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By Erik Rasmussen

Materialismo Histórico e dialético, de Aristóteles a Marx e Engels

Marx O termo materialismo histórico foi utilizado por Friederich Engels (1820-1895) para designar o método de interpretação história proposto por Karl Marx (1818-1883) e que consiste em interpretar os acontecimentos históricos como fundados em fatores econômico-sociais (técnicas de trabalho e de produção/relações de trabalho e produção).
O fundamento básico do materialismo histórico está ancorado na perspectiva antropológica marxista, que concebe a natureza humana como sendo intrinsecamente constituída por relações de trabalho e de produção que os homens estabeleceram entre si com vistas à satisfação de suas necessidades. Assim a concepção de homem abandona totalmente suas premissas transcendentais e encontra no processo de sobrevivência pelo trabalho seu fundamento mais importante.

Apesar da teoria de Marx ter mais interesse sociológico e econômico, do que filosófico, podemos assinalar que suas teorias trazem uma concepção de homem voltada para a realidade do cotidiano e isso limita muito o campo de ação da FILOSOFIA. Marx privilegia mais o aspecto ideológico da Filosofia do que seu aspecto de sabedoria da Natureza.
Para Marx o Estado constituído tem uma Filosofia perversa de dominação sobre o indivíduo, obrigando-o a agir conforme determinados interesses, principalmente o interesse dos mais abastados economicamente. O homem se tornaria então apenas uma ferramenta de trabalho e tudo que gira em torno da existência humana depende de suas relações com o ambiente de produção capitalista.
O QUE É DIALÉTICA IDEALISTA?
Dialética (do grego) era, na Grécia Antiga, a arte do diálogo, da contraposição e contradição de idéias que leva a outras idéias.
"Aos poucos, passou a ser a arte de, no diálogo, demonstrar uma tese por meio de uma argumentação capaz de definir e distinguir claramente os conceitos envolvidos na discussão". "Aristóteles considerava Zênon de Eléa (aprox. 490-430 a.C.) o fundador da dialética. Outros consideraram Sócrates (469-399 AEC)". (Konder, 1987, p. 7).
A dialética alcançou reais dimensões nos tempos atuais na filosofia Hegeliana, do alemão Hegel (1770-1831).
O conceito de dialética, porém, é utilizado por diferentes doutrinas filosóficas e, de acordo com cada uma, assume um significado distinto. Para Platão, a dialética é sinônimo de filosofia, o método mais eficaz de aproximação entre as idéias particulares e as idéias universais ou puras. É a técnica de perguntar, responder e refutar que ele teria aprendido com Sócrates (470-399 AEC).
Platão considera que apenas através do diálogo o filósofo deve procurar atingir o verdadeiro conhecimento, partindo do mundo sensível e chegando ao mundo das idéias. Pela decomposição e investigação racional de um conceito, chega-se a uma síntese, que também deve ser examinada, num processo infinito que busca a verdade. Aristóteles define a dialética como a lógica do provável, do processo racional que não pode ser demonstrado. "Provável é o que parece aceitável a todos, ou à maioria, ou aos mais conhecidos e ilustres", diz o filósofo.
O alemão Immanuel Kant retoma a noção aristotélica quando define a dialética como a "lógica da aparência". Para ele, a dialética é uma ilusão, pois baseia-se em princípios que, na verdade, são subjetivos.
O método dialético possui várias definições, tal como a hegeliana, a marxista entre outras. Para alguns, ela consiste em um modo esquemático de explicação da realidade que se baseia em oposições e em choques entre situações diversas ou opostas. Diferentemente do método causal, no qual se estabelecem relações de causa e efeito entre os fatos (ex: a evaporação da água causa a formação de nuvens, que, por sua vez, causa as chuvas), o modo dialético busca elementos conflitantes entre dois ou mais fatos para explicar uma nova situação decorrente desse conflito.
MÉTODO DIALÉTICO
Os elementos do esquema básico do método dialético são a tese, a antítese e a síntese. A tese é uma afirmação ou situação inicialmente dada. A antítese é uma oposição à tese. Do conflito entre tese e antítese surge a síntese, que é uma situação nova que carrega dentro de si elementos resultantes desse embate. A síntese, então, torna-se uma nova tese, que contrasta com uma nova antítese gerando uma nova síntese, em um processo em cadeia infinito.
A filosofia descreve a realidade e a reflete, portanto a dialética busca, não interpretar, mas refletir acerca da realidade. Por isso, seus três momentos (tese, antítese e síntese) não são um método, mas derivam da dialética mesma, da natureza das coisas.
