não se trata somente de uma questão econômica, mas também demográfica. A diminuição brusca de seu Produto Interno Bruto (PIB), em 25,5% nos dois últimos anos (quase 20% só no último) já constitui a pior queda bianual de que se tem registro. as previsões mais otimistas do Fundo Monetário Internacional (FMI) antecipam uma queda adicional de 4%, a qual faria com que o afundamento da economia letã superasse em cifras as da Grande Depressão dos Estados Unidos. E as más notícias não acabam aí. O FMI prevê que, em 2009, houve um déficit total na conta de capital e financeira de 420 bilhões de euros, aos quais acrescentaram-se mais 150 bilhões (9% do PIB) em 2010. Além disso, o setor público letão acumula dívida rapidamente. A Letônia passou a ter uma dívida que, em 2007, representava 7,9% do PIB, com uma projeção para este ano de cerca de 74%. A previsão indica que, no melhor cenário possível, se estabilizaria em 89% em 2014. Isto poria o país muito longe dos requisitos impostos pelo Tratado de Maastricht sobre os limites da dívida pública para poder fazer parte da Zona do Euro. Por isso, conseguir entrar na Zona do Euro tem sido o principal pretexto utilizado pelo Banco Central da Letônia para justificar as dolorosas medidas de austeridade que permitam estabilizar o valor da moeda. Para manter o valor da moeda tem-se destinado quantidades imensas de reservas monetárias que poderiam ser investidas na economia do país. Mesmo assim, ninguém nos países ocidentais parece estar se perguntando o que pode ter provocado a quebra da Letônia, que se estende ao resto das economias bálticas e a outras áreas pós-soviéticas, cujo caso mais extremo é o letão. Agora que faz quase vinte anos de sua liberação da velha URSS, em 91, dificilmente pode-se encontrar a causa de seus problemas unicamente no sistema soviético. Nem sequer se pode culpar somente a corrupção, que sem dúvida constitui uma herança do período de dissolução da URSS, embora tenha engordado, intensificando e inclusive promovendo a modalidade cleptocrática de rapina que proporcionou abundância de lucros a banqueiros e investidores ocidentais. Foram os neoliberais ocidentais que financiaram essas economias, graças às “reformas favoráveis aos negócios”, que receberam o aplauso entusiasta do Banco Mundial, de Washington e de Bruxelas. É evidente que caberia desejar menos corrupção (mas, em quem mais os ocidentais confiariam?). Contudo, reduzir a corrupção drasticamente talvez fizesse com que o país não tivesse de ser jogado na mesma posição que a Estônia, rumo a um sistema de sujeição de escravidão por (euro)dívidas. Esta área báltica vizinha também tem sofrido um aumento descomunal do desemprego, uma forte redução do crescimento, uma séria deteriorização dos padrões de saúde e emigração, em contraste lancinante com o ocorrido na Escandinávia e na Finlândia. Joseph Stiglitz, James Tobin e outros economistas proeminentes ocidentais têm começado a dizer que há aspectos radicalmente negativos na ordem financeira importada pelos homens de negócios depois do colapso soviético. Certamente, o caminho empreendido pela Europa Ocidental depois da Segunda Guerra Mundial não foi o da economia neoliberal. Contudo, o novo experimento báltico tem o antecedente do ensaio geral imposto na boca do fuzil pelos Chicago Boys no Chile. Na Letônia os consultores procediam de Georgetown, mas a ideologia era a mesma: desmantelar o setor público e influir internamente nos processos de decisão política. Para a aplicação pós-soviética este experimento cruel, a idéa era a de que os bancos ocidentais, os investidores financeiros e, especialmente, os economistas do “livre mercado” (assim chamados porque o despreenderam da propriedade pública, dos encargos fiscais e deram um novo significado ao termo “free lunch”: “lucros sem contrapartidas”) tiveram carta branca na maior parte do bloco soviético, para redesenhar economias inteiras. Dado como a coisa terminou, parece que todos os desenhos foram iguais. Os nomes dos indivíduos eram distintos, mas a maioria estava vinculado a, ou financiados por Washington, Banco Mundial e União Européia. E, visto que os patrocinadores eram as instituições financeiras ocidentais, não deveríamos nos surpreender em demasia diante do fato de que imporiam um modelo redundante para seus interesses. Tratou-se de um plano que nenhum governo democrático ocidental jamais teria podido aprovar. Repartiram as empresas públicas entre indivíduos cuja missão era vendê-las rapidamente e investidores ocidentais e a oligarcas que transfeririam seu dinheiro de forma segura a paraísos fiscais ocidentais. Para encobrir esses procedimentos, criaram sistemas locais impositivos que permitiram aos grandes clientes tradicionais dos bancos ocidentais – os monopólios sobre bens imóveis e sobre as infraestruturas naturais – ficarem praticamente livres do pagamento de impostos. Isso permitiu que suas rendas e a fixação de preços monopólicos se tornassem “livres” e pudessem ser revertidas para bancos ocientais, em forma de pagamento de juros, em vez de estarem sujeitos a impostos internos destinados à reconstrução dessas economiais. Na União Soviética só havia bancos comerciais. Em vez de ajudar a esses países a criarem seus próprios bancos, a Europa ocidental fez com que seus bancos oferecessem créditos e carregaram essas economais com juros (sempre em euros e em outras moedas fortes, para garantia dos bancos). Isso consistiu numa violação do primeiro axioma das finanças: nunca emita dívida nominal em moeda forte quando seus juros venham a incidir sobre uma moeda mais débil. Porém, como no caso da Islândia, a Europa prometeu a esses países que os ajudaria a se integrarem no euro mediante a aplicação de políticas adequadas. As “reformas” consistiram em mostrar-lhes como trasladar os impostos sobre os negócios e os bens imóveis (os principais clientes dos bancos) ao trabalho, não só como imposto fixo sobre os juros, mas como imposto fixo sobre “serviços sociais”; de acordo com estes, a Previdência Social e os serviços de saúde não são providos a partir de fundos do públicos orçamentários, articulados basicamnete a partir de um sistema fiscal global progressivo; os trabalhadores que pagassem uma conta de usuário para tais serviços. À diferença dos países ocidentais, não existiam impostos relevantes sobre a propriedade. Isso obrigou aos governos a gravarem os trabalhadores e as empresas. À diferença dos países ocidentais, não havia impostos progressivos ou sobre a riqueza. Em média, a Letônia tinha o equivalente a um imposto fixo sobre a renda, de 59%. (Só em sonhos os líderes do Congresso dos EUA e seus lobistas conceberiam um imposto de renda tão punitivo, que liberaria de controle seus principais contribuintes nas campanhas eleitorais!). Com um imposto como esse, as economias européias não teriam o que temer das economias que emergiriam livres de impostos, pois, ao passarem por cima dos entraves sobre as propriedades, sobrecarregando tributariamente o trabalho, diminuíram os custos da moradia e da dívida. Estas economias foram envenenadas desde o começo da implantação dessa agenda. Isto é o que tanto “mercado livre” e “abertura aos negócios” fizeram-lhes, desde o ponto de vista da ortodoxia econômica atual. Quando os governos perderam a capacidade de taxar os bens imóveis e outras propriedades – inclusive para impor uma tributação progressiva sobre os negócios financeiros mais vultosos – se viram obrigados a fixar taxas impositivas ao trabalho e à produção industrial. Esta filosofia de deslocamento da carga fiscal aumentou de forma súbita o preço do trabalho e do capital, fazendo com que a indústria e a agricultura das economias neoliberalizadas fossem tão caras, como que para não poderem competir com a “velha Europa”. Deste modo, as economias pós-soviéticas se converteram em zonas de exportação para as indústrias e serviços bancários da velha Europa. A Europa ocidental se desenvolveu através da proteção de sua indústria e de seu trabalho, gravando as rendas da terra e outros lucros que não tinham contrapartida num necessário custo de produção. As economias pós-soviéticas “liberaram” este lucro para que acabassem na forma de pagamento aos bancos da Europa ocidental. Essas economias – que não suportavam dívidas em 1991 – começaram a se endividar em moeda forte estrangeira. Os créditos dos bancos ocidentais não foram utilizados para melhorar o investimento de capital, o investimento público e os níveis de vida. O grosso dos créditos foi concedido fundamentalmente com a garantia de ativos existentes, herdados do período soviético. Mesmo tendo havido um forte crescimento de novas construções de bens imóveis, a maior parte delas têm hoje um valor inferior ao inicial. E os bancos estão exigindo que a Letônia e os demais países bálticos paguem ainda mais, expremendo o lucro mediante subsequentes “reformas” neoliberais que ameaçam cobrar ainda mais do trabalho, enquanto suas economias se contraem e a pobreza aumenta. O padrão que consiste numa cleptocracia instalada nas altas esferas e numa força de trabalho endividada – com índices de sindicalização muito baixos ou nulos, e escassa proteção no lugar do trabalho – tem sido aplaudido como um modelo propiciador da criatividade econômica que deveria ser emulado em todo o mundo. Como as economias pós-soviéticas estavam claramente “subdesenvolvidas”, londe de poderem