O Massacre de Pinheirinho: A verdade não mora ao lado

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Fotos das atividades do IZB


By Erik Rasmussen

Biblioteca Arsênio Rodrigues aberto aos sábados

zequinha barreto logo fotoSeu nome é uma justa homenagem a José Campos Barreto, o Zequinha, líder da greve metalúrgica de 68 em Osasco e histórico militante socialista. Zequinha Barreto foi assassinado ainda jovem, em 1971, junto com o Capitão Carlos Lamarca pelas forças da repressão.
Como um espaço voltado à difusão do pensamento socialista, o IZB não se furta em fazer de forma plural o debate sobre temas atuais e históricos e que têm implicações diretas na vida dos trabalhadores. Aposta na formação política dos lutadores sociais por meio de cursos, debates e grupos de estudos. Incentiva o acesso ao conhecimento através da Biblioteca Popular Arcênio Rodrigues da Silva. E é solidário a todas às lutas, a todas formas de manifestação e resistência à opressão, contra o poder do capital, contra a lógica neoliberal, aqui e em qualquer parte do mundo.

O IZB atua em parceria permanente com o Sindicato dos Químicos Unificados de Campinas, Osasco e Vinhedo. Sua Sede e a Biblioteca Popular Arsênio Rodriguês funcionam na sede do Sindicato dos Químicos Unificado – Regional de Osasco. Além desta parceria, o IZB desenvolveu e desenvolve atividades conjuntas com outros sindicatos, entidades, associações e organizações dos movimentos sociais.

Como participar:

O IZB é um espaço aberto à participação de todos aqueles que se reivindicam socialistas e têm uma atuação prática e democrática voltada para a propagação desta causa. A associação ao Instituto dá direito a participação nas Assembléias deliberativas e outros fóruns de decisão, votar e ser votado para órgãos de direção, receber publicações e participar de cursos e seminários. Todos os sócios, com exceção dos que não tenham condições de contribuir, devem ajudar financeiramente o Instituto para a manutenção de suas atividades.

Venha conhecer a nossa Biblioteca Popular Arsênio Rodriguês

A Biblioteca Arsênio Rodrigues do Instituto Zequinha Barreto consta no seu acervo com mais de 5.000 mil livros e uma coleção de 800 filmes e documentários políticos.

Estamos abertos:

De segunda a sexta-feira (Horário: 12:00 ás 17:30)

Aos Sábado (Horário: 10:00 às 14:00)

Obs: Estamos também com um grupo de estudo sobre Educação todos os sábados das 11h30min às: 12:30

Local: Sindicato dos Químicos Unificados de Campinas osasco e Vinhedo – Regional Osasco

Praça Joaquim dos Santos Ribeiro Nº 265 sala 05 fundo – Km – 18 Osasco – São Paulo

Se você quiser marcar uma visita para conhecer o IZB e a sua biblioteca popular.

Favor ligar para Telefone 3695-0661 e falar com Pedrina

ou pelo e-mail: socialismoedemocracia@gmail.com

Conheça a Biblioteca Arcênio Rodriguês do Instituto Zequinha Barreto

Fotos: Carlos Roberto kaká

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Reunião ampliada da Coordenação do Instituto Zequinha Barreto

Edital de Convocação

 

zequinha barreto

 

Companheiro/companheira,

Convidamos você para a reunião ampliada da Coordenação do Instituto Zequinha Barreto, no dia 11 de fevereiro, sábado, das 9h00 às 14h00, na nossa sede, á Praça Joaquim dos Santos Ribeiro, 265 – Km 18 Osasco – São Paulo. ( em frente a praça do Samba)

O objetivo desta reunião é discutir um plano de trabalho para 2012. Participe e contribua com suas ideias sobre o momento que estamos vivendo, eixos de atuação ou propostas para as atividades do IZB em 2012. Se quiser que divulguemos previamente sua contribuição, envie para socialismoedemocracia@gmail.com

Essa reunião, como, aliás, toda atividade do instituto, é aberta para todos os sócios e para aqueles que queiram conhecer o nosso trabalho. Não deixe de participar e colaborar para o fortalecimento do IZB. Queremos continuar como um espaço plural, democrático e capaz de aglutinar os lutadores em torno de atividades, debates, cursos, publicações, que ajudem a difundir o socialismo e preservar a memória operária e popular de nossa região.

Quando: dia 11 de fevereiro(Sábado) – das 9h00 às 14h00.

Onde: Praça Joaquim dos Santos Ribeiro, 265 – km 18 – Osasco.

Coordenação do Instituto Socialismo e Democracia

José Campos Barreto “Zequinha Barreto”

Osasco, janeiro de 2012.

O homem que roubava livros

Químicos Unificados

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Ademiro Alves e escritor, mais conhecido como Sacolinha é um dos principais expoentes do movimento chamado Literatura Marginal.

(Foto por Kelly Ramos)

Aos 28 anos, e com quatro livros publicados, o escritor Ademiro Alves (acima), mais conhecido como Sacolinha é um dos principais expoentes do movimento chamado Literatura Marginal.

Apesar de rejeitar o rótulo, e todos os tipos de rótulos, Sacolinha reconhece a importância do movimento surgido nas periferias das cidades brasileiras. Para ele, muitos jovens de comunidades carentes só passaram a se interessar pelos livros após lerem obras de autores conhecidos como marginais.

Seu primeiro livro, Graduado em Marginalidade, lançado em 2005, recebeu elogios da crítica e hoje está na segunda edição. Agitador cultural, como se auto define, o escritor hoje trabalha na Secretaria de Cultura de Suzano, promove o tradicional Sarau Pavio Cultural, na região central da cidade e também o Sarau Literatura Nossa, no Jardim Revista, bairro onde cresceu.

O Jornal do Unificados traz uma entrevista com Sacolinha, onde ele conta sua história e fala sobre o que mais gosta: os livros.

ENTREVISTA

“Literatura é literatura”

Jornal do Unificados – Por que Sacolinha?

Sacolinha – Trabalhei como cobrador de lotação durante 12 anos, fazia a linha metro Itaquera x Cidade Tiradentes. Assim que cheguei para trabalhar em Itaquera, percebi que todo mundo tinha apelido, todo mundo que chegava era batizado com um apelido. Por eu tirar muito sarro de um ambulante que era conhecido como Sacolinha, acabei também com o apelido de Sacolinha.

Quando comecei a escrever, procurei um pseudônimo. Mas todo mundo já me conhecia como Sacolinha, falei, vai ficar Sacolinha mesmo.

Jornal do Unificados – Mas, antes de escrever, como começou seu interesse pela literatura?

Sacolinha – Eu comecei a ler, a me interessar por literatura somente depois que saí da escola. Graças à Companhia Metropolitana de Trens Urbanos (CPTM) e também à Polícia Militar. Todos os motoristas de lotação estavam sendo obrigados a regularizar a situação dos cobradores, a registrar. Eu fui até o Poupatempo no centro da cidade (de são Paulo) para tirar a minha carteira de trabalho.

Saí do Poupatempo com a Carteira de Trabalho, mas acabei deixando o RG lá. Ele estava defasado, com a foto de quando eu ainda era criança. Na volta, peguei o trem e me bateu um desespero, precisava fazer algo para o tempo passar. Comecei a ler a Carteira de Trabalho. Quando eu percebi já estava na estação de Suzano. Falei… nossa, esse negócio de ler é bom.

Nesse dia, como estava um tempo firme, decidi andar da estação até a minha casa. No caminho fui abordado por uma viatura da Polícia Militar. Eu estava sem RG, mas na Carteira de Trabalho tinha um item que falava que ela substituía o documento de identidade.

Peguei e entreguei para o guarda, ele reclamou que queria o RG, eu falei que a Carteira de Trabalho servia como substituta, que estava escrito lá. Enquanto um me revistava o outro foi na viatura e conversou com alguém pelo rádio e confirmou que a Carteira de Trabalho poderia substituir mesmo o RG.

Eu pensei… poxa, ele é policial, concursado, e não sabia. Não tinha essa informação, e eu tinha adquirido essa informação. Eu voltei andando e pensando… esse negócio de ler é muito bom. Eu passei o tempo no trem, aprendi uma informação que me foi muito útil, vou começar a ler também.

Na casa da minha vó tinha um tio meu que lia muito, e guardava os livros embaixo da cama. Eu fui e pedi um livro emprestado para ele, ele não quis me emprestar, falou que eu não gostava de ler. Quando ele bobeou, peguei um livro emprestado. E gostei tanto que não quis devolver. Depois peguei mais um, outro, sai pegando livros por aí. Por isso as pessoas costumavam dizer que eu roubava livros.

Jornal do Unificados – E de leitor para escritor?

Sacolinha – Em um determinado momento eu era uma biblioteca ambulante. Eu pegava os livros que já tinha acumulado e emprestava, levava na casa de um, pegava da casa do outro. Eu lia muito, 2 ou 3 livros por semana. Lia escondido, lia em todo lugar. Escondido da minha mãe, que falava que eu ia ficar cego de tanto ler.

Eu lia muito, e não tinha com quem conversar. Aí eu comecei a por no papel as coisas que eu estava pensando, minhas reflexões. Colocava alguns pensamentos, algumas frases, fui adaptando para um conto, poesia, e aí descobri que minha praia era a prosa. Foi aí que nasceu o Sacolinha como escritor.

Jornal do Unificados – Quantos livros você tem publicados?

Sacolinha – Quatro. Mas eu tenho também muitas publicações em antologias, em revistas, enfim. Muita coisa.

Jornal do Unificados – Você é formado em letras. Pretende dar aula?

Sacolinha – Eu cursei letras. Dar aula é um projeto futuro, por enquanto eu quero investir na cultura. Aquilo que fazia antes, entregando livros, organizando eventos, shows de Rap, sempre cobrando a entrada com livros. Montei bibliotecas comunitárias.

Hoje consegui montar um espaço legal no meu bairro. Com uma biblioteca comunitária, um espaço com palestras, debates, saraus, oficinas, lançamento de livros. A ideia é que eu consiga montar mais desses espaços culturais, e também mudar outras cabeças por meio da cultura, da literatura.

Jornal do Unificados – Você é um dos principais expoentes do que se convencionou chamar de Literatura Marginal. O que você acha desse termo?

Sacolinha – Eu sou o único desses expoentes que rejeita esse rótulo. Nem literatura marginal, nem literatura periférica, nem literatura negra. Acho que já temos rótulos de mais. É o neguinho, o baianinho, o gay. Não preciso de mais um. Mas não me incomodo quando as pessoas falam que sou escritor marginal, escritor periférico. Não vejo problema, só não me identifico. Para mim, literatura é literatura.