A dialética é a história do espírito, das contradições do pensamento que ela repassa ao ir da afirmação à negação. Em alemão ‘aufheben’ significa supressão e ao mesmo tempo manutenção da coisa suprimida. O reprimido ou negado permanece dentro da totalidade.
Esta contradição não é apenas do pensamento, mas da realidade, já que ser e pensamento são idênticos. Esta é a proposição da dialética como método a partir de Hegel. Tudo se desenvolve pela oposição dos contrários: filosofia, arte, ciência e religião são vivos devido a esta dialética. Então, tudo está em processo de constante devir. Porém, a compreensão deste devir só se dá a posteriori.
Qual a diferença da dialética de Marx e a dialética de Hegel?
A primeira questão é a de encarar a dialética da perspectiva dos dois pensadores. Ambos não tem para si a dialética como mero procedimento lógico (ou retórico) como seria para Aristóteles. A dialética está relcaionada indistintamente com uma filosofia da história e, no caso de Marx, com uma teoria da praxis.
Em segundo lugar, é preciso ter em mente que Marx é um seguidor de Hegel, sendo a dialética idealista transformada em uma dialética materialista (Vale conferir um texto em que essa passagem é fundamental: A Ideologia Alemã, de Marx. Editora Martins Fontes – ótima edição).
O Processo é semelhante em ambos: a uma tese (determinada situação histórica) se antepõe uma antítese (contida na própria tese) que gera uma síntese diversa das partes que a originaram. Daí as diferentes fases da História.
Agora a grande diferença: Para Hegel o caminho dialético segue até o Absoluto, mediante um processo em que o Espírito ganha consciência de si (nos termos do idealismo alemão). A cada novo estágio o Espírito se conscientiza mais de si através dos elementos de contradição, contidos em sua própria fase histórica. Assim em determinado período "o homem é escravo", entretanto, a própria "idéia" de homem concebe a liberdade e se antepõe à escravidão. Homem e escravidão entram em contradição, então, o homem deve deixar de ser escravo, o Espírito ganha consciência (Nova fase histórica). Aqui se expressa a famosa passagem da dialética do senhor escravo contida em "A Fenomenologia do Espírito".
Marx coloca Hegel sobre os próprios pés. Para ele não é a consciência que transforma as relações materiais, mas o contrário: é através dos processos sociais materiais, notadamente do trabalho, que a consciência é formada. Vale dizer que nossas relações materiais se exprimem nas nossas idéias.
Assim, embora o processo seja o mesmo: tese – antítese – síntese, em Hegel a Idéia entra em contradição com as relações materiais e transforma as condições históricas para algo novo, em Marx as relações de produção (para ficarmos em seus termos) entram em contradição com as Idéias e apontam para algo novo. Pode parecer simples, mas essa simples mudança de posição tem consequências importantes na filosofia e teoria social dos dois pensadores.
Existem ainda outras "dialéticas" na obra de Hegel e Marx (e.x. uma grande mudança quantitativa provoca uma mudança qualitativa e, ainda, a dialética entre homem e natureza – Engels tem um trabalho importante sobre esta última "Dialética da Natureza").
Para mais informações com maiores detalhes sobre a dialética, existe um ensaio de Norberto Bobbio "A Dialética em Gramsci".
MATERIALISMO DIALÉTICO
Baseado em Demócrito e Epicuro sobre o materialismo e em Heráclito sobre a dialética (do grego, dois logos, duas opiniões divergentes), Marx defende o materialismo dialético, tentando superar o pensamento de Hegel e Feuerbach.
A dialética hegeliana era a dialética do idealismo (doutrina filosófica que nega a realidade individual das coisas distintas do "eu" e só lhes admite a idéia), e a dialética do materialismo é posição filosófica que considera a matéria como a única realidade e que nega a existência da alma, de outra vida e de Deus. Ambas sustentam que realidade e pensamento são a mesma coisa: as leis do pensamento são as leis da realidade. A realidade é contraditória, mas a contradição supera-se na síntese que é a "verdade" dos momentos superados.
Hegel considerava ontologicamente (do grego onto + logos; parte da metafísica, que estuda o ser em geral e suas propriedades transcendentais) a contradição (antítese) e a superação (síntese); Marx considerava historicamente como contradição de classes vinculada a certo tipo de organização social. Hegel apresentava uma filosofia que procurava demonstrar a perfeição do que existia (divinização da estrutura vigente); Marx apresentava uma filosofia revolucionária que procurava demonstrar as contradições internas da sociedade de classes e as exigências de superação.
Ludwig Feuerbach procurou introduzir a dialética materialista, combatendo a doutrina hegeliana, que, a par de seu método revolucionário concluía por uma doutrina eminentemente conservadora. Da crítica à dialética idealista, partiu Feuerbach à crítica da Religião e da essência do cristianismo.