produzir bens com um alto valor agregado, elas eram geralmente incapazes de competir em igualdade de condições com seus vizinhos ocidentais. O resultado tem sido um experimento econômico sob todos os aspectos enlouquecido, uma distopia cujas vítimas agora são apontadas como culpados. A ideologia neoliberal da erosão sistemática e em grande escala –aparentemente a ponto de ser aplicada na Europa e na América do Norte mediante uma retórica igualmente otimista – produziu resultados economicamente tão devastadores que é equiparável ao que teria ocorrido se estes países tivessem sido militarmente invadidos. Então, chegou o momento de começarmos a nos preocupar seriamente se o que está se passando nos países bálticos pode ser tomado com um ensaio geral do que estamos a ponto de ver nos EUA. Hoje, nos países bálticos, a palabra “reforma” tem uma conotação negativa, como ocorre na Rússia. Significa o regresso da dependência feudal. Porém, enquanto os senhores feudais da Suécia e Alemanha exerciam poder sobre os servos com base no poder que a propriedade da terra lhes outorgava, hoje controlam os países bálticos mediante créditos hipotecários concedidos em moeda estrangeira, que estão avaliados com base nos bens imóveis de toda a região. A escravidão por dívida substituiu a servidão completa. A quantidade de hipotecas excede o valor de mercado dos bens, que se desvalorizou entre 50 a 70% no último (dependendo do tipo de imóvel), e também supera a capacidade de os proprietários dos imóveis honrarem seus compromissos. O volume da dívida nominal em moeda estrangeira também supera em muito o que esses países podem arrecadar mediante a exportação dos produtos de seu tabalho, indústria e agricultura, para a Europa (que deseja apenas realizar importações) e para outras regiões do mundo onde os governos democráticos estão comprometidos com a proteção de sua força laboral, em não vendê-la e submetê-la a programas de austeridade sem precedentes (tudo em nome dos “mercados livres”). Passaram-se duas décadas desde a introdução da ordem neoliberal, e os resultados não podem ser mais desastrosos, podendo-se considerar um crime contra a humanidade. Não houve crescimento econômico. Os ativos soviéticos estão gravados com dívida. Não foi assim que a Europa ocidental se desenvolveu depois da Segunda Guerra Mundial, e anteriormente, inclusive (ou a China mais recentemente). Estes países seguiram o esquema clássico de proteção da indústria doméstica, gasto em infraestrutura pública, impostos progressivos e proibições legais contra o tráfico de influências e o saque ao erário, tudo o que constitui anátema à ideologia do mercado livre. O que se evidenciou de forma escancarada foram os pressupostos subjacentes da ordem econômica mundial. No centro da crise atual da teoria econômica e da política econômica as premissas esquecidas e os conceitos da economia política clássica adquirem interesse. George Soros, Stiglitz e outros falam de uma economia global de cassino (na qual certamente Soros enriqueceu jogando), tendo a economia financeira se desgarrado do processo de criação de riqueza. O setor financeiro é cada vez mais preeminente, com uma capacidade crescente de retirar recursos da economia real de bens e serviços. Esta era a preocupação dos economistas clássicos quando se concentraram no problema dos rentistas, proprietários de bens com privilégios especiais e cujos lucros (que não tinham contrapartida de custo produtivo algum) constituíam, de fato, um imposto sobre a economia (neste caso sobrecarrengando-a de dívidas). Os economistas clássicos se deram conta da necessidade de subordinar as finanças às necessidades da economia real. Esta foi a filosofia que orientou a regulação bancária nos Estados Unidos na década de 1930, e foi a que se seguiu na Europa ocidental e no Japão, da década de 50 à de 70, para promover o investimento produtivo. Em vez de estabelecer controles rígidos sobre os poderes especulativos do setor financeiro, os EUA eliminaram essas regulações na década de 80. Enquanto em 1982 os lucros líquidos da banca eram de menos de 5% do total, em 2007 chegaram a insólitos 41%. Com efeito, essa atividade de soma zero constituiu-se num “imposto” indireto sobre a economia. Junto à reestruturação financeira, o outro aspecto importante do jogo de ferramentas clássico era a política fiscal. O objetivo era retribuir o trabalho e criar riqueza, e recolher os lucros resultantes (“free lunch”) das economias sociais “externas”, como base impositiva natural. Esta política fiscal tinha a virtude de reduzir os encargos sobre a receita (salários e aposentadorias). Entendia-se que a terra era um bem natural sem custo laboral de produção (e por isso sem valor de custo). Porém, em vez de convertê-la na base impositiva natural, os governos permitiram que os bancos a sobrecarreguem com dívidas, transformando o aumento do valor da renda da terra em juros a pagar. Na terminologia clássica, o resultado é um imposto financeiro sobre a sociedade (um lucro que se supunha que a sociedade recolhia como um imposto básico, para reverter em infraestrutura econômica e social, com o objetivo de enriquecer o conjunto dessa sociedade). A alternativa tem sido fixar impostos sobre a terra e sobre o capital produtivo. E, aquilo a que se renunciou em tributos, agora os bancos cobram em forma de preços mais altos da propriedade rural – um preço pelo qual os compradores pagam um tipo de juros hipotecário. A economia clássica poderia ter previsto os problemas da Letônia. Sem quaisquer freios sobre as finanças, sem regulação dos preços monopólicos, sem proteção industrial, com a privatização do espaço público para criar “economias com sistemas de pedágio” e com uma política fiscal que empobrece os trabalhadores e ao capital industrial, ao passo que recompensa os especuladores, a economia da Letônia viu apenas um tipo de crescimento econômico. O que se conseguiu – e que imediatamente foi aplaudido com entusiasmo pelos países ocidentais – foi uma atitude favorável para anotar dívidas enormes a subsidiar seu desastre econômico. A Letônia tem muito pouca indústria, uma agricultura muito pouco modernizada, mas pode ostentar mais de 9 bilhões de lati em dívida privada, uma dívida que hoje corre o risco de passar a figurar nos balanços de pagamento público da mesma maneira como ocorreu com o resgate dos bancos dos EUA. Caso esse crédito tivesse sido empregado com fins produtivos, para levantar a economia do país, poderia ser aceitável. Mas foi basicamente improdutivo, contribuiu para exacerbar a inflação de preços da terra e o consumo suntuoso, reduzindo a Letônia a um Estado próximo da escravidão por dívidas; algo que Sarah Palin chamaria de uma “hopey-change-thing” [pejorativamente, proposta irrealista carregada de boas intenções, a partir do slogan “hope and change” da campanha de Barack Obama], o Banco da Letônia sugere que o momento mais grave da crise já passou. Finalmente, as exportações começaram a aumentar, mas a economia ainda passa por uma situação desesperadora. Se a tendência atual persistir, não haverá novos letões para herdar recuperação econômica alguma. O desemprego se mantém acima de 22%. Dezenas de milhares de cidadãos estão abandonando o país, e outras dezenas de milhares decidiram não ter filhos. É uma resposta natural ao afundamento do país sob uma dívida pública e privada de bilhões de lati. A Letônia nao está no caminho certo para alcançar níveis de riqueza ocidentais e nao tem escapatória se continuar na sua atual política fiscal neoliberal regressiva, contrária aos trabalhadores, à indústria e à agricultura, que foi imposta de forma tão coercitiva desde Bruxelas, como condição para o resgate do Banco Central da Letônia, com o objetivo de que este possa pagar aos bancos suecos que concederam esse tipo de crédito improdutivo e parasitário. Albert Einstein disse que “[é] uma loucura fazer duas coisas de novo esperando resultados distintos”. A Letônia aplicou uma vez e repetiu durante quase 20 anos o mesmo Consenso de Washington “pro-ocidental”, com resulatdos cada vez piores, que no fim das contas tem sido catastróficos para o setor público, para os trabalhadores, a indústria e a agricultura. A tarefa fundamental neste momento consiste em liberar a economia letã de seu caminho neoliberal que marcha para uma neo-servidão. Poderíamos pensar que o caminho escolhido pela economia letã pode ser traçado pelos economistas clássicos do século XIX, que conduziu à prosperidade que podemos ver nos países ocidentais e também atualmente no leste asiático. Mas isso requereria uma mudança na filosofia econômica, que levaria a uma mudança profunda na articulação do setor público e do governo. A questão é como a Europa e os países ocidentais responderão. Admitirão seu erro ou não sentirão vergonha alguma? Os sinais atuais não são alentadores. Os ocidentais pensam que o trabalho não empobreceu o suficiente, a indústria não está suficientemente devastada e o paciente econômico ainda não sangrou suficientemente. Se esta é a mensagem que Washington e Bruxelas estão lançando aos países bálticos, imaginem o que estão a ponto de fazer às pessoas de seus próprios países” Michael Hudson trabalhou como economista em Wall Street e atualmente é Distinguished Professor en la University of Misoury, na cidade do Kansas, e presidente do Institute for the Study of Long-Term Economic Trends (ISLET). É autor de vários livros, entre eles, destacam-se:: Super Imperialism: The Economic Strategy of American Empire (nueva ed., Pluto Press, 2003) y Trade, Development and Foreign Debt: How Trade and Development Concentrate Economic Power in the Hands of Dominant Nations (ISLET, 2009). Jeffrey Sommers é co-diretor do Baltic Research Group en el ISLET e professor visitante na Stockholm School of Economics, em Riga. Tradução: Katarina Peixoto