Jornal do Unificados – E sobre o movimento?

Sacolinha – Acho que é um movimento importante, e como todo movimento ele vai passar, é como um trem. Lá na frente ele vai se transformar em outra coisa. Conheço muita gente que só começou a ler por causa desse movimento. Muitos jovens que ouviram a palavra marginal, pensaram: acho que me identifico. São livros com a realidade próxima desses jovens e de suas comunidades.

Muitos leram seu primeiro livro graças à Literatura Marginal, e a partir desse primeiro livro leram outros, ou não, mas agora sabem o que é literatura, podem dizer se gostam ou não. Então é um movimento importante, tem seu papel na sociedade.

Jornal do Unificados – O que é um agitador cultural?

Sacolinha – Eu sempre fui um agitador cultural. Mesmo antes de trabalhar na Secretaria de Cultura de Suzano. Eu organizava eventos de trocas. Passava nas lojas da região e pedia bonés, camisetas e aí trocava por livros. Três livros por uma camiseta, quatro livros por um boné.

Depois eu fui convidado para fazer parte da Secretaria de Cultura da cidade, e continuo fazendo as mesmas coisas que fazia antes, agora com uma estrutura um pouco maior.

Mas o agitador cultural faz isso, esse é o papel. Movimentar a sociedade, organizar saraus, difundir a cultura. Colocar os jovens em contato com a poesia, com assuntos que não estão acostumados.

Jornal do Unificados – Dá para viver por literatura hoje no Brasil?

Sacolinha – Não dá. De jeito nenhum. Nem o Jorge Amado, nem o Paulo Coelho, que tem um grande marketing em torno de tudo que escreve, nem o Moacyr Scliar, que faleceu recentemente e que, além de escritor, deu aula em Universidade Federal para complementar a renda. Se nem esses escritores conseguem ou conseguiram viver de literatura, imagine eu…

O setor público nunca gastou tanto para pagar os juros da dívida

Postado: Auditoria Cidadã da Dívida.

charge_divida_publica1O Jornal Estado de São Paulo mostra que “O setor público nunca gastou tanto para pagar os juros da dívida. No ano passado, R$ 236,7 bilhões saíram dos cofres públicos para a conta corrente dos credores que têm títulos emitidos pelo governo federal, Estados, municípios e empresas estatais, um novo recorde. A despesa, que cresceu 21% em um ano, é explicada especialmente pela subida da taxa básica da economia, a Selic, no primeiro semestre de 2011 e também pelo avanço da inflação.”

Cabe comentarmos que este valor de R$ 236,7 bilhões, calculado pelo Banco Central, inclui a União, estados e municípios, e não representa exatamente o que foi pago de juros (“critério de caixa”), mas sim, o quanto a dívida aumentou devido à aplicação das maiores taxas de juros do mundo (“critério de competência”). Por esta razão, continuamos sem saber exatamente qual foi a quantia paga pelo governo federal com juros da dívida pública em 2011, uma vez que os dados divulgados pelo Tesouro Nacional (pelo “critério de caixa”) apenas incluem os “juros reais”, ou seja, que superam a inflação.

Além do mais, tal valor de R$ 236,7 bilhões não inclui as amortizações da dívida federal (ou seja, o pagamento do principal), o que é mais uma razão para a diferença entre este dado e o  valor de R$ 708 bilhões gastos com a dívida federal em 2011, conforme divulgado pela Auditoria Cidadã.

As amortizações geralmente são ignoradas por alguns especialistas sob o argumento de que seriam pagas com novas dívidas. Porém, caso esta questionável dívida não existisse, os recursos obtidos com estas novas dívidas poderiam ser utilizados para prover as urgentes demandas sociais em saúde, educação, dentre outras.

Além do mais, cabe ressaltar que as amortizações não são financiadas apenas por novas dívidas, mas por diversas fontes. No ano passado, tais amortizações consumiram nada menos que R$ 52 bilhões provenientes do recebimento de juros e amortizações de dívidas das quais a União é credora. A maior parte destes R$ 52 bilhões vem do sacrifício de estados e municípios, que pagam à União taxas de juros altíssimas (6% a 9% ao ano) mais a inflação medida pelo IGP-DI.

Outra importante fonte de recursos para as amortizações da dívida federal é o lucro das estatais (Petrobrás, Banco do Brasil, etc), que representaram R$ 25 bilhões no ano passado. Estes recursos também são obtidos por meio de sacrifício da população, que paga caro pelos combustíveis, pelas tarifas de ônibus, e altos juros e tarifas dos bancos “estatais”.

Somente estas duas fontes de recursos representaram R$ 77 bilhões de dinheiro vivo destinado ao “saco sem fundo” da dívida, que se fossem destinados às áreas sociais poderiam, por exemplo, mais que dobrar todos os gastos federais com saúde durante um ano inteiro.

No ano passado, as amortizações da dívida federal também consumiram recursos provenientes de venda do patrimônio público, tributos, rendimento financeiro da Conta Única do Tesouro, dentre outras fontes.

Somos todos Pinheirinho

 

TV Movimento

Em solidariedade aos desalojados do Pinheirinho a Intersindical e sindicatos participaram do ato realizado em São José dos Campos, nesta quinta-feira (02

Somos todos Pinheirinho!

Grande ato agita São José dos Campos contra a truculência da PM e do PSDB

Cerca de 5 mil pessoas ocuparam as ruas de São José dos Campos em protesto à ação truculenta da PM, a mando do governo do PSDB e do bandido Naji Nahas.

O ato foi uma grande demonstração de solidariedade de classe, com participação de inúmeras organizações e movimentos sociais, além de parlamentares, como os deputados federais Ivan Valente e Chico Alencar, ambos do PSOL, e vários vereadores do PT do município.

INTERSINDICAL, Conlutas, MST, MTST, Unidos Prá Lutar, Consulta Popular, MUST, PCB, PSTU, PSOL, entre outros, marcharam pelas ruas do centro de São José repudi ando a ação do prefeito Cury e do governador Alckmin, ambos do PSDB, que agiram para atender aos interesses da especulação imobiliária e dos ricos, como o bandido Nahas.

A INTERSINDICAL esteve presente com centenas de militantes com bandeiras e faixas em solidariedade ao povo do Pinheirinho. Dirigentes dos metroviários, químicos, professores, bancários, trabalhadores da radiologia e da saúde, metalúrgicos, previdenciários, entre outros militantes da Intersindical, se somaram aos demais lutadores sociais para gritar em alto e bom som que não aceitamos a criminalização de quem luta por moradia ou demais direitos sociais. 

Além de protestar contra a postura dos governos do PSDB, da justiça e da PM, os manifestantes foram unânimes em cobrar, também, da presidenta Dilma que desaproprie a área do Pinheirinho para a construção das moradias daquelas famílias que há oito anos ocupavam o bairro e construíram ali suas vidas.

Para o companheiro Paulo Pasin, presidente da Fenametro e morador de São José dos Campos, essa foi a maior manifestação já realizada na cidade.  

Gilmar Mauro, da Direção Nacional do MST, enfatizou a necessidade de continuar na luta em defesa da moradia e fortalecer a unidade dos movimentos sociais e da esquerda é fundamental para isso.          

O deputado federal Ivan Valente, que acompanhou todo o processo de negociação anterior à invasão da PM e que esteve presente no Pinheirinho ao longo do processo de expulsão dos moradores de suas casas, “o que se viu ali foi um espetáculo de cinismo por parte do PSDB e de membros da justiça, demonstrando claramente que estes são contra o povo pobre e estão a serviço das elites”. Ivan também cobrou do governo federal solução para o problema dos moradores. Já o deputado federal Chico Alencar, do PSOL RJ, manifestou sua solidariedade aos moradores do Pinheirinho e lembrou que os beneficiados pela ação do governo são os mesmos que financiam as campanhas eleitorais de partidos como o PSDB e outros.

Toninho, dirigente do PSTU e advogado das famílias narrou todo o processo de resistência do Pinheirinho e deu um recado aos mandatários do massacre realizado pela PM: “a história não guarda lugar para os exploradores, torturadores e assassinos do povo. Ninguém sabe quem assassinou Zumbi”.

Representando a INTERSINDICAL falou o membro da Coordenação Nacional Edson Carneiro, Índio, que condenou a ação do PSDB, exigiu do governo Dilma a desapropriação da área e concluiu: vivemos um processo de criminalização das lutas sociais. Para o PSDB é crime lutar por moradia. Sabemos que a moradia é um direito garantido até pela constituição. Por isso, lutar pel a moradia também é um direito. E diante da falta de um teto, lutar pela moradia é mais que um direito, é um dever. E foi isso que os moradores do Pinheirinho deixaram claro ao conjunto dos trabalhadores.

Guarda Municipal desmonta acampamento de sem-teto

Famílias desalojadas nessa quinta-feira permanecem na rua. Prefeitura ainda não cumpriu determinação de realocá-las

da Redação Brasil de Fato

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Sem-teto haviam montado barracos na calçada do

prédio que ocupavam – Foto: FLM

Na manhã desta sexta-feira (03), a Guarda Civil Metropolitana (GCM) de São Paulo desmontou o acampamento formado pelas famílias despejadas do prédio localizado na esquina das avenidas Ipiranga e São João, no centro da capital paulista, na quinta-feira (02).
Cerca de 230 famílias ocupavam o prédio de três andares, onde funcionava um bingo, desde 6 de novembro de 2011.
Após serem expulsos do imóvel, os sem-teto decidiram permanecer na calçada da avenida São João até a prefeitura prestar o atendimento devido. “Ainda estamos largados e as nossas reivindicações não foram atendidas pela prefeitura”, relata Carmem da Silva Ferreira, coordenadora do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto e representante da Frente de Luta por Moradia (FLM).

A coordenadora do MTST afirma que as famílias permanecerão no local, pois não têm para onde ir. Segundo ela, a única oferta feita pela prefeitura foi o encaminhamento dos sem-teto para abrigos e albergues. “As famílias não querem ir para abrigos. O que nós estamos reivindicando é um direito adquirido, que é o direito à moradia digna”, conta.
No último dia 17, o juiz da 14ª Vara da Fazenda Pública decidiu, por meio de liminar, que a prefeitura era obrigada a cadastrar as famílias e inscrevê-las em programas habitacionais, sob pena de multa diária no valor de R$ 3 mil. A decisão atendeu a pedido do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para que fosse garantido aos sem-teto o direito à moradias definitivas.