Feuerbach pretendia trazer a religião do céu para a Terra. Ao invés de haver Deus criado o homem à sua imagem e semelhança, foi o homem quem criou Deus à sua imagem. Seu objetivo era conservar intactos os valores morais em uma religião da humanidade, na qual o homem seria Deus para o homem.
Adotando a dialética hegeliana, Marx, rejeita, como Feuerbach, o idealismo, mas, ao contrário, não procura preservar os valores do cristianismo. Se Hegel tinha identificado, no dizer de Radbruch, o ser e o dever-ser (o Sen e o Solene) encarando a realidade como um desenvolvimento da razão e vendo no dever-ser o aspecto determinante e no ser o aspecto determinado dessa unidade.
A dialética marxista postula que as leis do pensamento correspondem às leis da realidade. A dialética não é só pensamento: é pensamento e realidade a um só tempo. Mas, a matéria e seu conteúdo histórico ditam a dialética do marxismo: a realidade é contraditória com o pensamento dialético.
A contradição dialética não é apenas contradição externa, mas unidade das contradições, identidade: "a dialética é ciência que mostra como as contradições podem ser concretamente (isto é, vir-a-ser) idênticas, como passam uma na outra, mostrando também porque a razão não deve tomar essas contradições como coisas mortas, petrificadas, mas como coisas vivas, móveis, lutando uma contra a outra em e através de sua luta". (Henri Lefebvre, Lógica formal/ Lógica dialética, trad. Carlos N. Coutinho, 1979, p. 192). Os momentos contraditórios são situados na história com sua parcela de verdade, mas também de erro; não se misturam, mas o conteúdo, considerado como unilateral é recaptado e elevado a nível superior.
Marx acusou Feuerbach, afirmando que seu humanismo e sua dialética eram estáticas: o homem de Feuerbach não tem dimensões, está fora da sociedade e da história, é pura abstração. É indispensável segundo Marx, compreender a realidade histórica em suas contradições, para tentar superá-las dialeticamente.
A dialética apregoa os seguintes princípios: tudo relaciona-se (Lei da ação recíproca e da conexão universal); tudo se transforma (lei da transformação universal e do desenvolvimento incessante); as mudanças qualitativas são conseqüências de revoluções quantitativas; a contradição é interna, mas os contrários se unem num momento posterior: a luta dos contrários é o motor do pensamento e da realidade; a materialidade do mundo; a anterioridade da matéria em relação à consciência; a vida espiritual da sociedade como reflexo da vida material.
O materialismo dialético é uma constante no pensamento do marxismo-leninismo (surgido como superação do capitalismo, socialismo, ultrapassando os ensinamentos pioneiros de Feuerbach).
MATERIALISMO HISTÓRICO
Na teoria marxista, o materialismo histórico pretende a explicação da história das sociedades humanas, em todas as épocas, através dos fatos materiais, essencialmente econômicos e técnicos. A sociedade é comparada a um edifício no qual as fundações, a infra-estrutura, seriam representadas pelas forças econômicas, enquanto o edifício em si, a superestrutura, representaria as idéias, costumes, instituições (políticas, religiosas, jurídicas, etc). A propósito, Marx escreveu, na obra A Miséria da filosofia (1847) na qual estabelece polêmica com Proudhon:
As relações sociais são inteiramente interligadas às forças produtivas. Adquirindo novas forças produtivas, os homens modificam o seu modo de produção, a maneira de ganhar a vida, modificam todas as relações sociais. O moinho a braço vos dará a sociedade com o suserano; o moinho a vapor, a sociedade com o capitalismo industrial.
Tal afirmação, defendendo rigoroso determinismo econômico em todas as sociedades humanas, foi estabelecida por Marx e Engels dentro do permanente clima de polêmica que mantiveram com seus opositores, e atenuada com a afirmativa de que existe constante interação e interdependência entre os dois níveis que compõe a estrutura social: da mesma maneira pela qual a infra-estrutura atua sobre a superestrutura, sobre os reflexos desta, embora, em última instância, sejam os fatores econômicos as condições finalmente determinantes.
(Informações extraídas de Wikipédia e Sites na Internet)

Veja Também:

  1. Curso Livre Marx e Engels (atividade gratuita)
  2. A ideologia alemã – Karl Marx e Friedrich Engels
  3. Curso Livre Marx e Engels recebe 1.500 inscrições
  4. A ação política de Marx e Engels antes de 1848
  5. Marx: naturalismo e história

1 comment to Materialismo Histórico e dialético, de Aristóteles a Marx e Engels

  • Ana

    Muito bom!!!uma linguangem,simples e objetiva.Parabéns!!goataria de receber notícias,de cursos por exemplo.
    Boa Tarde!!!

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