Fonte: Agência Carta Maior – http://www.agenciacartamaior.com.br
Chávez aponta que as acusações fazem parte de um ataque internacional contra seu país, como parte de uma campanha orquestrada pelos EUA
da Redação Brasil de Fato O embaixador da Venezuela na Espanha, Isaías Rodríguez, negou nesta terça-feira (02) as acusações feitas pelo primeiro-ministro espanhol, José Luis Zapatero, contra o governo do presidente Hugo Chávez. Segundo Zapatero, investigações da Justiça da Espanha indicam que Chávez coopera com ações do grupo separatista basco ETA (Pátria Basca e Liberdade) e das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). “Negamos categoricamente a alegada cooperação da Venezuela em ações que têm relações com o terrorismo. Somos uma nação pacífica. Nós temos um processo absolutamente democrático, socialista e humanista. Estamos longe de qualquer ação que possa envolver atos terroristas”, afirmou Rodríguez. O embaixador reiterou que não há provas contra o governo venezuelano. Ele assinalou que as acusações estão baseadas em elementos muito frágeis, como o fato de haver informações corretas no computador que, supostamente, seria do integrante Farc, Raúl Reyes, morto em 2008 durante um bombardeio colombiano a um acampamento da organização no Equador. Para Rodríguez, é estranho que o computador, encontrado pelo Exército colombiano depois do ataque, tenha permanecido intacto durante uma ação onde morreram várias pessoas e foram destruídos a maioria dos objetos. “Não é de se admirar que [as informações] podem ter sido manipuladas e que, na melhor das hipóteses, se o computador foi mantido em bom estado, não correspondem ao que efetivamente existiu”, disse o diplomata. Em comunicado, o Ministério de Relações Exteriores da Venezuela considera "inaceitáveis e tendenciosas" a acusação e a cobrança de explicações da Espanha ao governo de Chávez. Zapatero pediu explicações oficiais ao governo da Venezuela, uma vez que as investigações que levantam as suspeitas foram realizadas pela Justiça da Espanha. Para o presidente Hugo Chávez, as acusações remetem aos tempos em que seu país era colônia da Espanha. "Esses são tristes restos de antigas cadeias que alguns querem voltar a colocar no pescoço, mas nós somos livres", enfatizou. Chávez ressaltou ainda que as acusações fazem parte de um ataque internacional contra seu país, como parte de uma campanha orquestrada pelos Estados Unidos. Apesar disso, o mandatário afirma que não há pressão internacional que incomode seu governo. “Respondemos com alegria, com fervor patriótico e de unidade. Eles [estadunidenses] não nos imporão regras. Nós representamos milhões”, afirmou o presidente. (Com informações de agências)
MINISTÉRIO DA SAÚDE
SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE
DEPARTAMENTO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA
ESTRATÉGIA DE VACINAÇÃO CONTRA O VÍRUS INFLUENZA PANDÊMICA (H1N1) 2009
INFORMAÇÕES BÁSICA – PERGUNTAS E RESPOSTAS
1) O que é influenza A (H1N1)?
É uma doença respiratória aguda , causada pelo vírus pandêmico (H1N1) 2009. Este novo subtipo do vírus da influenza, do mesmo modo que os demais, e é transmitido de pessoa a pessoa, principalmente por meio da tosse ou espirro e do contato com secreções respiratórias de pessoas infectadas.
2) O que significa H1N1?
As letras correspondem às duas proteínas da superficie do vírus: H: Hemaglobulina e N: Neuraminidase . O numero 1 corresponde a ordem em que cada uma das proteínas foi registrada, significando que ambas as proteínas tem semelhanças com os componentes do vírus que já circulou anteriormente, quando da pandemia de 1918-1919.
3) Qual a diferença entre a gripe comum e a influenza pandêmica (H1N1) 2009?
Elas são causadas por diferentes subtipos do vírus influenza. Os sintomas são muito parecidos e se confundem: febre repentina, tosse, dor de cabeça, dores musculares, dores nas articulações e coriza. Por isso, ao apresentar estes sintomas, seja pela gripe comum ou pela nova gripe, deve-se procurar seu médico ou um posto de saúde.
4) Esse vírus influenza pandêmico (H1N1) 2009 é mais violento e mata mais do que o vírus da gripe comum?
Até o momento, o comportamento da nova gripe se assemelha ao da gripe comum. Ou seja, o vírus pandêmico (H1N1) 2009 não se apresentou mais violento ou mortal, na população geral. A maioria absoluta das pessoas que adoece, seja pela gripe comum, seja pela gripe pandêmica, desenvolvem formas leves da doença e se recuperam, mesmo sem uso de medicamentos. Para ambas as gripes pessoas com doenças crônica, gestantes e crianças menores de dois anos são mais vulneráveis. Mas quando consideramos a população jovem previamente saudável, este vírus pandêmico tem um maior potencial de causar doença grave, quando comparado com o vírus da gripe comum. Por outro lado, o vírus pandêmico tem acometido menos as pessoas maiores de 60 anos. Mas ainda são necessários estudos mais aprofundados que estão sendo realizados, em todo o mundo, para esclarecer o comportamento do novo vírus.
5) Qual vacina será utilizada contra o vírus influenza pandêmica (H1N1) 2009?
O Ministério da Saúde adquiriu as doses de três laboratórios: Glaxo Smith Kline (GSK), SANOFI Pasteur (em parceria como Instituto Butantan) e Novartis. Esses laboratórios são fornecedores de vacinas para todos os países.
6) Se o processo de desenvolvimento de uma vacina costuma ser longo, como foi possível produzir a vacina pandêmica tão rapidamente?
Os laboratórios já tinham experiência com a produção da vacina contra os vírus de influenza sazonal (vacina administrada anualmente nos idosos no Brasil), e estes investiram em tecnologia num processo de preparação para a produção de uma vacina para a prevenção do vírus pandêmico (H1N1) 2009. O Brasil, por exemplo, fez investimentos na adequação do processo de produção pelo Instituto Butantan.
7) A vacina a ser utilizada no Brasil é segura?
A vacina a ser utilizada é segura e já está em uso em outros países. Não tem sido observada nesses paises uma relação entre o uso da vacina e a ocorrência de eventos adversos graves.
Ressalte-se, entretanto, que a garantia da vacinação segura está relacionada, também: (i) ao uso de seringas e agulhas apropriadas; (ii) à adoção de procedimentos seguros no manuseio, no preparo e na administração da vacina, conforme normas técnicas estabelecidas; (iii) à conservação da vacina na temperatura adequada, conforme preconizado; (iv) ao manejo e ao destino adequado dos resíduos da vacinação (seringas, agulhas etc.); e (v) à qualidade da capacitação do pessoal envolvido, bem como da supervisão ao trabalho de vacinação.
Além disso, considera-se como fundamental o monitoramento de eventos adversos associados temporalmente à vacinação, identificando-os, notificando-os, investigando-os e confirmando a sua real vinculação à vacina contra a influenza pandêmica.
A vacina a ser utilizada no Brasil é efetiva?
A vacina registra uma efetividade média maior que 95%. A resposta máxima de anticorpos se observa entre o 14º e o 21º dia após a vacinação.
9) Como a vacina é apresentada?
A vacina é acondicionada em frascos múltidoses, contendo 10 doses. Uma dose correspondendo a 0,5 ml.
a) A do Laboratório Sanofi Pasteur/Instituto Butantan é apresentada na forma de suspensão (líquido opalescente, transparente e incolor).
b) A do Laboratório GSK vem acondicionada em dois frascos (um com a suspensão (antígeno) e o outro com a emulsão (adjuvante) – líquido esbranquiçado homogêneo), sendo preparados momentos antes da administração.
c) A da Novartis é apresentada em frasco multidoses (10 ou 17 doses), na forma de suspensão.
10) O Brasil vai utilizar vacina inalável? Há diferenças entre a inalável e a injetável?
No momento não está previsto o uso de vacina inalável. A diferença entre uma e outra refere-se à forma de apresentação e de administração.
11) Então o Brasil vai utilizar somente vacina injetável?
Sim. A vacinação proposta utilizará a vacina injetável, administrada por via intramuscular, ou seja, com a introdução da solução dentro do tecido muscular.
12) Qual a quantidade de vacina adquirida pelo Ministério da Saúde?
O Ministério da Saúde adquiriu cerca de 113 milhões de doses, para administração da população em etapas distintas.
13) O que é adjuvante?
É uma substância (ou substâncias) imuno-estimulante que entra na composição de uma vacina.
14) Qual o custo da vacina?
O Ministério da Saúde está investindo recursos da ordem de R$ 1,3 bilhão para a compra das vacinas.
15) Qual o objetivo da vacinação a ser realizada no Brasil?
O objetivo dessa operação de vacinação é: i) proteger alguns grupos de maior risco de desenvolver doença grave ou evoluir para morte durante a segunda onda da pandemia influenza H1N1; ii) garantir o funcionamento dos serviços para atendimento ininterrupto dos casos suspeitos ou confirmados da Influenza H1N1, por meio da vacinação dos trabalhadores de saúde.
16) Quais são os grupos de maior risco?