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Apesar da Guarda Civil ter desmontados barracos, famílias

afirmam que vão permanecer no local – Foto: FLM

Na terça-feira (31), a prefeitura conseguiu a autorização do desembargador José Maria Câmara Junior, da 9ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça, para alojar as famílias em abrigos e albergues municipais. A administração de Gilberto Kassab (PSD) alegou que não poderia privilegiar os sem-teto que ocuparam há três meses o prédio abandonado, sendo que há um milhão de pessoas cadastradas para programas habitacionais, “mas nem por isso ocuparam imóveis particulares”.
Em nota, a Secretaria Municipal de Habitação disse que a “Justiça entendeu que a prefeitura tem obrigação de conceder abrigo às famílias e incluí-las nos programas habitacionais, mas que é preciso respeitar a ordem de atendimento habitacional”.
O MP, por sua vez, recorreu ao TJ para que as famílias não sejam alojadas em albergues, antes sejam garantidas a elas moradias permanentes. “Nós entendemos que não é razoável que se separe pais de um lado, mães de outro. Nós defendemos que haja um abrigamento familiar”, esclareceu o promotor Maurício Antonio Ribeiro Lopes.
“O que nós queremos é um atendimento de moradia, que seja uma verba, um atendimento em parceria social ou, até mesmo, um local que levasse todas as famílias, sem separar os pais dos filhos”, defende a coordenadora do MTST.
O promotor afirmou que a determinação judicial passou a valer desde a reintegração de posse realizada nesta quinta-feira e que, caso a Prefeitura não a cumpra, a multa será aplicada à administração municipal. Segundo o promotor, o MP reiteirou ao Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo a necessidade do cumprimento da ordem judicial. “A obrigação de alojar essas pessoas continua sobre o município”, esclarece.

Assembleia Legislativa promove audiência sobre Pinheirinho

Intersindical manifesta apoio aos moradores desabrigados

Audiência Pública Pinheirinho - ALESPNa última quarta-feira, dia 01, ocorreu na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, uma audiência pública onde se discutiu a ação conjunta da prefeitura de São José dos Campos e do Governo Alkimin, que deixou desalojado mais de 1.500 famílias na área do pinheirinho. A audiência foi convocada pelos deputados estaduais Carlos Giannazi (PSOL) e Adriano Diogo (PT).

Participaram da reunião os ex-moradores, deputados, promotores de justiça, representantes de movimentos sociais e da OAB, além de membros da Intersindical que foram manifestar apoio às vítimas da ação truculenta da polícia.

O deputado estadual do PSOL, Carlos Giannazi, abriu o debate expondo a importância de uma CPI para investigar a ação realizada. E afirmou que está sendo preparado um dossiê para ser entregue ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e à Comissão de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos). “É inaceitável o que o governador e o prefeito Cury fizeram com os moradores do Pinheirinho”.

No auditório foram exibidos videos produzidos por militantes e movimentos que acompanharam a reitegração. Neles criança, idosos, homens e mulheres são alvos de uma ação violenta, com bombas de efeito moral e cacetes, inclusive utilizando armais letais. Nesse processo, crianças, mulheres, idosos e demais cidadãos brasileiros foram agredidos e criminalizados, como nos mostra relatos de alguns moradores.

Leniza, moradora do Pinheirinho, conta que foi obrigada a sair da cama de madrugada mesmo estando doente. E a persiguição continuou mesmo após a desocupação, segundo a ex-moradora Leila: “Mesmo nos bairros vizinhos eles tornaram a bater nos moradores e atiraram com armas letais”.

Guilherme Boulos, membro da coordenação nacional do MTST, passou de vítima a réu. Ele relata: ” Fui agredido pela polícia e a delegada me preendeu por dano ao patrimônio público”. E este não foi um fato isolado, segundo o advogado Dennis 18 pessoas foram presas sem nenhuma formalização de conduta e destas somente 6 foram soltas com a justificativa de que foram presas por acaso.

A ação da polícia foi comandada e permitida pelo prefeito Eduardo Cury (PSDB), junto ao Governo Alkimin. Com o intuito de desestabilizar um movimento de resistência , eles soteram registro de memórias e vivencias de cerca de 6 mil pessoas.

O deputado federal Ivan Valente, do PSOL, protestou “2 mil homens para retirar 6 mil famílias com aparato bélico deste tamanho, com planejamento, informação, eficácia de ação, era um treinameno para uma segunda tarefa, que era intimidar e criminalizar todos os movimentos sociais que estão lutando por moradia”.

A Intersindical se fez presente através de três companheiros da Coordenação Nacional, bem como diversos militantes e dirigentes dos sindicatos da INTERSINDICAL. Para nós, é preciso pressionar o governo Dilma a desapropriar a área do Pinheirinho para que os moradores tenham o seu direito a moradia respeitado.

Assessoria da Intersindical

Insatisfação nos quartéis é fruto da crise!

O ano de 2012 começou com a fortíssima greve unificada dos policiais militares e bombeiros do estado do Ceará, e se aprofunda com a deflagração da greve da PM no estado da Bahia. Além das mobilizações no Pará e Espírito Santo, possivelmente na próxima semana, os policiais civis, militares e bombeiros do Rio de Janeiro também devem parar.

Ocorreu o despertar dos policiais para a luta por melhores salários e condições de trabalho. A luta dos bombeiros no RJ deu exemplo de resistência. A necessidade e a justeza desta luta se espelham na defesa do PSOL pela aprovação da PEC 300. Há um conluio do governo federal e dos governos estaduais para impedir a aprovação de um piso nacional para policiais militares, e ao mesmo tempo, o governo Dilma anuncia corte de R$ 60 bilhões no orçamento 2012. Tudo isso para satisfazer os interesses dos credores da dívida pública.

É necessário afirmar que a crise nesta área afeta diretamente os mais pobres e, sua resolução, é dever dos governos estaduais e federal. Uma das principais medidas neste sentido é a aprovação da PEC 300, garantindo salários dignos aos trabalhadores, acompanhada de uma profunda reflexão sobre o atual modelo da segurança pública brasileira que hoje, infelizmente, criminaliza e persegue as maiorias excluídas como a população LGBTT, a juventude negra e o conjunto dos movimentos sociais em luta. 

Denunciamos a postura autoritária dos governos estaduais, que se juntam para reprimir os movimentos de greve. Neste caso tal atitude unifica PSDB, PT e PMDB.

O PSOL é contra que os trabalhadores paguem pela crise. Continuamos batalhando pela auditoria da dívida pública e pelo fim do superávit primário.

O PSOL exige abertura imediata de negociações com grevistas da Bahia, do RJ e dos demais estados, a mais breve aprovação da PEC 300 e o fim da criminalização dos movimentos sociais!

Brasília, 03 de Fevereiro de 2012.

Direção Nacional do PSOL

Escola de Bambu

Depois de contrair malária e conhecer um ativista contra a violência na Africa, o produtor de vídeo Vinicius Zanotti descobriu a realidade de uma counidade de 2 mil pessoas e resolveu ajudar com o que sabe fazer melhor… veja você mesmo.

Site: www.escoladebambu.com

TV Movimento

Ato Nacional em defesa do Pinheirinho

Vídeo: Carlos Roberto – kaká

Texto: Edson Carneiro – Índio

 

Em solidariedade aos desalojados do Pinheirinho a Intersindical e sindicatos participaram do ato realizado em São José dos Campos, nesta quinta-feira (02

Somos todos Pinheirinho!

Grande ato agita São José dos Campos contra a truculência da PM e do PSDB

Cerca de 5 mil pessoas ocuparam as ruas de São José dos Campos em protesto à ação truculenta da PM, a mando do governo do PSDB e do bandido Naji Nahas.

O ato foi uma grande demonstração de solidariedade de classe, com participação de inúmeras organizações e movimentos sociais, além de parlamentares, como os deputados federais Ivan Valente e Chico Alencar, ambos do PSOL, e vários vereadores do PT do município.

INTERSINDICAL, Conlutas, MST, MTST, Unidos Prá Lutar, Consulta Popular, MUST, PCB, PSTU, PSOL, entre outros, marcharam pelas ruas do centro de São José repudiando a ação do prefeito Cury e do governador Alckmin, ambos do PSDB, que agiram para atender aos interesses da especulação imobiliária e dos ricos, como o bandido Nahas.

A INTERSINDICAL esteve presente com centenas de militantes com bandeiras e faixas em solidariedade ao povo do Pinheirinho. Dirigentes dos metroviários, químicos, professores, bancários, trabalhadores da radiologia e da saúde, metalúrgicos, previdenciários, entre outros militantes da Intersindical, se somaram aos demais lutadores sociais para gritar em alto e bom som que não aceitamos a criminalização de quem luta por moradia ou demais direitos sociais. 

Além de protestar contra a postura dos governos do PSDB, da justiça e da PM, os manifestantes foram unânimes em cobrar, também, da presidenta Dilma que desaproprie a área do Pinheirinho para a construção das moradias daquelas famílias que há oito anos ocupavam o bairro e construíram ali suas vidas.

Para o companheiro Paulo Pasin, presidente da Fenametro e morador de São José dos Campos, essa foi a maior manifestação já realizada na cidade.  

Gilmar Mauro, da Direção Nacional do MST, enfatizou a necessidade de continuar na luta em defesa da moradia e fortalecer a unidade dos movimentos sociais e da esquerda é fundamental para isso.          

O deputado federal Ivan Valente, que acompanhou todo o processo de negociação anterior à invasão da PM e que esteve presente no Pinheirinho ao longo do processo de expulsão dos moradores de suas casas, “o que se viu ali foi um espetáculo de cinismo por parte do PSDB e de membros da justiça, demonstrando claramente que estes são contra o povo pobre e estão a serviço das elites”. Ivan também cobrou do governo federal solução para o problema dos moradores. Já o deputado federal Chico Alencar, do PSOL RJ, manifestou sua solidariedade aos moradores do Pinheirinho e lembrou que os beneficiados pela ação do governo são os mesmos que financiam as campanhas eleitorais de partidos como o PSDB e outros.

Toninho, dirigente do PSTU e advogado das famílias narrou todo o processo de resistência do Pinheirinho e deu um recado aos mandatários do massacre realizado pela PM: “a história não guarda lugar para os exploradores, torturadores e assassinos do povo. Ninguém sabe quem assassinou Zumbi”.

