Tarsila do Amaral

Perfil

Tarsila do Amaral veio ao mundo no seio de uma família cheia de posses no dia 1º de setembro de 1886. Seu avô paterno era conhecido como “O milionário” e seus pais,José Estanislau do Amaral e Lydia Dias de Aguiar do Amaral,herdaram uma excelente fortuna e diversas fazendas,entre elas a São Bernardo,em Capivari (SP),onde Tarsila nasceu. Portanto,a infância da menina rica aconteceu entre as inúmeras fazendas da família. Em 1901,Tarsila foi estudar em São Paulo no tradicional Colégio Sion,mas seus estudos foram completos no Colégio Sacré-Coeur em Barcelona,onde pintou seu primeiro quadro,Sagrado Coração de Jesus,em 1902. Dois anos depois voltou ao Brasil para casar,por imposição da família,com seu primo André Teixeira Pinto. Em 1904,nasceu sua única filha,Dulce.

O casamento não durou muito e,em meados da década de 1910,Tarsila se viu livre novamente. O interesse pelas Belas Artes cresceu com a recém adquirida liberdade e a jovem mãe rica começou a ter aulas de escultura,modelagem e pintura. Foi nas aulas de pintura que conheceu Anita Malfatti que teve papel decisivo em sua escolha pela pintura. Em 1920,Tarsila decidiu estudar em Paris e daí surgiu uma forte correspondência com a amiga Anita que foi lhe mantendo a par dos acontecimentos do efervescente mundo artístico de São Paulo que culminaram na Semana de 22. Tarsila não esteve presente e nem participou da Semana,mas voltou ao Brasil a tempo de ser apresentada por Anita aos escritores modernistas Mário de Andrade,Menotti del Picchia e Oswald de Andrade (com que começou a namorar). Formaram então o “Grupo dos Cinco” para manter acesa a chama do modernismo tupiniquim. Em 1923,Tarsila voltou a Paris onde teve aulas com Fernand Léger e deu início à primeira fase de suas pinturas,a pau-brasil,onde o cubismo foi revestido com temas brasileiros,como em A Negra.

Em 1924,Tarsila voltou ao Brasil,onde fez uma viagem por Minas Gerais e Rio de Janeiro junto com o poeta Blaise Cendrars e os modernistas. Viagem que resultou em quadros como Carnaval em Madureira e A Cuca,entre outros. Nos anos seguintes,Tarsila alterno estadas em São Paulo com viagens para a Europa ao lado de Oswald de Andrade,com quem se casou em 1926. A intensa relação amorosa e intelectual com Oswald fez Tarsila pintar,em 1928,Abaporu (“homem que come carne humana”,em tupi). O quadro impressionou tanto Oswald que serviu como mote para o Movimento Atropofágico,nome dado a segunda fase de Tarsila,que “deglutiu” ainda mais radicalmente referências culturais estrangeiras em um ambiente brasileiro. Ao quadro mais famoso de Tarsila seguiram-se novas obras-prima,tais como Antropofagia,A Lua e O Ovo. Mas o que era de vidro quebrou-se e Tarsila perdeu muito da sua herança familiar,ligada à produção de café,com a queda da Bolsa de Valores de Nova York em 1929 e se separou de Oswald em 1930.

O início da década de 1930 foi de mudanças radicais para Tarsila. Em 1931,após uma viagem à ex-União Soviética,a pintora se interessou pelo ideário socialista e quando voltou ao Brasil começou a criar quadros mais realistas tendo como pano de fundo algumas mazelas sociais brasileiras. Surgiram assim quadros como Operários e Segunda classe. Outra influência importante nesta fase de Tarsila foi o jornalista Luís Martins,com quem viveu até o início da década de 1950. Mas a partir de meados da década de 1930,e durante os anos 40,Tarsila passou a pintar menos e desenhar mais,além de começar a trabalhar como cronista nos Diários Associados. A volta aos quadros aconteceu em 1950 quando surgiram as primeiras exposições retrospectivas de sua obra,participações nas Bienais de Arte de São Paulo e Veneza e um vasto reconhecimento de sua contribuição à arte brasileira. Tarsila voltou então aos motivos de sua fase pau-brasil dando início ao neo pau-brasil em grandes quadros como O batizado de Macunaíma. Tarsila do Amaral morreu em São Paulo no dia 17 de janeiro de 1973. Repleta de vida,arte e Brasil.

“Minha força vem da lembrança da infância na fazenda,de correr e subir em árvores. E das histórias fantásticas que as empregadas negras me contavam”. –Tarsila do Amaral

“Encontrei em Minas as cores que adorava em criança. Ensinaram-me depois que eram feias e caipiras. Segui o ramerrão do gosto apurado,mas depois vinguei-me da opressão passando-as para minhas telas:azul puríssimo,rosa violáceo,amarelo vivo,verde cantante,tudo em gradações mais ou menos fortes conforme a mistura de branco. Pintura limpa,sobretudo,sem medo de cânones convencionais”. – Tarsila do Amaral

“O abstracionismo,cujos princípios se dirigem ou devem dirigir-se cem por cento à inteligência,não me comove hoje. Depois de um certo tempo a gente começa então a desejar evadir-se dessa eternidade artística,que só se dirige ao intelecto,e a reagir com a volta ao sentimental,ao humano,já que no complexo humano os sentidos também têm seus direitos”. – Tarsila do Amaral

“O Rio de Janeiro vai descobrir Tarsila e vai ter com essa descoberta a exata sensação de um maravilhoso encantamento. Tarsila é o maior pintor brasileiro. Nenhum,antes dela,atingiu aquela força plástica –admirável como invenção e como realização –que ela só possui,entre nós”. – Oswald de Andrade

TV Cultura –Alô Escola

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