Até o momento estão definidos como grupos de maior risco:
a) a população indígena aldeada;
b) as gestantes;
c) pessoas portadoras de doenças crônicas;
d) crianças maiores de seis meses até os dois anos de idade e
e) a população de 20 a 39 anos.
17) Quais as evidências que levaram o Ministério da Saúde a selecionar esses grupos como os prioritários para a vacinação? São efetivamente os mais acometidos ou de maior risco?
a) Os trabalhadores da saúde envolvidos na resposta à pandemia necessitam ser protegidos para garantir o funcionamento dos serviços de saúde, ou seja, não se pode correr o risco de um possível colapso de atividade essencial, como pronto atendimento, vigilância em saúde, laboratório etc., porque o profissional foi atingido pela pandemia.
b) Entre as mulheres em idade fértil que apresentaram síndrome respiratória aguda grave (SRAG) por influenza pandêmica, 22% eram gestantes.
c) Entre os casos de SRAG por influenza pandêmica (H1N1)2009, aproximadamente 35% apresentou alguma comorbidade. Dentre os que apresentaram uma ou mais comorbidades, o grupo de doenças respiratórias crônicas foi o mais frequente, com 24,4% dos registros, seguido de doenças cardiovasculares,e outras doenças crônicas.
d) Os indígenas são considerados grupo prioritário seja pela maior vulnerabilidade a infecções, seja pela maior dificuldade de acesso às unidades hospitalares, caso necessitem.
e) As crianças menores de dois anos apresentaram a maior taxa de incidência de SRAG por influenza pandêmica (H1N1) 2009.
f) os jovens entre 20 e 29 anos foram o grupo etário mais acometido, representando 24% do total de casos de SRAG por influenza pandêmica (H1N1) 2009.
g) os adultos entre 30 e 39 anos foram o grupo etário mais acometido em relação a mortalidade, representando 22% do total dos óbitos de SRAG por influenza pandêmica (H1N1) 2009.
18) Por que não haverá vacinação de toda população?
a) A vacinação em massa para a contenção da pandemia não é o foco da estratégia estabelecida para o enfrentamento da segunda onda pandêmica em todo o mundo. Por um motivo simples, esta contenção não é mais possível em todo o mundo.
b) São objetivos primordiais para esta vacinação proteger os trabalhadores de saúde, de modo a manter o funcionamento dos serviços de saúde envolvidos na resposta à pandemia, e para alguns grupos selecionados reduzir o risco associado à pandemia de influenza de desenvolver doença grave e morrer.
c) Na vigência da pandemia no Brasil e em outros países, esses grupos foram evidenciados como os de maior risco de apresentarem complicações graves e mortes por infecção pelo vírus Influenza A H1N1 (2009), como já evidenciado acima.
e) Além disso, não há disponibilidade do produto em escala mundial em quantidade suficiente para atender a toda a população do mundo. E há, também, a limitação da capacidade de produção por parte dos laboratórios produtores, para entrega em tempo oportuno, ou seja, antes do inicio da segunda onda nos países do hemisfério sul.
19) Por que então estão sendo incluídos no público alvo da estratégia grupos de população saudável?
É que o Brasil decidiu ir mais além do que o recomendado pela OMS que era vacinar apenas os quatro grupos que apresentaram maior risco (trabalhadores de saúde, gestantes, população indígena e pessoas com doenças crônicas preexistentes).
Fundamentado em critérios epidemiológicos, descritos acima ( pergunta 17) ampliou o público alvo, incluindo grupos de pessoas saudáveis.
Nas Américas, além do Brasil, apenas Estados Unidos e Canadá adotaram essa iniciativa, demonstrando assim, o esforço brasileiro em vacinar a maior quantidade de indivíduos com risco de desenvolver formas graves ou morrer por esta doença.
20) A vacinação acontecerá em que período? Onde?
A vacinação acontecerá no período de 8 de março a 21 de maio de 2010, perfazendo nove semanas de trabalho, e acontecerá ao mesmo tempo em todo território nacional.
21) Como será feita a vacinação?
Os grupos de maior risco, apontados na pergunta 6, serão vacinados em etapas. Serão quatro etapas envolvendo, em cada uma, um ou mais de um desses grupos, de acordo com o seguinte cronograma:
Etapas e grupos selecionados
Período de realização
1ª Etapa
8 a 19 de março
Trabalhador de saúde (1)
População indígena aldeada
2ª Etapa
22 de março a 2 de abril
Gestante em qualquer idade gestacional
Doentes crônicos
Crianças com idade entre seis meses a menor de dois anos
3ª Etapa
5 a 23 de abril
População de 20 a 29 anos
4ª Etapa
24 de abril a 7 de maio
População com mais de 60 anos com doenças crônicas
5ª Etapa
10 a 21 de maio
População de 30 a 39 anos
Fonte: CGPNI/DEVEP/SVS/MS
22) Por que vacinar os trabalhadores de saúde?
A vacinação dos trabalhadores de saúde tem como principal finalidade proteger esse grupo de modo a garantir o funcionamento dos serviços de saúde na eventualidade de uma segunda onda da pandemia, ou seja, com os profissionais protegidos não haverá risco de colapso no atendimento da população pela rede de serviços.
23) Quem são esses trabalhadores de saúde?
São aqueles que estão na rede de serviços prestando atendimento diretamente à população, ou seja, são aqueles que, em razão das suas funções, estão sob potencial risco de contrair a infecção pelo H1N1 no contato com possíveis suspeitos da doença.
Nesse sentido estão aí incluídos os trabalhadores da atenção básica (estratégia saúde da família e modelo tradicional), dos serviços de média e alta complexidade (pequeno, médio e grandeporte) e aqueles que atuam na vigilância epidemiológica, especialmente na investigação de casos e no laboratório, cuja ausência por ter contraído influenza poderia vir a comprometer o funcionamento do serviço e o atendimento à população.
24) Quando os trabalhadores de saúde serão vacinados?
A vacinação dos trabalhadores de saúde acontecerá nas duas primeiras semanas da operação, ou seja, no período de 8 a 19 de março.
25) Se a vacinação não vai cobrir 100% dos trabalhadores de saúde como será feita a seleção?
As equipes estaduais e municipais já realizaram o levantamento e a localização do grupo alvo da campanha e definiram a estratégia local para vacinar esse grupo.
É importante que todos os trabalhadores busquem informação nos seus serviços e na Secretaria Municipal ou na Secretaria Estadual de Saúde para tomar conhecimento sobre esses detalhes da vacinação.
26) Por que vacinar a população indígena aldeada?
A população indígena aldeada é sempre considerada como grupo prioritário na prevenção de qualquer doença respiratória. Os indígenas são considerados grupo prioritário seja pela maior vulnerabilidade a infecções, seja pela maior dificuldade de acesso às unidades hospitalares, caso necessitem
A vacinação iniciará no dia 8 de março e irá até 19 de março, dentro de uma programação que já é rotina no âmbito do Programa Nacional de Imunizações (PNI), em articulação com a Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) e com o apoio de outras instituições, a exemplo da chamada ‘Operação Gota’ efetivada por intermédio de cooperação com o Comando da Aeronáutica – Comando-Geral de Operações Aéreas (COMGAR) – como estratégia para alcançar grupos que residem em locais de difícil acesso geográfico.
A vacinação será indiscriminada para a toda população aldeada, a partir dos seis meses de idade. As doses administradas a partir de 15 de fevereiro de 2010 na população indígena serão consideradas como ‘doses de campanha’ para fins de registro no sistema de informação.
27) Por que vacinar a gestante se não há indicação da vacinação deste grupo com a vacina da gripe comum (sazonal)?
a) Não há nenhuma contraindicação à vacinação de gestantes com a vacina utilizada contra a influenza sazonal (gripe comum), mas ela não é feita nas campanhas anuais pelo fato de se priorizar um grupo de maior risco que é a população de 60 anos e mais – e grupos específicos que se vacinam nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).
b) As gestantes são consideradas como grupo de risco para a influenza pandêmica H1N1 (2009) Durante a pandemia dentre as mulheres em idade fértil que apresentaram a síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em decorrência da influenza A H1N1, 22% eram gestantes.
28) Não há, portanto, risco para a gestante e para o feto? Não há risco de aborto?
a) Não há risco em vacinar grávidas. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) e de acordo com os padrões de segurança declarados pelos laboratórios produtores, a vacina contra o vírus influenza A H1N1 é segura para a gestante.
b) Não há, de outro modo, evidências de que a vacina possa causar dano ao feto ou afetar a capacidade reprodutiva, ou, também, sobre a ocorrência de aborto provocado pela vacina nos países em que esta foi administrada para o enfrentamento da pandemia.
29) A vacinação da grávida é feita em qualquer idade da gestação?
Sim, como será utilizada a vacina que não contém o adjuvante, essa vacina é indicada para qualquer idade gestacional. A vacina que contém o adjuvante só poderia ser administrada a partir do 2º trimestre da gravidez.
O Ministério da Saúde optou, então, por vacinar a gestante somente com a vacina sem adjuvante por dois motivos: (1) para não atrapalhar a operacionalização da vacinação e (2) para evitar que qualquer intercorrência na gestação de mulher inadvertidamente vacinada antes do 2º trimestre da gravidez com a vacina que contém o adjuvante viesse a ser atribuída à vacina.