Representando a INTERSINDICAL falou o membro da Coordenação Nacional Edson Carneiro, Índio, que condenou a ação do PSDB, exigiu do governo Dilma a desapropriação da área e concluiu: vivemos um processo de criminalização das lutas sociais. Para o PSDB é crime lutar por moradia. Sabemos que a moradia é um direito garantido até pela constituição. Por isso, lutar pela moradia também é um direito. E diante da falta de um teto, lutar pela moradia é mais que um direito, é um dever. E foi isso que os moradores do Pinheirinho deixaram claro ao conjunto dos trabalhadores.         

Audiência pública sobre Pinheirinho lota Assembléia de SP. Ivan Valente questiona Alckmin sobre denúncias

Postado: Site Ivan Valente

Audiência Pública na Alesp discute violações de direitos humanos no (26)O deputado Ivan Valente participou nesta quarta-feira (01/02) da Audiência Pública realizada na Assembléia Legislativa de São Paulo em defesa dos desabrigados do bairro Pinheirinho, em São José dos Campos. A atividade contou com cerca de 230 ex-moradores da ocupação, entidades e movimentos sociais.

Também participaram da sessão os promotores Eduardo Dias de Souza e Mario Augusto Vicente Malaquias; o membro da comissão de Direitos Humanos da OAB, Lucio França; Ivan Seixas, do Condep (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos); e o defensor público Jairo Salvador de Souza. A audiência foi proposta pelos deputados estaduais Carlos Giannazzi (PSOL), Adriano Diogo e Simão Pedro (PT).

Durante a sessão, foram exibidos vídeos produzidos por militantes e movimentos que acompanharam a reintegração. Nas imagens, é possível comprovar a truculência e a falta de preparo da Polícia Militar para lidar com a situação. Depoimentos de moradores, entre emoção e revolta, expuseram o sofrimento de quem viviam no Pinheirinho e agora é sem-teto. Os relatos da violência policial, inclusive nas marcas de balas de borracha, comoveram o auditório, totalmente tomado por simpatizantes da causa. Guilherme Boulos, membro da coordenação nacional do MTST, destacou que o Pinheirinho deve servir de exemplo de resistência a outros casos semelhantes que acontecem pelo Brasil.

Os depoimentos dos moradores serão encaminhados para a OEA (Organização dos Estados Americanos). A comunidade do Pinheirinho também que acionar criminalmente o governador Geraldo Alckmin (PSDB), o prefeito de São José dos Campos, Eduardo Cury (PSDB), e a juíza Márcia Loureiro, responsável pela liminar que autorizou a reintegração de posse do terreno.

Audiência Pública na Alesp discute violações de direitos humanos no (4)Em sua fala, o deputado federal Ivan Valente relatou o esforço feito junto às autoridades no sentido de tentar evitar a reintegração. Em especial, destacou a quebra de acordo permitida pelo presidente em exercício do Tribunal de Justiça de São Paulo, Ivan Sartori, que havia concordado em suspender o processo da falência da empresa Selecta, dona do terreno, por 15 dias – o que daria mais prazo para as negociações antes da execução da ordem judicial. Para Ivan Valente, a repressão contra o Pinheirinho também foi um exemplo que o Estado deu no sentido de eliminar novas ocupações pelos movimentos que defendem o direito à moradia.

“Agora, a continuidade dessa luta é que precisa ser exemplar, para o desgaste daqueles que usaram a Polícia Militar e a truculência contra o direito à moradia e a favor da propriedade privada. Nunca vi tanto cinismo em uma ação. Quando se for contar a história da reintegração do Pinheirinho é que vamos ver a quem serve a Justiça brasileira. E não é ao povo excluído”, afirmou Valente.

Na próxima semana, quando voltam os trabalhos do Congresso Nacional, junto com o deputado federal do PSOL/RJ Chico ALencar, Ivan Valente vai propor a realização de uma audiência pública sobre o caso Pinheirinho na Comissão de Direitos Humanos da Câmara.

Questionamento ao governador Alckmin

Nesta quarta-feira, o deputado Ivan Valente também protocolou, no Palácio dos Bandeirantes, um pedido de informações ao governador Alckmin sobre denúncias de uso indevido da força e de violações de direitos humanos praticadas por agentes do Estado durante a operação de reintegração de posse do Pinheirinho. No documento, o parlamentar do PSOL questiona quais as providências tomadas pelo governo estadual diante da denúncia de 12 casos relatados por testemunhas, a maior parte deles comprovada em vídeos registrados no dia da operação.

Entre as denúncias, estão o uso de bombas de efeito moral e balas de borracha pela PM contra moradores, incluindo crianças, dentro da ocupação e no abrigo para onde foram levados os desalojados; a agressão física injustificada contra um morador do Pinheirinho dentro deste abrigo; o uso de armas de fogo para intimidação dos moradores; a participação de policiais sem identificação na operação; e o cerceamento à liberdade de imprensa durante a ação da PM.

O documento questiona ainda a negligência do governo acerca dos alojamentos improvisados que foram oferecidos aos moradores do Pinheirinho; e pede que o governador Alckmin se pronuncie sobre a suspeita de assassinato de três pessoas, incluindo uma criança de quatro anos. Há relatos sobre o encaminhamento deliberado de corpos para outras zonas de São José dos Campos ou outras cidades, para desvincular as supostas mortes da operação de desocupação do Pinheirinho.

“O governador Alckmin tem dado declarações à imprensa afirmando que não houve qualquer violência policial na operação em São José dos Campos. No entanto, há inúmeras testemunhas que denunciam e vídeos que comprovam agressões aos moradores. Queremos saber o que o governo estadual tem a dizer sobre cada um desses doze casos”, disse Ivan Valente.

CLIQUE AQUI para ver o álbum de fotos completo da audiência pública na Assembléia Legislativa.

Pinheirinho: Protesto reúne 4 mil hoje (02/fev/12) em S.J. Campos

 

Postado: Químicos Unificados

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Cerca de 4 mil pessoas realizaram uma manifestação em apoio aos moradores da ocupação Pinheirinho, em São José dos Campos. Os manifestantes protestaram contra a repressão da Polícia Militar na desocupação do terreno onde as famílias viviam desde 2004 e pedem que a presidenta Dilma Rousseff desaproprie a área.

O protesto começou por volta das 11h30 desta quinta-feira. Participaram da manifestação os moradores do Pinheirinho, integrantes de movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), assim como do movimento estudantil, de partidos políticos e das centrais sindicais, entre eles o Sindicato Químicos Unificados e a Intersindical.

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Os manifestantes realizaram uma marcha desde a praça Afonso Pena até a prefeitura de São José dos Campos, passando pela Câmara dos Vereadores, que estava com os portões trancados, e o centro da cidade.

“Essa manifestação de hoje, que reuniu diversas centrais sindicais, movimentos sociais e partidos políticos que vieram protestar a favor do Pinheirinho, não se prende apenas a questão da moradia, mas a melhores salários, educação e saúde para toda a classe trabalhadora”, afirmou Nanci Galvão, coordenadora do Fórum de Resistência do Pinheirinho.

Os movimentos sociais que participaram do ato organizaram diversas formas de ajuda às famílias, como a doação de alimentos vindos dos assentamentos do MST. Desde a desocupação, os moradores do Pinheirinho passam por uma série de dificuldades de alojamento adequado e alimentação. Algumas pessoas relatam que assistentes sociais da prefeitura de São José dos Campos estão oferecendo passagens para que os moradores desalojados do Pinheirinho retornem para suas terras de origem.

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A manifestação também teve o como objetivo denunciar e protestar contra despejos violentos e ilegais ocorridos com frequência no estado de São Paulo, além de cobrar dos governos municipal e estadual a resolução dos problemas das famílias retiradas do local.

De acordo com o deputado federal Ivan Valente (Psol/SP), presente na manifestação, será instaurada uma Comissão de Direitos Humanos na Câmara dos Deputados “para que seja investigada tanto a violência ocorrida no dia da desocupação das famílias quanto a forma de moradia nos alojamentos, que segundo a população do Pinheirinho é inapropriada”.

Fonte: Jornal Brasil de Fato (http://www.brasildefato.com.br/)
Fotos: João Zinclar (19-9121.8425)

Mais imagens do protesto de hoje

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ACESSE AQUI para ler – e ver fotos – sobre o histórico da violenta desocupação no Pinheirinho feita pela Polícia Militar no dia 22 de janeiro, e sobre os protestos realizados em São Paulo (praça da Sé) e em Campinas.

Pinheirinho recebe apoio nacional e internacional

Protestos contra a repressão aos moradores da ocupação se espalharam pelo Brasil e chegaram a outros países

02/02/2012

da Redação Brasil de Fato

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Brasileiros protestam na Alemanha contra repressão no Pinheirinho

Foto: Isaumir Nascimento/Divulgação

As manifestações de apoio e solidariedade aos moradores da ocupação Pinheirinho, em São José dos Campos, se espalharam por todo o país e chegaram até a outros países. Desde a desocupação violenta da área promovida pela Polícia Militar (PM) no último dia 22, movimentos sociais, estudantis e sindicais promoveram diversos atos em repúdio à ação.
As manifestações buscam denunciar a conduta dos governos estadual e municipal do PSDB que ordenaram de forma ilegal o despejo das 1,6 mil famílias da ocupação Pinheirinho.
Já foram realizados atos em Belo Horizonte (MG), Bragança Paulista (SP), Brasília (DF), Camaçari (BA), Campinas (SP), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Fortaleza (CE), Maceió (AL), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ), Boa Vista (RR), São José dos Campos (SP) e São Paulo (SP).
Na segunda-feira (30), durante uma visita da presidenta Dilma Rousseff à cidade de Camaçari, na Bahia, foi realizado um protesto por militantes do PSTU. O objetivo foi denunciar “o massacre organizado pelo PSDB aos moradores do Pinheirinho e a omissão do governo Dilma”, conforme nota do partido.
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin também foi recebido por protestos em uma visita à cidade de Bragança Paulista, no interior do estado. Alckmin, que foi receber o título de cidadão bragantino na Prefeitura Municipal, estava cercado de seguranças e da Polícia Militar e de Guardas Municipais, que impediram a entrada dos manifestantes no local.
Nesta quinta-feira (02), ocorre um ato nacional em São José dos Campos, com cerca de 4 mil pessoas de vários estados, integrante de movimentos sociais e estudantis, de centrais sindicais e de partidos políticos.
Apoio internacional
Também foram realizados protestos de repúdio à violência contra os moradores do Pinheirinho em diversos países. As manifestações fora do Brasil também pedem a desapropriação do terreno de onde as famílias foram expulsas para que possam retornar para a área que habitam desde 2004.
De acordo com a Conlutas, ocorreram protestos na Alemanha, Argentina, Costa Rica, El Salvador, Escócia, Espanha, Estados Unidos, França, Haiti, Honduras, Inglaterra, Irlanda, Italia, Japão, Paraguai, Portugal, Rússia, Ucrania e Venezuela.
Na Alemanha, um grupo de manifestantes brasileiros protestou na última terça-feira (31) em frente à embaixada do Brasil em Berlim, capital da Alemanha. Eles ergueram uma faixa com a frase "Wir sind alle Pinheirinho" ("Somos todos Pinheirinho").