30) Por que as grávidas não podem tomar a vacina com adjuvante?
Por zelo, o Ministério da Saúde está orientando que a vacinação da gestante, a utilização de vacinas sem adjuvantes. Porém, a OMS/OPAS orienta a utilização de qualquer uma das vacinas: sem adjuvantes ou com adjuvantes; isso em função da experiência de outros países já estão vacinando desde novembro de 2009.
31) Quando será feita a vacinação da gestante?
A vacinação da gestante será realizada a partir do dia 22 de março e enquanto durar a vacinação (até 21 de maio), ou seja, serão sete semanas para mobilização da mulher grávida a buscar a sala de vacinação dos serviços de saúde. Depois desse período, as mulheres que engravidarem poderão se vacinar.
32) Por que vacinar portadores de doenças crônicas?
Na pandemia de 2009, dentre os casos de SRAG pelo vírus influenza H1N1 observou-se um alto percentual de pessoas com doenças crônicas. Os portadores de doenças respiratórias crônicas, por exemplo, foi o de maior freqüência com 24,4% dos registros, seguido das doenças cadiovasculares e outras doenças crônicas. Essas situações caracterizam pessoas que precisam de proteção por já se encontrarem em situação de vulnerabilidade, podendo apresentar quadros de maior gravidade e morte.
33) O que é comorbidade?
Comorbidade consiste na coexistência de doenças em uma mesma pessoa, ou seja, na existência concomitante de diferentes condições patológicas em um mesmo paciente. Em muitas situações a presença de determinadas patologias, especialmente crônicas, aumenta a probabilidade de desenvolvimento de doença grave ou morte, quando a pessoa é acometida por outra doença.
34) Que situações serão consideradas para caracterizar os portadores de doença crônica?
Até o momento estão incluídos nesse segmento:
· Pessoas com grande obesidade (Grau III), incluídas atualmente nos seguintes parâmetros:
- crianças com idade igual ou maior que 10 anos com índice de massa corporal (IMC) igual ou maior que 25;
- criança e adolescente com idade maior de 10 anos e menor de 18 anos com IMC igual ou maior que 35;
- adolescentes e adultos com idade igual ou maior que 18 anos, com IMC maior de 40;
· Indivíduos com doença respiratória crônica desde a infância (ex: fibrose cística, displasia broncopulmonar);
· Indivíduos asmáticos (portadores das formas graves, conforme definições do protocolo da Sociedade Brasileira de Pneumologia;
· Indivíduos com doença neuromuscular com comprometimento da função respiratória (ex: distrofia neuromuscular)
· Pessoas com imunodepressão por uso de medicação ou relacionada às doenças crônicas;
· Pessoas com diabetes;
· Pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e outras doenças respiratórias crônicas com insuficiência respiratória crônica (ex: fibrose pulmonar, sequelas de tuberculose, pneumoconioses);
· Pessoas com doença hepática: atresia biliar, cirrose, hepatite crônica com alteração da função hepática e/ou terapêutica antiviral;
· Pessoas com doença renal: insuficiência renal crônica, principalmente em doentes em diálise;
· Pessoas com doença hematológica: hemoglobinopatias;
· Pessoas com terapêutica contínua com salicilatos, especialmente indivíduos com idade igual ou menor que 18 anos (ex: doença reumática auto-imune, doença de Kawasaki);
· Pessoas portadoras da síndrome clínica de insuficiência cardíaca;
· Pessoas portadoras de cardiopatia estrutural com repercussão clínica e/ou hemodinâmica:
- Hipertensão arterial pulmonar;
- Valvulopatias;
· Pessoas com cardiopatia isquêmica com disfunção ventricular (fração de ejeção do ventrículo esquerdo [FEVE] menor do que 0.40);
· Pessoa com cardiopatia hipertensiva com disfunção ventricular [FEVE] menor do que 0.40;
· Pessoa com cardiopatias congênitas cianóticas;
· Pessoas com cardiopatias congênitas acianóticas, não corrigidas cirurgicamente ou por intervenção percutânea;
· Pessoas com miocardiopatias (Dilatada, Hipertrófica ou Restritiva);
· Pessoas com pericardiopatias.
·
35) Qual a base para definir essas situações como prioritárias para a vacinação?
A definição dos grupos prioritários, como já referido, tomou como base a situação epidemiológica e recomendações da OMS e da OPAS.
De modo mais específico, em relação à seleção dos estados crônicos, o Ministério da Saúde ouviu representações de sociedades científicas e profissionais, como o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médica Brasileira (AMB), a Associação Brasileira de Enfermagem (ABEN), a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, as sociedades brasileiras de Cardiologia, de Endocrinologia e Metabologia, de Imunizações, de Pediatria, de Pneumologia e Tisiologia, núcleos de educação e saúde coletiva, bem como as instituições que têm assento no Comitê Técnico Assessor do Programa Nacional de Imunizações (CTAI).
36) Os idosos (população com mais de 60 anos) portadores de agravos crônicos estão incluídos nesse grupo?
Os idosos (pessoas com mais de 60 anos) portadores de algum desses agravos não serão vacinados neste momento e sim no período de 24 de abril a 7 de maio, durante a campanha anual de vacinação do idoso contra a influenza sazonal .
37) A vacinação de pessoas com doenças crônicas não apresenta risco de reações?
A vacina é segura e a possibilidade de ocorrer um evento adverso após a administração da vacina em pessoas com doença crônica é a mesma de qualquer outra pessoa.
38) Como as pessoas vão comprovar a sua condição de portador de doença crônica, de modo a justificar a vacinação? Como essas pessoas serão vacinadas?
De modo geral, os portadores dessas patologias já frequentam unidades de saúde ou serviços de referência, sendo acompanhados por profissionais de saúde.
Na organização da operação de vacinação as equipes de coordenação municipal e estadual deverão identificar esses serviços e articular estratégias de convocação ou de visita aos serviços ou instituições de referência, onde será possível localizar e vacinar a população comprovadamente portadora de comorbidade.
A comprovação da vacina administrada deve ser feita no documento de registro utilizado para o registro de outras vacinações (caderneta ou cartão).
39) Se mais de 90% dos casos de gripe vêm sendo causados pelo vírus pandêmico, por que manter a vacinação da gripe comum para idosos?
A influenza é causada por diversos tipos de vírus e os que provocam a gripe sazonal não deixaram de circular e provocar a doença, ainda que em 2009 essa circulação tenha sido bastante reduzida. A circulação do vírus da Influenza Pandêmica em 2009 e 2010 continua sendo predominante.
Como não é possível prever como ocorrerá a gripe sazonal em meados de 2010 é necessário continuar protegendo este grupo que é o mais vulnerável para esse tipo de gripe.
A gripe sazonal continua sendo importante causa de internação e de doença grave em idosos.
40) Por que as crianças com menos de seis meses não estão incluídas? Há contraindicação para vacinação desse grupo?
A vacina atualmente disponível não é recomendada para o grupo de menores de seis meses em razão de não haver estudos que demonstrem a qualidade da resposta imunológica, ou seja, a proteção não é garantida.
41)Como será feita a identificação dos vacinados durante a estratégia, de maneira a garantir a vacinação do grupo alvo?
a)Para alguns grupos alvo que têm como especificidade a faixa etária será solicitada a apresentação de documento de identificação que comprove a idade.
b) Para os portadores de doenças crônicas pré-existentes a adesão será de iniciativa do próprio portador da doença, não sendo indicada a exigência de atestado médico para não burocratizar o acesso à vacinação, confiando-se na busca consciente por parte dos que realmente necessitam. Sabe-se, ainda, que grande parte dos portadores de doenças crônicas recebe acompanhamento sistemático dos serviços de saúde.
c) No caso das gestantes também é esperada a adesão espontânea, confiando-se também na informação verbal da mulher, ou, de outra maneira, o encaminhamento a partir do pré-natal.
42) Quem teve a gripe pandêmica e teve confirmação laboratorial deve tomar a vacina?
a) Sim. Quando uma pessoa é infectada pelo vírus influenza A adquire imunidade para aquele subtipo específico de vírus que a infectou. Assim, quem já teve a gripe pandêmica comprovadamente (com diagnóstico laboratorial positivo) em princípio, está imune, embora haja registro de alguns casos que desenvolveram uma segunda infecção.
A duração da imunidade pode variar de pessoa para pessoa, mas, no caso desse vírus sofrer mutação um novo contágio poderá ocorrer.
b) Se a pessoa pertencer a um dos grupos prioritários deve ser vacinada, pois a maioria das pessoas que teve gripe nesse período não teve comprovação laboratorial.
43) Por que as unidades federadas mais atingidas durante a primeira onda não terão prioridade na vacinação?
Por uma questão operacional a estratégia de vacinação ocorrerá em etapas, considerando os grupos prioritários, mas acontecerá de forma simultânea em todo país.
44) Se a pessoa quiser pode optar por tomar a vacina em serviço privado, pagando por ela?
Pode sim. Não haverá impedimento, por parte do Ministério da Saúde, para o setor privado adquirir vacinas. O que pode ocorrer, nessa circunstância, é a limitação da disponibilidade do produto, que irá depender da capacidade de fornecimento pelos laboratórios produtores.