Em São José dos Campos, movimentos manifestam apoio à comunidade do Pinheirinho

Os manifestantes protestam contra a repressão da PM na desocupação do terreno e pedem que a presidenta Dilma Rousseff desaproprie a área

Matéria da Redação Brasil de Fato

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Manifestação em São José dos Campos – Foto: Carlos Roberto kaká

Cerca de 4 mil pessoas realizam uma manifestação em apoio aos moradores da ocupação Pinheirinho, em São José dos Campos. Os manifestantes protestam contra a repressão da Polícia Militar na desocupação do terreno onde as famílias viviam desde 2004 e pedem que a presidenta Dilma Rousseff desaproprie a área.

O protesto começou por volta das 11h30 desta quinta-feira. Participam da manifestação moradores do Pinheirinho, integrantes de movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), assim como do movimento estudantil, de partidos políticos e das centrais sindicais.

Os manifestantes realizaram uma marcha desde a praça Afonso Pena até a Prefeitura de São José dos Campos, passando pela Câmara dos Vereadores, que estava com os portões trancados, e o centro da cidade.

“Essa manifestação de hoje, que reuniu diversas centrais sindicais, movimentos sociais e partidos políticos que vieram protestar a favor do Pinheirinho, não se prende apenas a questão da moradia, mas a melhores salários, educação e saúde para toda a classe trabalhadora”, afirmou Nanci Galvão, coordenadora do Fórum de Resistência do Pinheirinho.

Os movimentos sociais que participam do ato organizaram diversas formas de ajuda às famílias, como a doação de alimentos vindos dos assentamentos do MST. Desde a desocupação, os moradores do Pinheirinho passam por uma série de dificuldades de alojamento adequado e alimentação. Algumas pessoas relatam que assistentes sociais da prefeitura de São José dos Campos estão oferecendo passagens para os moradores desalojados do Pinheirinho retornarem para suas terras de origem.

 

A manifestação também tem como objetivo denunciar e protestar contra despejos violentos e ilegais ocorridos com frequência no estado de São Paulo, além de cobrar dos governos municipal e estadual a resolução dos problemas das famílias retiradas do local.

De acordo com o deputado federal (PSOL) Ivan Valente, presente na manifestação, será instaurada uma Comissão de Direitos Humanos na Câmara dos Deputados “para que seja investigada tanto a violência ocorrida no dia da desocupação das famílias quanto a forma de moradia nos alojamentos, que segundo a população do Pinheirinho é inapropriada”.

Histórico

Ato Nacional em defesa do pinheirinho (8)

Manifestantes protestam ação da Justiça Estadual e

da Prefeitura de São José dos Campos – Foto: Carlos Roberto kaká

Em uma operação de guerra, mais de 2 mil policiais, amparados por 2 helicópteros e dezenas de carros, expulsaram de forma violenta as 1,6 mil famílias que viviam na ocupação Pinheirinho. A PM cumpriu ordem de reintegração de posse da Justiça Estadual e da Prefeitura de São José dos Campos.

Durante a ação da PM, um juiz do Tribunal Regional Federal (TRF) chegou a determinar a suspensão da retirada das famílias, mas o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) manteve a ordem de reintegração de posse. Além disso, a ação foi realizada sem considerar as negociações para regularização da área que já haviam sido iniciadas entre os governos federal, estadual e municipal.

O terreno de 1,3 milhão de metros quadrados, localizado na zona sul de São José dos Campos, pertence à massa falida da empresa Selecta, do grupo de Naji Nahas, que entrou com o processo para a retirada das famílias na época da ocupação iniciada em dia 27 de fevereiro de 2004, após a expulsão violenta dos sem-teto de um terreno no bairro Campo dos Alemães.

Ato Nacional em defesa do Pinheirinho

 

Por: Carlos Roberto – kaká

Somos todos Pinheirinho!

Pinheirinho e meu amigo mexeram com ele mexeu comigo!

 

No dia 2 de fevereiro todos os militantes de diversos partidos de esquerda, movimentos sociais, estudantes, movimento sindical estiveram na cidade de São José dos Campos para levar todo apoio aos moradores do Pinheirinho que sofreram um total ataque do governo Geraldo Alckmin e do prefeito Eduardo Cury ambos do partido PSDB que tiraram a força os moradores de suas casas com essa policia assassina e covarde com o total apoio do judiciário.

 

 

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“A causa fundamental da crise financeira é a lógica do próprio capitalismo”

Para o professor François Houtart, somos confrontados com uma lógica que corre ao longo da história econômica do século passado

Nilton Viana

da Redação Brasil de Fato

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O sociólogo belga François Houtart – Foto Roosewelt Pinheiro/ABr

A crise que vivemos é mais profunda e bastante diferente da que conhecemos nos anos 1929 e 1930, afirma o professor François Houtart. Segundo ele, sua dimensão evidentemente está vinculada ao fenômeno da globalização. Porém, ressalta que a atual crise não é nova. Não é a primeira crise do sistema financeiro e muitos dizem que não será a última. Houtart acredita que o mais importante, e isso é diferente dos anos 1929 e 1930, é essa combinação com vários tipos de crises. E afirma: a causa fundamental da crise financeira é a lógica do próprio capitalismo. “A crise financeira é devida à lógica do capital, que tenta buscar mais lucros para acumular capital, que é, dentro dessa teoria, o motor da economia”.

Em entrevista ao Brasil de Fato, Houtart fala também sobre as várias facetas desta crise, inclusive a crise alimentar, a qual, segundo ele, faz parte da mesma lógica. “A combinação da crise econômica com a alimentar é algo novo. Porém, são vinculadas”.

Brasil de Fato – O mundo vive hoje uma crise mundial, que tem afetado principalmente os Estados Unidos e a Europa. Como o senhor avalia esse cenário?

François Houtart – Eu penso que, primeiro, se trata de uma crise do sistema econômico capitalista, que é muito similar à crise dos anos de 1929-1930 e também a muitas outras crises cíclicas do sistema capitalista onde há subprodução, subconsumo e eventualmente crises financeiras.

A crise que vivemos hoje me parece mais profunda e bastante diferente da que conhecemos nos anos 1929 e 1930, porque, primeiro, sua dimensão evidentemente está vinculada ao fenômeno da globalização. Isso significa que hoje há um efeito muito mais global do que nos anos de 1929-1930 e que evidentemente afeta o conjunto da economia. Já está afetando os países emergentes e de uma maneira ou outra afetará outros países do mundo. Porém, o mais importante, e isso é diferente dos anos 1929 e 1930, é essa combinação com vários tipos de crises. Por exemplo, a crise alimentar, que foi conjuntural nos anos 2008-2009 e que correspondeu à crise do capital financeiro. Porque o capital financeiro tem buscado novos lugares de especulação e o lugar foi a alimentação, com conseqüências terríveis. E a crise alimentar é também estrutural e não somente conjuntural, porque precisamente afeta toda a maneira de fazer a agricultura. E a introdução cada vez mais forte do capital dentro da agricultura, com a concentração de terras, gera uma contrarreforma agrária mundial e o desenvolvimento de monocultivos, com todas as consequências ecológicas de destruição de ambiente e também de destruição humana; por exemplo, a exclusão dos camponeses de suas terras.

A combinação da crise econômica com a alimentar é algo novo. Porém, são vinculadas. Na verdade, a crise financeira é devida à lógica do capital, que tenta buscar mais lucros para acumular capital, que é, dentro dessa teoria, o motor da economia. Se o capital financeiro é mais proveitoso do que o produtivo, ele faz a lei da economia mundial como é hoje. Assim, essa é evidentemente a lógica do capitalismo que provoca a crise financeira, que tem efeitos econômicos, porque tem efeitos sobre emprego, crédito e toda a economia. Porém, é essa mesma lógica que está provocando a crise alimentar, porque, por uma parte, há uma especulação – o preço do trigo, por exemplo, tem dobrado 100% em um ano, menos de um ano, por razões puramente especulativas.

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A inclusão do capital na agricultura teve como uma de suas consequências

a exclusão dos camponeses de suas terras – Foto: P.Casier/CGIAR

E quais são as conseqüências sociais dessa crise?

Na verdade, as consequências sociais da crise financeira são sentidas além das fronteiras da sua própria origem e afetam os fundamentos da economia. Desemprego, custo de vida crescente, a exclusão dos mais pobres, a vulnerabilidade das classes médias, expandindo a lista de vítimas no mundo. Não é apenas um acidente no percurso, ou apenas de abusos cometidos por alguns atores econômicos que precisam ser punidos. Somos confrontados com uma lógica que corre ao longo da história econômica do século passado. O desenrolar dos acontecimentos sempre responde à pressão das taxas de lucro. A crise que vivemos hoje não é nova. Não é a primeira crise do sistema financeiro e muitos dizem que não será a última.

A seu ver, qual é a principal causa dessa crise mundial?

A causa fundamental da crise financeira é a lógica do próprio capitalismo, que torna o capital motor da economia. E seu desenvolvimento – essencialmente, a acumulação – leva à maximização do lucro. Se a financeirização da economia favorece a taxa de lucro e se a especulação acelerou o fenômeno, a organização da economia como um todo continua dessa forma. Mas um mercado não regulamentado capitalista conduz inevitavelmente à crise. E, como indicado no relatório da Comissão das Nações Unidas, é uma crise macroeconômica.

Um dos graves problemas da humanidade hoje é a fome. Como fica essa questão frente a esse cenário de crise?