45) Qual a incidência de efeitos colaterais (eventos adversos) até agora?
A OMS estima que foram distribuídas cerca de 80 milhões de doses da vacina contra a influenza pandêmica e até o final de novembro foram vacinadas aproximadamente 65 milhões de pessoas. A grande maioria do que vem se apresentando se assemelha a vacina sazonal administrada em idosos, que são reações leves: dor local, febre baixa, dores musculares, que se resolvem em torno de 48 horas.
46)O governo se prepara para a possibilidade de fraude?
Esperamos que a linguagem da mídia de esclarecimento a população seja clara para que a mesma busque a vacina em lugares seguros e faça denúncias em caso dúvidas de sua procedência, distribuição e uso.
Em relação à possível fraude na produção de vacinas ou disponibilidade, o Governo Brasileiro dispõe de mecanismos para controle de qualidade de todas as vacinas por meio do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde da Fiocruz (INCQS). Há também, o controle por meio da ANVISA que assegura o registro dos produtos em oferta em nosso país.
47)A vacinação para Influenza A (H1N1) – 2009 será mantida para os próximos anos?
Como uma pandemia de influenza qualquer predição é ainda especulativa. o Brasil seguirá sempre as recomendações da OMS.
48) Como a vacina é acondicionada? Precisa de equipamento especial?
Todas as vacinas são acondicionadas em equipamentos de refrigeração (refrigeradores domésticas ou comerciais e câmaras frigoríficas) e em caixas térmicas.
A vacina contra influenza pandêmica deverá ser armazenada e acondicionada entre +2° e +8° C desde a Central Nacional de Armazenamento até o nível local, ou seja, utilizando os mesmos equipamentos para as demais vacinas.
49)A capacidade da rede de frio de imunobiológicos do Brasil é suficiente para estocar a vacina?
Esta vacina não terá necessidade de estocagem, pois terá utilização rápida. Portanto, as 36 mil salas de vacinas dos 5.565 municípios brasileiros possuem estrutura necessária para o armazenamento das vacinas de rotina e campanhas. Caso seja necessário o reforço de equipamentos, cada Estado suprirá as necessidades conforme plano elaborado e recursos distribuídos.
50) Quais são eventos adversos da vacina? Comparativamente a outras vacinas.
Os eventos adversos relatados pelo laboratório GSK:
a) Muito comum (cerca de 10% dos vacinados): dor no local da aplicação, cefaléia, dor articular, muscular e fadiga;
b) Comum: Náusea, diarréia, sudorese, hiperemia no local da aplicação, inchaço no local da aplicação e tremores;
c) Raros: Linfadenopatia, insônia, tontura, parestesia, vertigem, dispnéia, dor abdominal, vômitos, dispepsia, desconforto gástrico, prurido, erupção cutânea, dor nas costas, rigidez músculo esquelética, dor no pescoço, espasmos musculares, dor nas extremidades, reações no local de injeção (hematoma, induração, prurido e aumento de temperatura), astenia, dor no peito e mal estar.
51)Na hipótese de o vírus persistir durante muitos anos, eu vou precisar me reimunizar?
Se não houver mutação do vírus, não será necessária a revacinação.
52) Se eu me vacinar com vacina contra a gripe sazonal, não corro perigo de pegar a gripe suína em seu estado atual, já que a vacina da gripe normal não garante que eu nunca mais adoeça?
Se o indivíduo se vacinar com a vacina sazonal e estiver dentro do grupo prioritário deverá também se vacinar contra a vacina pandêmica.
Fonte: Ministério da Saúde
*Mulheres do campo e da cidade unidas na luta contra o agronegócio e pela soberania alimentar*
Publicamos a seguir O Manifesto das Mulheres Gaúchas, assinado pelas mulheres da Via Campesina, do MTD, da Intersindical e do coletivo de mulheres da UFRGS, e divulgado no dia de ontem, durante as manifestações realizadas pelo estado do Rio Grande de Sul, comemorando o dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher.
*Eis o manifesto.*
*O manifesto das gaúchas*
*Mulheres do campo e da cidade unidas na luta contra o agronegócio e pela soberania alimentar*
Neste mês em que se comemoram os 100 anos do 8 de março como dia internacional de luta das mulheres, nós trabalhadoras do campo e da cidade do Rio Grande do Sul estamos novamente nas ruas. Este ano nossa mobilização tem como principal objetivo denunciar para a sociedade que a maior parte da comida que chega a mesa da população brasileira não é alimento, é veneno.
O Brasil é campeão mundial do uso de agrotóxicos, que são venenos muito perigosos usados na agricultura que provocam muitas doenças para produtoras/es e consumidoras/es e grandes impactos ambientais. Além disso, a maior parte dos produtos industriais que comemos é fabricada com soja transgênica que também causa muito mal à nossa saúde.
E quem come esta comida envenenada? Somos nós, pobres. São as mulheres e homens trabalhadores que recebem baixos salários ou estão desempregados e escolhem os alimentos pelo preço não pela qualidade. São as pessoas sem terra, sem teto, que se alimentam graças às cestas básicas. Os ricos têm opção de comer produtos orgânicos, cultivados sem venenos.
Os agrotóxicos e os transgênicos não servem para matar a fome do povo, e sim para matar a fome de lucro das empresas do agronegócio, a maioria delas multinacionais. Esses produtos envenenam as terras, as águas e principalmente as pessoas.
*Leite materno só é fonte de vida quando as mães comem alimentos saudáveis*
Nesta mobilização estamos amamentando esqueletos para denunciar a população em geral, e principalmente às mulheres, que quando comemos comida envenenada e damos o peito aos nossos filhos ao invés de alimentarmos a vida transmitimos a morte.
As doenças causadas por agrotóxicos são transmitidas de geração para geração, e um dos modos de transmissão é através do leite materno. No entanto, o mesmo governo que faz campanhas para incentivar as mulheres a amamentar, financia o agronegócio que produz a comida envenenada para o povo pobre, contaminando o leite da maioria das mães brasileiras.
*A gente não quer só comida*
Nós mulheres que passamos boa parte de nossas vidas envolvidas no cultivo e/ou no preparo da comida para garantir saúde à nossa família estamos nas ruas para gritar em alto e bom som que gente não quer só comida, a gente quer alimento saudável, a gente quer soberania alimentar! Para o agronegócio o lucro está acima da vida. O agronegócio faz mal a saúde do povo e do meio ambiente! E os governos estadual e federal que financiam o agronegócio estão usando o dinheiro público para bancar o envenenamento da população pobre, a contaminação de nossas terras e águas.
*Estamos em luta contra
Contra o agronegócio, um modelo de produção agrícola que se sustenta na superexploração do trabalho das pessoas, na contaminação dos alimentos, na destruição de nossas riquezas naturais. Lutamos contra o uso de recursos públicos para financiar a contaminação do povo e do meio ambiente; Estamos em luta contra todas as formas de violência contra mulheres, incluindo a imposição de um padrão alimentar que não respeita os costumes alimentares e causa muitos males à saúde.
Estamos em luta por *
*Soberania Alimentar* – com reforma agrária, com geração de emprego e vida digna para as populações camponesas, com agricultura ecológica que respeita a diversidade de biomas e de hábitos alimentares. Os governos se dizem preocupados com a segurança alimentar, querem que as pessoas tenham várias refeições por dia. Mas tão importante quanto a quantidade da comida é a qualidade do que comemos. Por isso não basta segurança alimentar, precisamos construir a Soberania Alimentar.
*Mulheres da Via Campesina*, do *MTD*, da *Intersindical* e do *coletivo de mulheres da UFRGS*.
Porto Alegre, março de 2010.
Escrito por Duarte Pereira
05-Mar-2010 – Correio da Cidadania
Para mim, infelizmente, o lamentável e desnecessário falecimento do prisioneiro Orlando Zapata não está esclarecido. Sabemos, por nossas experiências durante a ditadura militar, que é fácil etiquetar oposicionistas e presos políticos como delinqüentes comuns, bandidos, terroristas, agentes de potências estrangeiras.
Será mesmo que Zapata recebeu o tratamento médico e POLÍTICO adequado? Será mesmo que não existe tortura em Cuba, nem prisões arbitrárias, nem condenações sem provas consistentes? Dizia-se o mesmo da União Soviética, da China e da Albânia, para citar alguns exemplos. Será preciso repetir que os fins não justificam quaisquer meios, e que, se os meios não são adequados aos fins, os resultados podem ser inversos aos pretendidos?
Por que, passadas tantas décadas da vitória da revolução popular e dos esforços para construir o socialismo, Cuba ainda precisa de métodos como os revelados no episódio para supostamente defender-se? Os revolucionários, especialmente os revolucionários socialistas e marxistas, devem ser exemplares no tratamento de prisioneiros.
É difícil saber o que realmente aconteceu com Zapata (e com outros) sem liberdade de informação e investigação, sem autonomia do Poder Judiciário, sem atuação desimpedida de advogados, para recordar algumas medidas democráticas. As razões para as dúvidas são várias. Em minha experiência política, nunca soube, de presos comuns, nem de agentes da CIA que tenham feito greves de fome até a morte. Também é uma novidade para mim que espiões freqüentem as embaixadas dos países a que servem abertamente.
Os verdadeiros espiões, que não podem faltar em Cuba, devem enrustir-se com muito mais cuidado e devem receber instruções e passar informações por meios muito mais sofisticados e eficazes. Não seria inusitado que, à semelhança do que aconteceu em outros países, alguns desses verdadeiros espiões estivessem infiltrados em órgãos do Partido Comunista, do governo popular e dos serviços repressivos.
Duas lições aprendi ao longo de anos de militância e estudo, e delas não abro mão. A primeira é que é impossível separar revolução democrática e revolução socialista, democracia e socialismo, pois não pode haver socialização efetiva da economia sem democratização da política e da cultura. E os trabalhadores precisam garantir sua emancipação não apenas do capitalismo, mas também do burocratismo que tem emergido das tentativas de construção de sociedades socialistas, com sua seqüela de novos privilégios, novas desigualdades e novas opressões.
A segunda lição é que a pior contribuição que podemos dar à causa democrática e socialista em nosso país e nos demais é continuar silenciando diante dos excessos, erros e crimes cometidos por regimes revolucionários – sejam proletários, populares ou simplesmente antiimperialistas.
Duarte Pereira é jornalista.
1. Escrito por Antonia Angulo
Tentemos ver Cuba sem fanatismos
Concordo com a questão principal colocada pelo jornalista Pereira. O cerne do debate é se era necessário que Cuba carregue com essa dúvida. Estive em nov. de 2009 em Havana num evento internacional, por primeira vez, gostei da cidade e das pessoas. Mas, percebi no evento que a sociedade civil não tem uma representação. O Estado fala por ela. Isto sem reconhecer os grandes avanços em saúde e educação, nos últimos anos com sérias dificuldades na saúde. É importante acompanhar as questões de direitos humanos não apenas em Cuba mas em toda América Latina.
2. Escrito por Alexandre Zourabichvili
O Senhor Pereira poderia, na sua busca da verdade, se interessar pelas fitas e gravações que mostram as conversas entre os médicos e a familia do preso comum O.Z.Tamayo. Nelas a mãe agradece os médicos pelos esforços en tentar salvar a vida do filho. Uma outra gravação interessante revela a conversa entre uma representante da máfia anticubana de Miami e um empregado dessa mafia baseado em Cuba. Este empregado presta contas e fala sem qualquer vergonha nenhuma de seus esforços pra convencer a mãe de O.Z.Tamayo em não ir ao hospital visitar o filho(pois a visita da mãe poderia dar vontade ao filho de viver e desistir da greve de fome). Ele diz que vai tentar de novo convencer a mão a organizar uma reunião de imprensa contra o governo de Cuba em lugar de ir visitar o filho, as duas coisas "sendo incompatíveis" segundo este sujeito. Está clara por essas gravações a manipulação dessa máfia branca pronta a manipular e sacrificar a vida de um negro pra fins de convencer Obama em não abandonar o bloqueio economico e político dos Estados Unidos contra Cuba. Essas gravações, claro, não foram divulgadas pela "grande" midia "democrática" brasileira. Vejam-nas no www.aporea.org ou no www.granma.cu
Tatiana Félix *
Joanesburgo – Adital –
Em virtude da Copa do Mundo que vai acontecer em junho deste ano na África do Sul, foi realizado em Joanesburgo, capital do país, entre os dias 15 e 19 deste mês, um encontro entre redes de religiosas que atuam no enfrentamento ao tráfico de seres humanos no mundo. O objetivo foi a discussão de ações de prevenção ao tráfico, já que é alta a possibilidade deste crime acontecer em eventos esportivos mundiais.
Irmã Gabriella Bottani, integrante da articulação brasileira da Rede Um Grito pela Vida, disse que, na ocasião do encontro, as participantes decidiram como vai ser realizada a campanha que visa prevenir o tráfico durante a Copa na África. O foco das ações preventivas da campanha, segundo ela, deve ser na África do Sul e países vizinhos. A data para o lançamento oficial da campanha será o dia 6 de maio.
Ela explicou que, de modo geral, a campanha tem caráter preventivo e com as ações devendo ser direcionadas a, pelo menos, três públicos. A primeira intervenção será voltada aos jovens em grupos e escolas, e que se encontrem em situação de risco, nos países mais vulneráveis.
A segunda ação será focada nos potenciais traficantes involuntários, ou seja, aquelas pessoas que podem ser usadas inocentemente para servir ao tráfico. “Isso está acontecendo na África do Sul”, afirmou Gabriella.
Já a terceira intervenção deve ser direcionada aos torcedores de todas as partes do mundo que viajarão para a África a fim de assistir aos jogos da Copa. Irmã Gabriella ressaltou que, além dos torcedores poderem se envolver em situações possíveis de tráfico, há ainda ofertas de trabalho, onde as redes do crime organizado usariam a desculpa da Copa na África para aliciar e traficar pessoas.
Para prevenir os torcedores brasileiros a ficarem atentos e não caírem nas armadilhas do tráfico de pessoas, a coordenação da Rede Um Grito pela Vida vai se reunir em Brasília entre os dias 17 e 20 de março para desenvolver ações de prevenção e sensibilização. “Queremos aplicar aqui, no Brasil, as ações discutidas na África. Já fizemos uma carta para os torcedores, outra para as vítimas em potencial e uma carta também para os traficantes involuntários”, informou.
Irmã Gabriella disse que o trabalho de prevenção e alerta ao tráfico já está acontecendo na África, mesmo antes do lançamento da campanha. O motivo é a urgência em se enfrentar este crime na região, já que, segundo ela, atualmente, estão acontecendo muitos casos de tráfico envolvendo a África do Sul e a Tailândia. “Muitas meninas tailandesas são traficadas para a África do Sul. É muito fácil entrar lá”, alertou.
A facilidade de entrar no país e a realização da Copa é o que tem preocupado as entidades que lidam no combate ao tráfico de seres humanos. A África do Sul tem se mostrado um território de transição, conforme disse a religiosa.
“Com este encontro nós já conseguimos fortalecer os laços entre as redes e também entre a África do Sul e a Tailândia”, enfatizou. Ela lembrou que, na última Copa realizada na Alemanha em 2006, a ações de combate ao tráfico, executadas como uma primeira experiência foram bem sucedidas, já que houve um maior controle das pessoas que entravam no país.
Acompanhe o trabalho da Rede no blog: http://redeumgritopelavida.blogspot.com
* Jornalista da Adital
Mas o brigadista de foto "foi não um afro-americana, foi um afrocubanismo"
Uma história inacabada
Michel Porcheron – Granma.CU
Todos começaram para.ComumFotosem permanente entre tantos outros o catalão Agustí Centelles, uma iniciativa relacionada com a visita, em Maio de 2010 filhos de Barack Obama à Espanha e uma ampla divulgação na web no final de 2009, resumidas em poucas palabra: fotorreportero
"A foto que Zapatero terpénicas Obama".
"Quando Obama visita a Espanha em 2010, José Luis Rodríguez Zapatero conhecê-lo com um inesperado presentes tanto por seu valor histórico sentimental como." Fará isso da parte dos irmãos Sergi e Octavi Centelles, em memória de seu pai. Os irmãos foram anos revelando a identidade deste jovem do Batalhão americano Abraham Lincoln, decidiu viajar para Barcelona como brigadista internacional para lutar ao lado da frente republicana. "Este jovens morreram na guerra durante a batalha de Brunete."
Ou uma foto de um jovem brigadista africano-americano durante a guerra na Espanha para outro rapaz African-American, primeiro Presidente dos EUA
A Moncloa aceitou a idéia, o projeto, mas, obviamente, sem qualquer inquérito sobre a imagem escolhida. Além disso, os filhos de Centelles agiram de boa fé.
O autor da foto, pai de Centelles,Agusti Centelles (1909-1985), muitas vezes chamado "The Robert Capa espanhol", é um dos fotógrafos mais proeminentes da guerra civil, cujo arquivo foi adquirido recentemente pelo Ministério da cultura espanhol.
O Jornal Espanhol El País publicou 30 de Novembro de 2009, com a foto do African-American sem nome abaixo:
Pesquisas deste homem
Agustí Centelles crianças têm embarcou em um inquérito exclusivo: procure a identidade do Homem nesta imagem. Os jovens africanos americanos tinham atravessado o Atlântico para lutar por uma causa que não tinha nada a fazer: a permanência do Governo da segunda República. Era de 1938. Eles estavam em Barcelona. Pouco mais se sabe sobre este homem cujo retrato terminará nos próximos seis meses nas mãos do Presidente dos EUA, Barack Obama.
Os irmãos Octavi e Sergi Centelles já sabem quem deseja dar a imagem de um planeta favorito do Homem, mas agora preferem manter o mistério: "Ela será uma oferta institucional", dizer. Estão empolgados com o inquérito quase detetive lançado, arropados, entre outros, por um professor da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, para revelar um dos riddles que engloba o trabalho do seu pai. "Podemos encontrar os descendentes deste brigadista, conheça sua história". "Acreditamos que foi no Alabama," tem Sergi Centelles.
Até ao momento, foram realizados com uma lista de 450 membros da Brigada de americanos que participaram na guerra civil. Uma delas é a imagem. Ele pertencia ao Batalhão de Lincoln, primeiro americanos armados força que integrados em preto e branco, em igualdade de condições. Basta chega ao Barcelona para participar na guerra civil espanhola, as brigadas internacionais do lado Republicano.