A crise alimentar tem dois aspectos, um cíclico e um estrutural. O primeiro manifestou-se com o aumento dos preços dos alimentos em 2007 e 2008. Sim, para explicar o fenômeno, houve alguma base eficiente, como alguma diminuição fraca em reservas de alimentos, mas a principal razão foi de natureza especulativa, em que a produção de agrocombustíveis não ficou imune (etanol de milho nos Estados Unidos). Assim, o preço do trigo na Chicago Board (Bolsa de Chicago) aumentou para 100%, do milho 98% e do etanol, 80%. Durante esses anos, uma parte do capital especulativo passou de outros setores para investir na produção de alimentos, na busca por lucros rápidos e significativos. Consequentemente, segundo o diretor da FAO, em geral, a cada ano, em 2008 e 2009, mais de 50 milhões de pessoas ficaram abaixo da linha da pobreza e o total de pessoas que viviam nessa situação em 2008 atingiu um valor nunca antes conhecido – de mais de um bilhão de pessoas. Essa situação foi claramente o resultado da lógica do lucro, a lei capitalista do valor.

O segundo aspecto é estrutural. É a expansão durante os últimos anos da monocultura, resultando na concentração da terra, ou seja, uma verdadeira contrarreforma. A agricultura familiar foi destruída em todo o mundo sob o pretexto de sua baixa produtividade. Na verdade, as monoculturas têm uma produção que às vezes pode ir até 500% ou mais de 1000%. No entanto, dois fatores devem ser levados em conta. A primeira é a destruição ecológica dessa forma de produzir. Florestas são removidas, solo e água contaminados pelo uso maciço de produtos químicos. Agricultores são forçados a deixar suas terras e há milhões que têm de migrar para as favelas das cidades, aumentando a crise urbana, e aumentando a pressão da migração interna, como no Brasil, ou externa, como em muitos outros países.

Então a fome no mundo não tem nada a ver com a produção de alimentos, com a capacidade de produzir?

Não. Não tem nada a ver com a produção. A questão é somente especulativa. É a Bolsa de Chicago que fixa os preços internacionais dos grãos.

E como o senhor vê as afirmações de alguns estudiosos de que o planeta, com uma população na casa dos 7 bilhões de pessoas, se torna incapaz de produzir alimentos para nutrir tanta gente?

Isso é totalmente falso. Segundo a FAO, teoricamente a Terra pode facilmente nutrir 10 ou 12 bilhões de habitantes.

E a questão energética, também faz parte desse cenário de crise?

A crise de energia vai além da explosão conjuntural dos preços do petróleo e faz parte do esgotamento dos recursos naturais explorados pelo modelo de desenvolvimento capitalista. Uma coisa é clara: a humanidade vai ter que mudar a fonte de sua energia nos próximos 50 anos. Os picos de petróleo, urânio e gás podem ser discutidos em termos de anos precisos, mas ainda assim sabemos que esses recursos não são inesgotáveis e que as datas não estão longe. Com o esgotamento, inevitavelmente vem o aumento dos preços das commodities, com todas as consequências sociais e políticas. Além disso, o controle internacional de fontes de energia fósseis e outros materiais estratégicos é cada vez mais importante para as potências industriais, que não hesitam em usar a força militar para se apropriar deles. É no contexto de escassez de energia no futuro que se insere parte do problema dos agrocombustíveis. Diante da expansão da demanda e da redução esperada em recursos energéticos fósseis, há uma certa urgência de se encontrar soluções. Como novas fontes de energia exigem o desenvolvimento de tecnologias ainda não muito avançadas (como a solar ou à base de hidrogênio) e outras soluções são interessantes, mas economicamente marginais ou não rentáveis (mais uma vez, a solar e a eólica), a dos agrocombustíveis pareceu interessante.

Mas a produção dos agrocombustíveis traz também graves consequências.

A produção de agrocombustível é feita na forma de monocultura. Em muitos casos, isso envolve a remoção de grandes florestas. Na Malásia e na Indonésia, em menos de 20 anos 80% da floresta original foi destruída pelas plantações da palma e eucalipto. A biodiversidade é removida, com todas as consequências sobre a reprodução da vida. Para produzir é usado não só muita água, mas um monte de produtos químicos, como fertilizantes ou pesticidas. O resultado é uma poluição intensiva de água subterrânea, dos rios que desembocam no mar, e um perigo real de falta de água potável para as populações. Além disso, os pequenos agricultores são expulsos e muitas comunidades indígenas perdem suas terras ancestrais, causando uma série de conflitos sociais, até mesmo violentos. O desenvolvimento de agrocombustíveis corresponde à negligência das externalidades ambientais e sociais, típicas da lógica do capitalismo.

E como o senhor vê a questão climática nesse cenário atual?

A crise climática é bem conhecida e as informações estão se tornando mais precisas, graças a várias conferências da ONU sobre clima, biodiversidade, geleiras etc. Enquanto o atual modelo de desenvolvimento continuar emitindo gases de efeito-estufa (especialmente CO2), destruindo os sumidouros de carbono, ou seja, sítios naturais de absorção desses gases, especialmente florestas e os oceanos, a crise continuará. A pegada ecológica é de tal ordem que, de acordo com estimativas, em 2010, em meados de agosto, o planeta tinha esgotado a sua reprodução natural. Além disso, de acordo com o relatório do Dr. Nicholas Stern para o governo britânico, em 2006, se as tendências atuais continuarem na metade do século existirão entre 150 e 200 milhões de migrantes climáticos, e os mais recentes números são ainda mais elevados.

E como o senhor avalia as medidas adotadas pelas elites e governos para tentar superar essas crises? E quais são as soluções?

A primeira solução é a do sistema. Alguns, principalmente preocupados com a crise financeira, propuseram mudar e punir os responsáveis. Essa é a teoria do capitalismo (teoria neoclássica em economia), que vê elementos positivos na crise, porque eles permitem a liberação de elementos fracos ou corruptos para retomar o processo de acumulação em bases saudáveis. Atores são alterados, e não se muda o sistema. Evidentemente não é solução. A segunda visão é propor regulamentos. É reconhecido que o mercado regula a si mesmo e que os organismos nacionais e internacionais têm necessidade de executar essa tarefa. Os Estados e organizações internacionais devem ser envolvidos. O G8, por exemplo, propôs certos regulamentos do sistema econômico global, mas ligeiros e temporários. Em vez disso, a ONU apresentou uma série de regulamentações muito mais avançadas. Propôs a criação de um Conselho de Coordenação Econômica Global, em pé de igualdade com o Conselho de Segurança, e também um painel internacional de especialistas para acompanhar permanentemente a situação econômica global. Outras recomendações tratadas foram a abolição dos paraísos fiscais e do sigilo bancário e, também, maiores requisitos de reservas bancárias e um controle mais rígido das agências de notação de crédito. A profunda reforma das instituições de Bretton Woods foi incluída, bem como a possibilidade de se criar moedas regionais em vez de ter como referência única o dólar. Os regulamentos propostos pela Comissão Stiglitz para reconstruir o sistema financeiro e monetário, apesar de algumas referências a outros aspectos da crise, tais como clima, energia, alimentos – e apesar do uso da palavra sustentável para qualificar o crescimento – não têm a profundidade suficiente para fazer a pergunta: para que reparar o sistema econômico? Para desenvolver, como antes, um modelo que destrói a natureza e é socialmente desequilibrado? É provável que as propostas para reformar o sistema monetário e financeiro serão eficazes para superar a crise financeira, e muito mais do que o que foi feito até agora, mas é suficiente para responder a desafios globais contemporâneos? A solução é dentro do capitalismo, um sistema historicamente esgotado, mesmo que tenha ainda muitos meios de adaptação. A gravidade da crise é tal que devemos pensar em alternativas, não somente em regulações.

E, quais seriam, por exemplo, essas outras alternativas?

Questionar o próprio modelo de desenvolvimento. A multiplicidade de crises que foram exacerbadas nos últimos tempos é resultado da lógica de mesmo fundo: uma concepção de desenvolvimento que ignora as “externalidades” (danos naturais e sociais); a ideia de um planeta inesgotável; o foco no valor de troca em detrimento do valor de uso; e a identificação da economia com a taxa de acumulação de lucro e do capital que cria, consequentemente, enormes desigualdades econômicas e sociais. Esse modelo resultou em um crescimento espetacular da riqueza global, mas seu papel histórico se perdeu, devido à sua natureza destrutiva e da desigualdade social que resultou. A racionalidade econômica do capitalismo, escreve Wim Dierckxsens, não apenas tende a negar a vida da maioria da população mundial como também destrói a vida natural.

Temos que discutir alternativas ao modelo econômico capitalista prevalecente hoje e os meios para rever o próprio paradigma (orientação básica) da vida coletiva da humanidade sobre o planeta, conforme definido pela lógica do capitalismo, que hoje é global. A vida coletiva é composta por quatro elementos que chamamos de base, porque as exigências são parte da vida de toda sociedade, desde as mais antigas até as mais contemporâneas: a relação com a natureza; a produção da base material da vida física, cultural e espiritual; a organização social e política coletiva; e a leitura do real e autoenvolvimento dos atores na sua construção da cultura. Ou seja, cada sociedade tem essa tarefa para realizar.

Mas as alternativas necessariamente passam pelo envolvimento do conjunto da sociedade organizada, dos movimentos sociais.

Exatamente. As alternativas são tão importantes que não vão chegar por si só. É somente pela pressão dos movimentos sociais, movimentos políticos também, que podemos esperar chegar a redefinir os objetivos fundamentais da presença humana no planeta e o desenvolvimento humano no planeta. E isso significa transformar a relação com a natureza. Passar da exploração ao respeito. Significa outra definição da economia. Não somente produzir um valor agregado senão produzir as bases da vida. Da vida física, cultural, espiritual de todos os seres humanos no planeta. Isso é a economia. Porém, isso não corresponde à definição do capitalismo. Também é preciso generalizar a democracia a todas as instituições, não somente políticas e econômicas mas também na relações humanas, relações entre homens e mulheres etc. É necessário também não identificar desenvolvimento com civilização ocidental e dar a possibilidade a todas as culturas, religiões, filosofias de participar dessa construção. Isso é o que chamo de construir o bem comum da humanidade, que é a vida; assegurar a vida, a vida do planeta e a vida da humanidade. Isso é um projeto alternativo, que pode parecer utópico. Porém não é utópico porque existem milhares de organizações e movimentos sociais que já trabalham para transformar esses aspectos da vida comum da humanidade, para melhorar a relação com a natureza, para ter outro tipo de economia, para ter uma participação, uma democracia que seja participativa e para renovar a cultura. Existem muitas iniciativas. Isso posso chamar de construção do socialismo. Porque socialismo não é uma palavra. É um conteúdo. E eu penso que devemos redefinir o conteúdo do socialismo.

Como o senhor analisa a América Latina neste contexto da crise e qual é o papel dos movimentos sociais?

É muito interessante porque a América Latina é o único continente do mundo onde temos tido alguns avanços. Não ainda na opção de novo paradigma, nova orientação fundamental, porém, pelo menos avanços, que não existem em outros continentes até agora. Mas não é algo generalizado na América Latina. Há alguns países que só reproduzem o sistema, com sua dependência ao capital internacional, particularmente do norte do continente americano. São países como México, Colômbia, Chile, Panamá, Costa Rica, Honduras etc. São países onde a burguesia local está totalmente vinculada com o sistema internacional e, nesse sentido, não tem outro projeto senão um projeto muito repressivo contra as populações.

Subordinação total.

Exatamente. Há uma segunda realidade, que são os países que podemos chamar de “adaptações ao sistema”. E aí existem dois tipos de países. Há os que dizem: sim, o sistema necessita de mudanças fundamentais e devemos nos adaptar à lógica do capitalismo. E para se ter mais justiça social e repartir parte do lucro, como já dizia Marx, com o rápido avanço das forças produtivas, temos um aumento dos lucros e da destruição da natureza. Nesse tipo de desenvolvimento se inserem Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, que possuem programas sociais eficazes. Com resultados indubitáveis porque milhões de pessoas saíram da pobreza, o que não podemos desprezar, porém, esse modelo não transforma profundamente a sociedade; isso representa apenas uma redistribuição de parte do lucro. Não podemos dizer que é uma mudança de paradigma. Entretanto, há países como Venezuela, Equador e a Bolívia, que têm outro discurso, o do socialismo do século 21, que pelo menos faz uma alusão a uma transformação fundamental. Pelo menos no Equador e na Bolívia, entre o discurso e a prática eu vejo grande avanços, em que as práticas dos governos seguem uma orientação das demandas sociais apresentadas pelos movimentos sociais.

Então, neste contexto de crise, os países que estão mais vulneráveis sofrem mais as consequências?

Não estou seguro. Teoricamente pode-se dizer que sim, esses países serão mais afetados em médio prazo. Porém, no momento é igual em todas as partes. Mas, evidentemente, os países mais vinculados ao sistema serão mais afetados em médio prazo. Entretanto, desgraçadamente, países como Venezuela e Bolívia também são indiretamente dependentes do sistema global e sofrerão as consequências. O que eu acho que é cedo demais pra se dizer, com diz Samir Amin, que eles conseguiram fazer uma desconexão. Não, não conseguiram. Mas é óbvio que as economias mais vinculadas à economia do Norte sofrerão as consequências a curto prazo.

No caso da América Latina, uma maior integração dos países seria uma alternativa frente a esse cenário mundial? O papel do Estado é fundamental neste contexto?

Absolutamente. Mas, para encerrar a tipologia, eu penso que a Venezuela é um país que avança para um novo modelo, onde as mudanças são mais aprofundadas. O papel do Estado não pode ser concebido sem levar em conta a situação dos grupos mais marginalizados socialmente, os sem-terra, as castas mais baixas ignoradas por milênios, os povos indígenas da América e os excluídos de ascendência africana; e, nesses grupos, as mulheres são muitas vezes duplamente marginalizadas. A expansão da democracia também se aplica para o diálogo entre os movimentos políticos e sociais. A organização de instâncias de consulta e diálogo pertence ao mesmo conceito, respeitando a autonomia mútua. O projeto de um conselho de movimentos sociais na arquitetura geral da Alba é uma tentativa original nessa direção. O conceito de sociedade civil muitas vezes utilizados para esse fim ainda é ambíguo, porque ela é também o lugar da luta de classes: há realmente uma sociedade civil de baixo e de cima e o uso do termo de forma não qualificada permite muitas vezes a criação de uma confusão e a apresentação de soluções que ignoram as diferenças sociais. Por outro lado, as formas de democracia participativa, como os encontrados em vários países latino-americanos, também entram na mesma lógica da democracia em geral. Todas as novas instituições regionais latino-americanas, como o Banco do Sul, a moeda regional (o sucre) e a Alba, serão objeto de atenção especial na direção de propagação da democracia. E o mesmo vale para os outros continentes.

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François Houtart é sociólogo e professor da Universidade Católica de Louvain (Bélgica). É diretor do Centro Tricontinental, entidade que desenvolve trabalho na Ásia, África e América Latina.

A volta da indústria da seca

Na contramão das propostas de convivência com a região, governo federal lança programa que deve beneficiar grandes empresas 

Janeiro/2012 – Postado: Brasil de Fato

Lívia Bacelete e Helen Borborema

de Belo Horizonte e Porteirinha (MG)

Arcoverde_PE_Dionete_FotoFredJordao-Asacom (4)No final de 2011, a população do semiárido brasileiro, região que abriga 1.133 municípios dos estados do Nordeste, além dos nortes de Minas Gerais e Espírito Santo, recebeu a notícia do governo federal de que não seria mais estratégico investir na proposta dos Programas de Formação e Mobilização Social para Convivência com o Semiárido. Desenvolvido há anos pela Articulação no Semi-Árido (ASA) – coletivo que reúne mais de 750 entidades – o projeto trabalha com tecnologias sociais populares de captação e armazenamento de água para consumo humano e para a produção de alimentos.    

Agricultora recolhe em balde água de

cisterna – Fotos: Fred Jordão/Arquivo ASACom

Após o anúncio, em apenas cinco dias as organizações da ASA organizaram uma manifestação de 15 mil pessoas entre Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), o que fez com que rapidamente o governo aceitasse dialogar. Apesar de essa situação ter sido revertida temporariamente, com a prorrogação do investimento no programa por mais quatro meses e abertura de negociações para sua continuidade, o governo já anunciou o lançamento do Programa Água Para Todos.     

Segundo informações oficiais, em apenas dois anos cerca de 300 mil famílias terão suas cisternas para captação de água da chuva. Para as organizações da ASA, seria bom se não fosse o fato de como isso vai acontecer. Ao invés de continuar a parceria com a Articulação, o Ministério da Integração Nacional já anunciou a distribuição de cisternas de plástico (polietileno).     

Concentração de renda

Por meio do programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), a ASA busca o envolvimento e capacitação das famílias na construção das cisternas, que são feitas de placa. Consequentemente, os movimentos e entidades locais temem que, ao invés de gerar renda para a economia local, seja nas casas de materiais de construção, seja para os pedreiros das comunidades, o Programa Água Para Todos passe a concentrar a renda e favorecer grandes empresas.        

Segundo Naidison Quintela, da coordenação nacional da ASA, as cisternas de plástico, além de virem prontas e gerarem renda para as empresas, “não envolvem as famílias e bloqueiam um processo de desenvolvimento endógeno, que as cisternas de placas desenvolvem”. Ele afirma que o governo tem autonomia de continuar fazendo as cisternas de plástico e a Articulação não pode impedir. “Vamos debater com o governo e nos posicionar contra. “Avaliamos que o governo Dilma vai pagar caro por esse equívoco”.    

Para Naidison, a ideia de garantir acesso à água para as famílias do semiárido é uma atitude inédita e deve ser saudada positivamente, mas o processo deve ser debatido. “A ASA tem restrições à tentativa de executar isso dentro de um processo demasiadamente apressado”, afirma.     

“Construir 750 mil cisternas em dois anos é desconhecer o processo do semiárido, das comunidades, da perspectiva de convivência com o semiárido que vem sendo implantado através da cisterna de placas e voltar a processos antigos de combate à seca, de grandes projetos, que sabemos que não deram resultados”, completa.       

De acordo com a ASA, outro grande gargalo das cisternas de plástico é o fato de elas custarem mais do que o dobro das cisternas de placas convencionais, construídas com ferro e cimento. Enquanto a de plástico custa em média R$ 5 mil, o custo total de cada uma das cisternas de placas é, em média, R$ 2.100 – este valor é “distribuído” nas economias locais da própria região. Com isso, ao invés de 300 mil cisternas de plástico, com os mesmos recursos a ASA poderia construir cerca de 750 mil de placas.  

Arcoverde_PE_Dionete_FotoFredJordao-Asacom (2)

O semiárido de hoje é muito diferente daquele que existia antes da

mudança de perspectiva do combate à seca para a convivência

Outro aspecto alvo de crítica é a forma como o governo escolheu para o Programa Água para Todos ser implementado. No lugar de continuar as implementações no semiárido em parceria com a ASA e sociedade civil, o governo optou pelas parcerias com os estados e prefeituras.      

Para Roberto Malvezzi, o Gogó, da coordenação nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), o povo já está acostumado com esse jogo. “Em governos petistas, achávamos que essa prática estaria definitivamente enterrada”, porém “Dilma, em nome de seu ‘crescimentismo acelerado’, ressuscitou a indústria da seca”, afirma.      

Convivência Dono de uma das biodiversidades mais ricas do planeta, o semiárido brasileiro é um dos mais chuvosos e populosos do mundo. Com muitas horas de sol por ano, baixa incidência de pragas, solos férteis e a possibilidade de acumular água de diversas formas, a região foi considerada inviável por muito tempo.       

“O imaginário nacional e internacional do semiárido é de uma região feia, seca, com gado morrendo de sede, gente migrando e assim por diante”, explica Gogó. Ele afirma que embora as elites sempre tenham colocado o semiárido como inviável, uma pesquisa recente mostrou que 38% da humanidade habita regiões áridas e semiáridas. “Portanto, há um paradoxo entre a concepção das elites e do povo”.      

Marcado por uma histórica estrutura concentradora de renda, riquezas, água e terra, o semiárido brasileiro tem se transformado nos últimos anos. Iniciativas e estratégias da sociedade civil vêm demonstrando a viabilidade da região, em contraposição às tradicionais medidas de combate à seca. Assim nasceu a proposta de convivência com o semiárido.    

Trata-se de um conceito que surgiu na academia do Nordeste há mais de um século, “mas essa expressão nunca saiu do papel. Quem deu cerne ao conceito foi a sociedade civil. Ela foi buscar o jeito de se viver bem aqui no semiárido”, explica Gogó.   

Muitas das iniciativas e experiências que trabalhavam sob essa perspectiva convergiram para a criação, em 1999, da ASA, um fórum de organizações da sociedade civil, entre sindicatos de trabalhadores rurais e urbanos, federações e associações comunitárias, igrejas, católicas e evangélicas, pastorais sociais e ONGs.        