A maioria tinha inscrito para o partido comunista, que se tornou fortes laços com a Comunidade negra, convencidos no momento em que a batalha contra a opressão foi universal e orientado por eventualmente lutam contra o fascismo como resultado dos bombardeamentos da Etiópia por Mussolini em 1935. "Lutou em batalhas da Jarama, Brunete e o Ebro". "Aqueles que conseguiram retornar vivo para nós eram desprezados porque eles tinham sido lutam com comunistas ou morreram de doenças em Espanha", diz Sergi Centelles. Outros foram enterrados em Espanha. Na melhor das hipóteses, seu heroísmo correu despercebido e, na pior das hipóteses, foram molestado durante a bruxa hunts do Senador McCarthy como amigos perigosos da União Soviética. "Queremos recuperar sua história, divulgação, nos Estados Unidos e que conhece as fotos do nosso pai, explica Octavi Centelles. Portanto série de nove imagens do arquivo membros afro-americana Brigada Agustí Centelles deixar em breve tour pelos EUA e Espanha que ambos os países estão conscientes da história desses heróis esquecidos. Juntar os actos pelo centenário do nascimento do fotógrafo
El aspecto de la noticia que más atención internacional suscitó, comento el sitio Abraham-Lincoln Brigade Archivo, fue la súplica de Sergi y Octavi Centelles, que imploraban al mundo ayudarles a identificar al hombre en la foto. El 20 de diciembre, Giles Tremlett, corresponsal de The Guardian, publicó un artículo sobre el tema que tuvo una amplia difusión por Internet. Tres días después, CNN y CNN Internacional, entrevistaron a James D. Fernández, miembro del Consejo de los Abraham Lincoln Brigade Archives (ALBA), ubicados en New York University. “La caza estaba abierta”, comentaba el sitio ALBA.
De fato, necessária para dar uma identidade para o lutador africano-americano. Investigação "Quase detetive" começou em Dezembro de 2009, parte de uma equipa de peritos liderada por Sebastian Faber, professor de estudos hispânicos e membro do Conselho de administração da (ABAL, ALBA in English) de arquivo de Abraham Lincoln Brigada e colega James D. Fernandez.
Passou longas semanas nos arquivos da ABAL, fundada em 1979, procurando outras fotos onde parece o mesmo fighter African-American primeiro. A foto do Centelles foi tomada em 17 de Janeiro de 1937 em Barcelona. O primeiro navio dos combatentes Abraham Lincoln tinha partiu em Nova Iorque no final de Dezembro. "O Champlain, 6 de Janeiro" e Berengária em 20 de Janeiro.
Faber e Fernández descobrir uma foto de Champlain, deixando com um grupo de voluntários na placa aparentemente recolhida para despedida, navio de foto nenhuma assinatura. Em segundo plano, com camisa branca e gravata, com o PAC, é o Homem na primeira imagem. Faber e Fernández avaliada sua constatação. Não parece o primeiro homem de imagem, é o mesmo Homem, ainda sem nome. Na outra foto de Centelles, pertence à mesma série como o brigadista sem nome, preto detém dois ramos, um dos lados de um sinalizador é lido (errado, mas é leitura) primeiro século americano Batalhão, A.Lincoln, Antonio Guiteras Brigada internacional.
O século Antonio Guiterasnome do político e revolucionário cubano Antonio Guiteras (1906-1935), era, como se sabe, ou como deve saber, composta pelos cubanos. Então Faber e Fernández são fixados pelo preto Champlain voluntário é um cubano, Rodolfo de Armas Soto, chefe do século Guiteras. Chegou a classificação de Tenente Coronel e foi morto em ação na Batalha de Jarama.
Assim, eles descobriram que o brigadista preta não era um voluntário EUA mas Cuba.
“No tenemos dudas. Era un cubano exiliado, muy activo en los círculos izquierdistas de Nueva York y que salió de EE. UU. para integrar el núcleo cubano del Batallón Lincoln”, afirma el profesor Faber (El País, 1ero de marzo 2010). El diario español indica que “la pista definitiva la encontraron en el libro de otro brigadista, John Tisa, tituladoTisa, Recuerdo de la buena lucha: una autobiografía de la guerra civil española, escrito en 1985, y que incluía una foto en la que volvía a aparecer el brigadista negro, al que el autor llamaba “Cuba hermosa”. (Cuba hermosa es una expresión de una canción política de la época, titulada Lamento cubano).
"Temos sem dúvida"diz Faber. Mas, quem é, como é chamado, o nome e apelido é o cubano, membro voluntário do século Guiteras?
E site de referência cubana de l Cubadebate.cu, foi reproduzida a quase totalidade do artigo El País (1º de Março) assinado por Natalia Junquera.
http://www.cubadebate.CU/Noticias/2010/03/01/El-brigadista-era-Cubano/
O site cubano publica uma caixa bastante detalhada sobre o século de Antonio Guiteras.
Jornalista espanhol termina seu artigo dizendo que a Faber e Fernández, "e""n a lista de embarque de Champlain têm eliminando nomes conhecidos e ficou com cinco: bem-vindo Domínguez, Faustino García, Juan Godoy, Ricardo Pérez e Ronaldo Rodriguez". Um deles é-lhe", alegação os dois especialistas. "Agora conclui Natalia Junquera, procurar novas faixas em Cuba para localizar fora se o brigadista sobreviveu a guerra, foi capaz de retornar ao seu país, se ele tivesse filhos…".
http://www.elpais.com/articulo/Cultura/brigadista/era/Cubano/elpepicul/20100301elpepicul_4/Tes
História e termina no momento (2 de Março). Com o titular do diário espanhol na seção de "Cultura":
[ Galeria NATALIA XUNQUEIRA - Madrid - 01/03/2010]
[O brigadista foi cubano]
[o voluntário que aparece na foto Zapatero queria dar Obama navegou de Nova Iorque, mas não nasceu nos EUA - ainda ignorado seu nome].
Mas dúvidas existiam no final de Dezembro. O site alba-valb.org, 25 de Dezembro, publicou um texto em inglês, seguido de sua tradução para o inglês:
"EM BUSCA DA IDENTIDADE DE UM VOLUNTÁRIO INTERNACIONAL DA GUERRA CIVIL ESPANHOLA"
QUEM É ESTE HOMEM?
A PESQUISA EM TODO O MUNDO PARA UM SOLDADO NÃO IDENTIFICADO DESDE A GUERRA CIVIL INGLESA
LIBERTAÇÃO IMEDIATA: 25 DE DECEMBER DE 2009
Contato de Media: Jeanne Houck (212-674-5398), jhouck@alba-valb.org
Versão em espanhol, aqui.
AMERICAN AFRICANA OU AFROCUBANISMO?
EM BUSCA DA IDENTIDADE DE UM VOLUNTÁRIO INTERNACIONAL DA GUERRA CIVIL ESPANHOLA
25 DE DEZEMBRO DE 2009.
"How Could I ser cubano?"
, Notextooriginal édisse: ""New York City – quem é o Homem sobre a 72 – fotografia de ano que o Governo espanhol pretende apresentar ao Presidente Obama este Maio? É um African-American, antifascist? "Fazer ou poderia ser cubano?"
http://www.Alba-valb.org/News-Events/Press-Releases
A partir de um simples "erro" – Zapatero foi dar Obama uma foto de um-(unfortunately the anomaly has been corrected before the official gift Act) de caça cubano, apareceram e continuará a receber temas pouco conhecidos ou silenced, como:
-A participação cubana durante a guerra na Espanha. Mais de mil voluntários lutaram com republicanos.
-O que poderia ser movido para um homem africano-americano para lutar como um voluntário numa guerra libertado ao lado do Oceano? Não é a foto (lamentável confusão), mas um facto histórico que "revela" a iniciativa do Centelles, crianças. ALBA estima que havia noventa voluntários africano-americanos entre os voluntários quase 3000. De acordo com o site da ALBA, "a notícia apanhou de surpresa para grande parte da América pública". "Na verdade grande parte do público americano continua sem conhecer a história da participação norte-americana e latino-americanos na guerra espanhola."
-?Quem foi Antonio Guiteras mexicano Taibo II escolheu como uma personagem central em sua última Biografia narrativa? Após o e Pancho Villa.
-Cportanto, três mil homens e mulheres americanas entre 1936 e 1939 lutado como voluntários contra o fascismo na guerra civil espanhola.
-Essa história é uma excelente oportunidade para (re) ler o texto, entre outros, do cubano Nicolás Guillén (MIDI, 6-XII-1937) "Um player, capitão de ametralladores", "Basil Cueria, pai de origem asturiana e mãe preta". O mais conhecido lutador cubano preto chamado Isidro Diaz genér, Boxer profissional. Mas há muitos negros do contingente cubano (se for possível chamá-los de preto, porque também há alguns "mulattoes"). Uma fonte americana menciona os nomes das Tomas Collado e Domingo Gámiz Cabrera.
2 De Março de 2010 (MP)
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INSTITUTO ZEQUINHA BARRETO
PLENARIA AMPLA de Preparação do 1º de Maio
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