Para Naidison Quintela, a grande intuição da Articulação foi sistematizar e assumir as experiências que já vinham sendo desenvolvidas na região, oferecendo e debatendo-as numa proposta de política pública para a convivência com o semiárido. “A cisterna de placas, a barragem subterrânea, o barreiro coletivo, a cisterna calçadão, todas essas alternativas são provas de que a população resistiu. Por isso, queremos que sejam implementadas como política”.   

Mudanças

“Primeiro veio a cisterna, depois veio o melhoramento da alimentação, porque hoje plantamos as hortaliças e não precisamos ir na feira comprar”, conta o agricultor José de Quitéria, do Sítio Sobrado, município de Jataúba, em Pernambuco.          

Elton Mendes, coordenador do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Porteirinha, município no norte de Minas Gerais, garante que o semiárido de hoje é muito diferente do que antes da mudança de perspectiva do combate à seca para a convivência. “A gente tinha um semiárido brasileiro que parecia um deserto, de onde o povo migrava para as grandes cidades em busca de serviço”, lembra. Elton conta que a migração em busca de melhoria de vida está acabando e muitos filhos de agricultores familiares, que foram embora, estão voltando. “Hoje, aqui é um lugar bom de se viver”, garante.      

Para Naidison, a proposta política de convivência com o semiárido ainda não ganhou a guerra, mas está ganhando batalhas. “A guerra contra a perspectiva do combate à seca está em curso, por isso vemos grandes obras, como a transposição do rio São Francisco”, afirma. Segundo ele, é preciso uma política que não esteja voltada para esses grandes empreendimentos “que somente enriquecem poucos”.   

Para o integrante da ASA, isso não é um sonho e já vem acontecendo na região. “Quem visita as comunidades onde tem cisterna, tem alimentação estocada, tem educação contextualizada, vê um semiárido diferente”, conta.

Vídeo conta por meio de depoimentos e imagens as ações violentas da PM no Pinheirinho

Vídeo retrata a ação violenta da Polícia Militar e o desespero de moradores durante a reintegração de posse realizada na ocupação do Pinheirinho, no dia 22 de janeiro, em São José dos Campos, interior de São Paulo. As imagens provam o uso de balas de borracha e gás lacrimogêneo contra a população como também o manuseio de armas de fogo por parte da Corporação. Segundo nota da PM, toda ação foi feita com respeito incondicional aos direitos humanos. Os desvios, segundo eles, serão apurados.

Postado: Brasil de fato

A ordem é despejo e progresso

 

O portão fechado aos índios e seus aliados, abre-se como por encanto aos homens da lei e da ordem

01/2012

Egon Heck

Postado: Brasil de Fato

“ Em primeiro lugar, queremos contar a todos os juízes e sociedades que estamos coletivamente em estado de medo, desespero e dor profundo, já sobrevivemos em situação míseria perversa há várias décadas…Hoje no dia 26/01/2012, nós compreendemos claramente que nós não temos mais chances de sobreviver culturalmente e nem fisicamente neste país Brasil, visto que em qualquer momento seremos despejados de nossa área antiga reocupada por nós, portanto estamos com muita tristeza e perplexidade, ao receber esta notícia da oficial da Justiça e da Polícia Federal e FUNAI. Já estávamos com a alegria praticando o nosso ritual sagrado dia-a-dia aqui em minúscula terra antiga reocupada Ñanderu Laranjeira em que retornamos nos últimos dois anos”. (Carta da Comunidade Laranjeira Nhanderu aos Juízes do Brasil)

O portão fechado aos índios e seus aliados, abre-se como por encanto aos homens da lei e da ordem. O oficial de justiça, escoltado pela polícia federal e Funai,  é portador de mais um decreto de medo e de condenação.  A nova ordem de reintegração de posse é mais uma punhalada na pequena comunidade Kaiowá Guarani do Mato Grosso do Sul.

Quem acompanhou a saga de violência sofrida por essa comunidade nativa dessa região em sua dura e sofrida luta pela sobrevivência, certamente terá que se perguntar que país é esse que (mal)trata seus primeiros habitantes com tamanha covardia e crueldade. É a lei do mais forte se impondo, em nome do rei e da lei, da ordem e do progresso.

Quando no ano passado o agronegócio e sua lógica de produção a qualquer custo, com muito agrotóxico e agressão à mãe terra,  deflagraram a campanha “Produção Sim, Demarcação Não” , estavam  apenas explicitando a lógica perversa da negação das terras indígenas. E não tem sido outra a atitude do governo federal quando tem destinado bilhões para acelerar o agronegócio e a agroindústria, especialmente na produção da soja e do etanol. Isso através da bem aventurado programa do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento.

Enquanto isso a propalada e dezenas de vezes adiada regularização das terras indígenas andavam a passos de tartaruga, sob constantes atropelos judiciais e o Senado procura mudar a Constituição, chamando para si a responsabilidade de decidir sobre a definição e demarcação das terras indígenas.

Memória do massacre, sofrimento e esperança

A comunidade Kaiowá Guarani de Laranjeira Nhanderu , desde dia 11 de setembro de 2009, vem vivendo uma longa “via crucis”. Despejada para a beira da estrada, BR 163, ali conviveram com toda espécie de sofrimento, passando por momentos com seus barracos inundados, sob a implacável agonia do sol, do frio e da chuva. Tiveram pelo menos três de seus membros mortos por atropelamento. Seus idosos e crianças convivendo com o medo diário do ronco dos carros.

Passaram heroicamente por todo esse massacre diário, sem jamais perder a esperança de um dia terem seus direitos respeitados e sua terra garantida. Essa situação chegou ao conhecimento nacional e internacional através das inúmeras visitas de delegações de solidariedade, desde os trabalhadores rurais sem terra até a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. De representantes da Presidência da República a representantes de instituições internacionais de Direitos Humanos e defesa das populações indígenas.

Foi um ano e meio de travessia do deserto do sofrimento, que fez dessa comunidade um lugar especial de celebração da esperança, de afirmação da cultura, de luta com dignidade pela vida presente e futura.

Diante da morosidade de solução da questão da terra e fartos de promessas não cumpridos, retornaram à sua terra em maio do ano passado, com a certeza de que Nhanderu e os espíritos de seus guerreiros ancestrais lhes garantiria sua terra tradicional. É o que vemos no veemente depoimento Dona Adelaide. http://www.youtube.com/watch?v=jnO_gdu19VU

“Queremos sobreviver culturalmente e fisicamente aqui, queremos proteção e apoios vitais das Justiças do Brasil para garantir a nossa nova geração guarani-kaiowá neste país sem vítimas de violências perversas.”(idem carta)

Egon Heck é militante do Conselho Indigenista Missionário

Pinheirinhos! Vergonha para o Judiciário!

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Grupo faz vigília pró Pinheirinho no vão do Masp

O grupo fez uma vigília durante a noite de sábado (28) contra a ação da Polícia Militar na comunidade do Pinheirinho

Por: Carlos Roberto – kaká e Renilson Gomes da Silva

pinheirinhoManifestantes voltaram a se reunir em um ato pró-Pinheirinho na avenida Paulista, em São Paulo. O grupo fez uma vigília durante a noite de sábado (28) contra a ação da Polícia Militar na comunidade em São José dos Campos (SP), durante a desocupação do terreno.

Com velas acesas, os manifestantes exibiram cartazes para os motoristas e pedestres e pretendiam passar a noite no vão do Masp (Museu de Arte de São Paulo) até às 6h deste domingo, horário em que marca uma semana do começo da desocupação.

A Polícia Militar afirmou não ter informações sobre a manifestação e número de participantes.

 

 

 

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Brasileiros e alemães se aproximam em luta pelo fim das usinas nucleares

Próximo do aniversário de um ano do desastre de Fukushima, organizações brasileiras intensificam luta para barrar a construção de Angra 3 e a previsão de mais 4 usinas no país. Em debate no Fórum Social, pesquisadores alertaram para riscos da tecnologia e articularam ações com organizações alemãs. Governo do país europeu ofereceu garantia financeira para investidores do setor no Brasil.

Bia Barbosa

Postado: Carta Maior

usina nuclearPorto Alegre – No próximo dia 11 de março, protestos em todo o mundo marcarão o aniversário de um ano do acidente nuclear na usina de Fukushima, no Japão, que expôs mais de 300 pessoas a um alto grau de radiação. O número de mortes por câncer no futuro pode chegar a mil neste que foi o maior desastre nuclear desde Chenobyl, em 1986. Em junho, durante a Rio+20, a questão da energia nuclear estará novamente em pauta. A 150 quilômetros de distância de Angra 1 e Angra 2 e do terreno onde está sendo feita a terraplanagem de Angra 3, o programa nuclear brasileiro também será alvo de manifestações dos movimentos sociais. Neste contexto, o Fórum Social Temático em Porto Alegre, que acontece até domingo, não podia ficar fora do roteiro das articulações nacionais e internacionais, que visam não apenas paralisar a construção de Angra 3 como acabar com a produção de energia nuclear no país.
Num debate realizado na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, promovido pela Coalizão contra Usinas Nucleares e pela Articulação Antinuclear do Brasil, a lista exposta com as razões para se rejeitar esta forma de produção energética no país foi extensa, começando pelos riscos de acidentes. Os ambientalistas enfatizaram que não existe a possibilidade de risco zero na produção da energia nuclear.
“Antes de Fukushima, muitos defensores da energia nuclear afirmavam isso. Mas todos sabem que há o efeito da imprevisibilidade. No Japão, apesar de toda a tecnologia usada na segurança, o acidente foi catastrófico do ponto de vista social e ambiental”, avaliou Heitor Scalambrini, membro do Movimento Ecossocialista e pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco.
No estado, a cidade de Itacuruba, a 750 km do Recife, na fronteira com a Bahia, seria a principal opção para a construção de uma nova usina nuclear no país. Além de Angra 3, há uma previsão de colocar em operação outras quatros centrais em território nacional: duas no nordeste e duas no sudeste, a um custo de R$ 10 bilhões cada uma. Itacuruba teria sido escolhida por ficar às margens da lago de Itaparica, ao longo do Rio São Francisco, por ter solo estável e estar entre os três maiores mercados consumidores de energia elétrica da região: Salvador, Recife e o complexo portuário de Suape. A Eletronuclear fala de seis reatores, a serem instalados num complexo de 6 megawatts de produção.

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